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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dicas, críticas ou sugestões!

Ex-garota de programa, escritora e marqueteira

Conversei com a ex-garota de programa Vanessa de Oliveira. Uma dama na retórica e no domínio do nosso bom e coloquial "português". Marqueteira de mão cheia, quando concedeu essa entrevista, ela estava lendo o livro de Samantha Moraes, ex-esposa do atual namorado da precursora dos livros do gênero - Bruna Surfistinha. Provavelmente se preparando para a campanha que as duas iniciaram na semana passada pós "baixaria produzida" no programa Superpop.

 

Deixando polêmica de lado, vamos ao que interessa:

- 'Guél' (de "girl", garota em inglês - portanto, todas as vezes que você se deparar com a palavrinha, essa é a forma carinhosa que Vanessa chama jornalistas e mulheres as quais acaba de conhecer), estou lendo o livro da menina que foi trocada pela Bruna Surfistinha. Fiz uma análise e acredito que a imagem que você terá dos homens no futuro está muito relacionado à figura do seu pai. Nossa tendência é buscar um protetor. - fala Vanessa logo no início da nossa conversa, quando a indaguei sobre o relacionamento com sua família.

Depois de relutar em contar sua trajetória e muitas vezes afirmar que as respostas estavam todas no livro, Vanessa de um ' an passant ' sobre a infância e a relação com o pai.

- Guél, tive uma educação rígida e tradicional. Minha família é católica apostólica romana e toda semana freqüentávamos a missa, numa cidadezinha Eu era uma criança muito fechada, introspectiva, com baixa auto-estima . Tinha problemas de relacionamento com meu pai e guardo lembranças de seqüências de frustrações, não são poucas.

A primeira vez

- Morava em Balneário Camburiú com minha família. Aos 16 anos, tive meu primeiro namorado, que mais tarde veio a ser meu marido . Ele era skatista , livre, rebelde. Fuji com ele. Passei dois dias fora de casa. Foi o meu primeiro. Estávamos andando de skate , começamos a nos beijar, ele foi descendo, fez sexo oral e eu tive um orgasmo. Nossa primeira relação me deixou confusa, não sabia direito o que estava acontecendo, mas me deu uma vontade louca de transar.

Gravidez, casamento e separação

- Minha filha nasceu quando eu estava com 19 anos. Foi um choque porque nos casamos e éramos imaturos. Eu não deveria ter saído de casa. Levávamos uma vida medíocre e eu entrava em desespero todas as vezes que descobria as traições do meu marido. Ele me chifrava com as minhas amigas. Sempre ouvi falar muito de Florianópolis. Para dar um basta nesse ciclo vicioso, criei coragem e fui pra lá com a minha filha e R$ 100 na bolsa. Aluguei um quarto com uma amiga e arrumei um emprego. Fazia massa para congelados: croissant , pães e pizza. Minha ex-sogra e meu ex-marido entraram com busca e apreensão da minha filha. Voltei pra Balneário. Continuou tudo igual e nos separamos.

Prostituição e Marise

- Com muita dificuldade pra bancar o aluguel, que estava sempre atrasado, fui perguntar à Vitória, uma mulher de cinqüenta e três anos moradora da pensão e que atuou muitos anos no cais. Quis saber como poderia começar, com quem tinha que negociar. Ela tinha pouco estudo, mas muita cultura e apresentava garotas a estrangeiros. Era amiga. Tomei a decisão, segui seus conselhos e numa noite pedi a um taxista que me levasse a melhor zona. Cheguei na boate, conversei com o dono e o primeiro programa foi tranqüilo. Como se tivesse feito milhares de vezes. Não tive vergonha, medo, nada. Foi normal. E ele ainda teve ejaculação precoce. Quanto eu cobrei? R$ 100. E foi muito fácil.

No quarto

- É preciso ter postura dentro do quarto. Você recebe antes de tudo, pode até para não perder o clima pedir ao cliente para colocar o dinheiro na calcinha. Nunca enfrentei problemas. Alguns inconvenientes: viciado ou cliente que tirava camisinha no meio do programa, mas nada grave. 'Marise' fez 5.000 programas em cinco anos de profissão.

Clube da Calcinha: - Qual o valor mais alto que você cobrou por um programa?
Vanessa: - R$ 1.400 - sem precisar transar com o cara.

Clube da Calcinha: E o mais baixo?
Vanessa: - R$ 40 - por necessidade, isso foi logo quando comecei.

Clube da Calcinha: Pegou alguma doença grave?
Vanessa: - Só coisas simples. Infecção de banheira. Usava preservativo sempre e não beijava na boca.

Clube da Calcinha: Posições mais solicitadas?
Vanessa: - Guél, homem gosta mesmo é de quatro. E para eles gozarem mais rápido, eu também preferia. Você fala bastante, o deixa bem excitado, estimula determinados pontos e, de quatro, ele goza rapidinho. E você nem fica cansada.

Clube da Calcinha: E qual a pior?
Vanessa: - Guél, frango assado. O cara não goza nuuuuuuuunca!

Clube da Calcinha: Quantos programas por dia?
Vanessa
: - Treze, Guél, treze. Chegava até o limite do meu corpo.

Clube da Calcinha: Muito Ménage à trois?
Vanessa: - Guél, quando comecei com os anúncios em jornal, tive um retorno imenso. Para cansar menos, eu e uma amiga anunciávamos a ruiva dos olhos verdes e a loira sarada. Preferíamos atender juntas para fazermos mais programas por dia. Tínhamos que economizar energia. O mínimo de penetração.

