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| Não quero dinheiro, eu só quero amar, só quero amar...
Clube da Calcinha: Já está ganhando tanto ou mais dinheiro do que quando fazia programas? Raquel Pacheco: Quando parei de fazer programas, não me importei se iria ganhar menos dinheiro. Chegou um momento que vi que o dinheiro que eu ganhava jamais compraria o que aprendi a valorizar: alguém para me amar e que eu ame também. E, a minha família de volta. Então, me preocupei em juntar uma quantia que desse para eu me manter durante um tempo. Como não sabia que a minha vida fosse dar uma guinada por causa do livro, acabei me preocupando com este "pé de meia". Se eu soubesse, teria parado antes. Não gosto de falar em valores, mas posso dizer que estou ganhando mais de quando fazia programas. Para mim, por incrível que pareça isso é indiferente, porque o importante é estar de bem com a vida, ao lado de uma pessoa que amo e sem precisar passar por algumas humilhações que as garotas de programa passam. Só eu e o João Paulo sabemos o quanto foi difícil os últimos meses, quando eu me prostituía. E posso dizer, com consciência limpa, que não sinto falta de nada da prostituição! A única maneira de comparar o dinheiro que eu ganhava e que ganho hoje, é que a quantia é incerta. Quando fazia programas, dependia da quantidade de clientes no mês e variava muito de mês para mês. Atualmente, o único dinheiro fixo que recebo, é o salário que ganho da revista Sexy, onde trabalho como repórter na ´tv clube sexy´ há dois meses e o nosso contrato vai até agosto de 2008. Quando às minhas outras formas de renda, varia muito: porcentagem da vendagem do livro, venda de direitos autorais para outros países, ensaios fotográficos para revistas e cachê para algumas aparições na mídia e o Portal do Banho. Clube da Calcinha: Quais as suas outras conquistas: Portal do Banho, filme, livro traduzido em várias línguas... Raquel Pacheco: Os direitos autorais do primeiro livro foram vendidos até agora para a América Latina inteira, Estados Unidos, Vietnã, Inglaterra, Alemanha, Itália, Holanda etc. Ou seja, já está traduzido em espanhol, inglês e sendo traduzido em outros idiomas. E já estamos negociando com outros países também. O filme ´O doce veneno do escorpião´ está com o roteiro concluído e alguns atores já estão escalados, infelizmente não posso divulgar nada, mas está com previsão de ser lançado no segundo semestre do próximo ano. Além disso, recentemente fui convidada para atuar numa peça de teatro em 2007 também. Será uma experiência diferente e por dois meses terei aulas integrais de interpretação para arrasar na peça. O ´Portal do banho´ é um site onde vendo sabonetes artesanais com a marca ´Bruna Surfistinha´, que tem superado muito as minhas expectativas. Em novembro, um novo site entrará no ar dando início a segunda fase deste projeto. Tenho também o áudio-livro, que são histórias que não estão no livro e foram narradas por mim. Em 2007, darei início a dois tipos distintos de palestras: um será para falar de marketing e sucesso profissional. E o outro será uma parceria com uma sexóloga, onde obviamente falaremos sobre sexo e tiraremos dúvidas das participantes. Como sei que não ganharei dinheiro para o resto da vida por causa da "Bruna surfistinha", estou investindo numa franquia e em outra loja que pretendo abrir daqui há oito meses, onde farei um "mix" de várias idéias que tenho no mundinho dos negócios. Em 2007, será um ano totalmente agitado e cheio de novidades, tem outros projetos que também estão sendo estudados, mas tenho medo de aceitar tudo e não ter tempo para a minha vida pessoal. Sei que muitas pessoas pensam que quando esta fase da mídia passar, que voltarei a me prostituir, mas é justamente por não querer regredir na vida, que estou preparando desde já, a fase pós-Bruna. Quem ganha dinheiro com a fama precisa estar totalmente consciente que esta fase passa quando menos esperamos, mas já estou tranqüila quando a minha passar!! |
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Comportamento Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein Pecado é a generalização Carol do Valle
Raquel Pacheco fala sobre o novo livro e expectativas Tinha fechado a matéria quando recebi um e-mail indignado com a solicitação da retirada do nome da destinatária do nosso mailing. Ela disse não querer receber mais nada de um portal que entrevistava mulheres iguais a Bruna Surfistinha. Em virtude da interatividade democrática da Internet 'pensante', mudei esse início de texto. Sou, no limite do meu conhecimento, uma jornalista parcial. Defendo minhas idéias baseada no caráter formado até os meus quatro anos de idade com todos os resquícios de uma descendência italiana e de uma educação formada por um casal de "migrantes", que lutou muito para construir vida nova longe da cidade natal, no interior do Estado. Por isso, a luta contra preconceitos e entraves é uma constante. A verdade é que o ano de 2006 foi fenomenal em termos de mais uma 'importada' modalidade de marketing - o marketing viral. Assistimos ao vídeo da Cicarelli se alastrando como vírus pela Internet, e atualmente, acompanhamos o mais recente fictício namoro que estampa estrategicamente os principais veículos de comunicação com a 'propaganda fofoca' criada pela Fisher do beijo de Karina Bacchi e do 'baixinho' da Kaiser. O livro "O doce veneno do escorpião"- o diário de uma garota de programa, de Raquel Pacheco - mais conhecida como Bruna Surfistinha, mesmo sendo lançado em 2005, ainda é muito procurado nas livrarias, ultrapassando a marca de 160 mil exemplares vendidos no Brasil. Foi comprado recentemente por editoras de mais de 40 países e já teve seus direitos vendidos para o cinema. Criadores e criatura Muita gente pode pensar que o livro da ex-garota de programa foi 'ingenuamente' conquistando o seu lugar ao Sol graças à sorte. Mas o trabalho não foi feito por nenhum amador e a descoberta da personagem envolveu a 'curiosidade apuradíssima' e o feeling do jornalista Marcelo Duarte, que está à frente da Editora Panda Books desde 1988. Para a empreitada, ele buscou a sensibilidade do jornalista, professor universitário e ghost writer Jorge Tarquini, responsável em encontrar a linguagem certa do 'depoimento verdade' de Raquel. Uma linguagem fácil, literatura atemporal, acessível aos mais diferentes públicos e com um dos temas mais 'curiosos' da humanidade.
"A primeira coisa que eu pensei é que fosse alguma surfista, alguma coisa assim. Ai ele me explicou que era uma garota de programa que escrevia. Me contou o que era blog. Na hora eu não fui procurar, mas guardei o nome. Um mês depois a revista Vip fez uma matéria de blogs de sucesso. Tinha a foto dela, o endereço do blog. Resolvi entrar e comecei a ler. Bacana, fechei e fui dormir. Alguns dias depois, lembrei e pensei ‘deixa eu entrar de novo para ver com quem ela transou dessa vez’. Eu estava envolvido de tal maneira, que eu entrava dia sim, dia não. Queria saber a continuação da história. Virou uma novela. Chegava ao ponto de eu estar lendo sobre uma briga dela com a vizinha no elevador. Em determinado momento ela escreveu que estava pensando em publicar um livro. Só que eu me perguntava – ‘quem vai comprar um livro de uma garota de programa?’. Fica uma coisa que as pessoas vão ter vergonha e têm o preconceito. Era uma coisa engraçada. Toda vez que eu entrava e ela falava sobre o livro eu ficava com uma coceira, do tipo assim ‘eu tinha que publicar antes que outro editor o fizesse e eu me sentisse um otário’", conta Marcelo Duarte, durante o papo em sua sala na editora, na vila Madalena, em São Paulo. "Cheguei a mandar três e-mails antes que ela respondesse. Ela achava que era uma brincadeira, ainda mais quando falei que eu tinha escrito o Guia dos Curiosos. Marcou uma reunião comigo super cedinho. Eu duvidei que ela iria, afinal uma garota de programa que fica no swing até às cinco horas vai estar numa reunião às nove horas da manhã? Ela não vai aparecer. Deu nove e dez, ela apareceu. Reconheci porque ela colocava as fotos dela no blog. Foi engraçado. Da mesma forma que ela não acreditava que eu estava escrevendo pra ela, quando eu a vi pela primeira vez também desconfiei, pois ela tem uma cara de menina. Era difícil acreditar que ela havia vivido tudo aquilo. Foi o primeiro choque. Achei ela muito menina. Ela estava de legging, camiseta e um tênis, diferente de como ela se veste hoje, era meio assustador. No meio da conversa, descobri que de verdade os únicos textos existentes eram os que estavam no blog. Imediatamente pensei no Jorge Tarquini, que tem exímia habilidade para esse tipo de texto. Tudo que está no livro foi relatado por Raquel nos encontros semanais com o Jorge e em seis meses o trabalho estava pronto." Clube da Calcinha: Como foi escrever com a ajuda do Jorge? Fale um pouco sobre o processo de trabalho...Raquel Pacheco: O jornalista Jorge Tarquini é super respeitado, trabalhou em vários veículos da mídia, é professor de jornalismo numa grande faculdade, então me senti muito à vontade em escrever o livro com ele. Nossa relação sempre foi muito profissional, no período em que estávamos escrevendo, nos encontrávamos três vezes por semana. Ele, com o gravador e um caderno de anotações e eu, com a voz da experiência. Conversávamos um papo informal, eu contava tudo o que tinha vontade de falar sem medo. Mas eu preciso reconhecer que o enrolei alguns dias, para contar sobre o que aprontei com os meus pais. Eu digo que o processo da escrita do "O doce veneno do escorpião"foi uma terapia. Em muitos encontros que tivemos, senti como se o Jorge fosse um psicólogo. Em muitas passagens de revelações e lembranças, eu chorei. Teve até um dia, que tivemos que parar o depoimento no meio, pois eu não conseguia e nem queria mais falar sobre o assunto e então, continuamos no dia seguinte. Principalmente quando eu falava sobre a minha família. Rimos muito também, quando eu contava como foram alguns programas, eu ficava com vergonha de estar falando tudo aquilo para ele, mas acabamos nos divertindo. Foi um processo muito bom para mim, pois o fato de desabafar o que durante anos ficou "preso", me fez ficar com consciência leve. Blogs e livros quem somos, temos algo para ensinar às outras pessoas, neste caso, às outras mulheres. As mulheres podem ter qualquer profissão, qualquer idade, mas sempre têm os mesmos conflitos e dilemas. Dicas para quem quer publicar um livro:
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