Clube da Calcinha: Vanessa, você topou com algum maluco?
Vanessa: - Hãããããããã . Acho que não. Ah, tinha um sim. Ele enfiava um pepino enorme dentro dele. Ele queria chocar as pessoas. O cara levava um pote de manteiga pra passar no pepino e eu morria de nojo. Ficava imaginando aquele pote e se a família comia daquela manteiga também. Pior, que nojo. Era sempre o mesmo pepino. Acho que ele congelava. Bléééééch .

 

Mulheres do século vinte e um

Clube da Calcinha: - Vanessa, o que você diz às mulheres?
Vanessa
: - A mulher não tem que ficar preocupada se está ou não fazendo o homem feliz. Não tem que se preocupar só com isso. A mulher se cobra demais. Quer ser completa, tentando ser ótima em tudo. Fazer tudo na cama. Imagina fazer sexo anal se você detesta? Isso é muito pobre. O relacionamento é pobre se as pessoas pensarem apenas em posições sexuais. Se você não faz anal, compensa em outra em coisa, em outro lado da relação.

Clube da Calcinha: Muito homem e muita mulher (machista) afirmam que um dos motivos que leva o homem a contratar uma profissional, é realmente isso, sair do feijão com arroz e fazer sexo anal, por exemplo... ?
Vanessa
: - O homem não busca mais uma mãe, uma empregada ou a mulher sexy fatal. Eles buscam uma companheira. 50% do que leva o homem a contratar uma profissional é o estigma cultural. Outro motivo é a rotina, alguns incluem no dia-a-dia, por passarem muito tempo longe de casa.

Clube da Calcinha: Depois de anos de casamento ou união, o sexo e o amor acabam?
Vanessa: - Se o casal tiver afinidade e os dois não deixarem a relação cair na rotina, não. Não acaba.

Clube da Calcinha: E a fidelidade?
Vanessa: - Apesar da grande maioria dos homens serem infiéis, existem aqueles que são fiéis. A mulher está traindo mais e os motivos ainda são vingança ou falta de carinho em casa.

Clube da Calcinha: E a sexualidade feminina?
Vanessa
: - A mulher está desabrochando agora. Estamos vivendo uma época ainda abolicionista. Mas, vejo que depois dos trinta anos de idade, a mulher se solta mais, se permite mais. Tenho amigas que falam bastante em orgasmo múltiplo, mas nessa fase.

Clube da Calcinha: Essa pergunta é para sanar aquela 'dúvida jargão' dos homens. Vanessa, tamanho é documento?
Vanessa:
- Isso é um pensamento clichê. Eu não gosto de pênis muito grande.

 

Perdas e ganhos

- Desde que me aposentei - 18 de junho de 2006 - venho sentindo os efeitos da minha nova pobre vida de escritora. Tenho reservas e não vou voltar a fazer programas, mas não uso mais Dove e a marca do detergente também mudou.

Nos meses ruins, eu chegava a faturar até R$ 10 mil. Perdi nas relações humanas. Nos relacionamentos com homens. Porém, ganhei nas amizades. Não tinha estresse, pois sempre estava rodeada de amigas. O mais chocante foi quando a minha filha descobriu. Ela tinha quase nove anos de idade e um vizinho daqui contou. Eu tomava um super cuidado, atendia só em motel ou apartamento de amiga. E ele mostrou um dos meus anúncios, que eu publicava nos jornais, pra minha filha. Até hoje moro de aluguel, mas já estou decorando o meu apartamento. Com tudo de muito bom gosto.

Clube da Calcinha: Já quitou o apartamento?
Vanessa
: - Ainda não.

Clube da Calcinha: Teve amores depois do seu casamento? Não conheceu ninguém? Não se apaixonou?
Vanessa:
- Guél, não. Eu estava ficando dura. Não saia mais. Não queria me envolver com ninguém. Entrei naquele site "Par Perfeito" e comecei a me corresponder direto com um homem. Nos conhecemos e eu me apaixonei. Guél, ele é minha paixão. Só que é moralista. E você sabe, o mundo é muito pequeno. Guél, quando estava pensando em parar para ficar com ele, um amigo dele que estava interessado em sair comigo revelou tudo. Fiquei arrasada. Inventei um nick name , um nome, uma caixa postal falsos e uma personagem, a Letícia. Fiz com que ele se apaixonasse novamente por mim. Quando ele descobriu, sumiu pela segunda vez. Seu nome, Guél? - Zorro.

 

O livro, o futuro e o renascimento de Marise?

Vanessa jura que Marise encerrou a carreira e sumiu do mapa pra sempre. Ainda não dá para viver de livros, mas uma coisa é fato. "Diário de Marise" já vendeu 15 mil exemplares em dois meses. Ela já pensa no segundo livro e, afirma ser realmente a responsável por cada uma das vírgulas e dos verbetes, sem a necessidade de ter um ghost writer - como sua rival de marketing e pioneira do gênero, Bruna Surfistinha. Já tem um novo livro engatinhado. Quer dar palestras e cursos no estilo dos da Nelma Penteado, sobre marketing pessoal e sexualidade. Em casa, pretende ser sempre uma mãe dedicada. Quem sabe até a exercer a profissão de enfermeira, pois fez faculdade de enfermagem. Enquanto nada disso acontece, acompanhe parte da trajetória de Vanessa de Oliveira no livro " Diário de Marise", que apresenta os programas, taras de clientes, barganhas da cafetinagem , orgias, casas de swing, vida nas ruas e nas boates, problemas com o síndico do prédio, que quer colocá-la para fora a qualquer custo.

 

 

 

 

 

 

 

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