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"Não, eu não me arrependo de ter me separado. Quanto a suportar... este é um termo que nós não deveríamos usar para uma relação amorosa, não é mesmo

 

Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dicas, críticas ou sugestões!

Sou várias e todas verdadeiras


Para entender o significado do título dessa matéria, conheça a história de uma mulher que teve a coragem de concretizar algo que nós, mortais, já tivemos vontade de fazer pelo menos em algum dia: levantar a bunda da cadeira no meio do expediente, ir embora, para nunca mais voltar.

Seu nome é Stella Florence.

Ela vive escutando: - Só isso?

- Sim, só isso. Meus pais eram práticos.

Ela é assim: prática e objetiva.

Nascida na cidade de São Paulo, no dia 14 de abril de 1967, Stella é filha de dona Odila e seu Orlando (falecido). Na infância, partilhada com os três irmãos Telma, Zilah e Guilherme, ela afirma ter tido o essencial: muito abraço e muita brincadeira nas ruas da Vila Mariana.

"Uma das lembranças mais marcantes é a do dia em que minha irmã se esqueceu de me pegar na escola. Estava escuro, chovia muito e eu achei o máximo perambular pela escola vazia (não totalmente vazia: uma das professoras ficou comigo)", recorda Stella, provavelmente com a coragem característica de uma mulher de áries com ascendente escorpião.

Quando questionada sobre a adolescência, diz ter sido uma fase péssima. "Igual a vivida por quase todo mundo. Repleta de vergonha, não aceitação, baixa auto-estima, gordura, espinhas, óculos".

Arrependimentos? "Muitos! Poderia fazer uma lista - mas, seria uma lista inútil, eu não posso transformar o passado".

Vida profissional

O primeiro emprego foi como secretária na GAFISA, uma das empresas líderes no mercado da construção civil. Na mesma época, Stella cursava Letras, na FAPA. "Mas, sinceramente acho isso uma bobagem. A gente aprende muito mais lendo, por exemplo, do que numa sala de aula. Possuía mais dúvidas do que desejos", conta.

Durante dez anos ela trabalhou como secretária executiva. Numa tarde, em 1996, olhou a sua volta no escritório e fez a seguinte pergunta: "O que é que eu estou fazendo aqui?". Lá fora, um céu cinza chumbo, uma garoa frienta, e nenhuma resposta. Então pegou sua bolsa e foi embora para sempre. Hoje, apesar de não se arrepender, não considera sua atitude profissional ou correta. "Mas é preciso surtar, pelo menos uma vez na vida. Surtar é sadio".

Realização pessoal

"Sem ter a menor idéia do que fazer da vida, ganhei um CD da Zélia Duncan cuja música me embalou e motivou a voltar a escrever. Dias depois me vi numa festa no apartamento de 'não-faço-idéia-quem'. Lá estava eu encostada na parede e achando a festa uma chatice quando um cara me perguntou no que eu trabalhava. Eu levantei o queixo e disse com uma convicção tão firme quanto ridícula: - Eu sou escritora! Se eu soubesse o tamanho (mínimo) do funil do mercado editorial brasileiro, nunca teria saído do lugar. Ainda bem que não sabia. Às vezes, ingenuidade faz bem. Desembestada, fui em frente. Entrei para a Escola dos Escritores, dirigida pelo professor Gabriel Perissé. Participei de antologias, cadernos literários, jornais, revistas, palestras, aquele processo todo".

Stella conheceu os escritores Marcos Rey e Mario Prata, que se tornaram seus primeiros incentivadores. "Deus os abençôe aqui na Terra como no Céu pelos conselhos e puxões de orelha. De puxão em puxão, hoje de outros colegas, fui virando gente. Gente em mutação - esse troço não pára nunca", desabafa.

Ela assinou contrato com a Editora Rocco que lançou o best-seller Hoje Acordei Gorda (contos, 1999), livro que, embora seja entretenimento, tem sido indicado pelo Ambulim-SP (Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas FMUSP) como leitura terapêutica para pacientes com distúrbios alimentares, o que a deixa babando de orgulho e alegria.

Depois vieram outros livros:

  • Por Que os Homens Não Cortam as Unhas dos Pés? (contos, 2000);
  • Ele me Trocou por Uma Porca Chauvinista (contos, 2001);
  • Ciúme, Chulé e um Apelido Ridículo (romance, 2002);
  • Ser Menina é Tudo de Bom! (crônicas, 2005);
  • O Diabo que te Carregue! (romance, 2006).

De 2002 a 2004, Stella participou do projeto Crônicas da Vida a Dois , com o escritor Eduardo Haak. De novembro de 2003 a junho de 2005, escreveu crônicas para a revista Criativa, da Editora Globo. A partir de então, escreve semanalmente para o site da mesma revista (Criativa On Line). Faz palestras em todo Brasil sobre os mais diferentes temas e atua como jurada em concursos culturais.

Clube da Calcinha: Ser escritora é...
Stella Florence: Trabalho, trabalho, trabalho.

Clube da Calcinha: Qual a sua fonte de inspiração?
Stella Florence: Tudo, absolutamente tudo que me rodeia.

Clube da Calcinha: O livro que mais te dá tesão?
Stella Florence: Só homem me dá tesão. Ela dá uma risada.

Clube da Calcinha: Manias e preferências:
Adora tatuagens. Stella está compondo um livro vivo nas costas. "Ali tatuei palavras e frases que me dizem respeito como estrela; sem medo; cavalos sob a tempestade; um instrumento de vossa paz; áries, quanto mais simplicidade, melhor o nascer do dia; cordas invisíveis; frágil; sou várias e todas verdadeiras; se você gritar, se escute; aceitação; nada passa; para encontrar a Louca - e por aí vai".

Clube da Calcinha: Algumas escritoras prediletas?
Stella Florence: Márcia Denser, Daphne Du Maurier, Lucía Etxebarría, Margaret Mazzantini, Martha Medeiros, Clarah Averbuck, Lygia Fagundes Telles, Dorothy Parker, Anita Loos... "Por que só mulheres? Porque eu quis, ué".

Clube da Calcinha: Filmes
Stella Florence: Encontros e Desencontros (Lost in translation), Clube dos Cinco (The Breakfast Club), Mestre dos Mares (Master and Commander), Ben-Hur. Músicas? As canções de Cole Porter.

Amor e Família

Clube da Calcinha: Como era o casamento dos seus pais?
Stella Florence: Eram profundamente apaixonados um pelo outro. De certa forma ainda continuam assim, apesar do meu pai já ter desencarnado.

Clube da Calcinha: E a sua filha?
Stella Florence: Olívia, que tem quatro anos e mora comigo, foi programada, desejada e amorosamente esperada.

Clube da Calcinha: Como está sua vida sentimental hoje?
Stella Florence: Está em silêncio.

Clube da Calcinha: A relação com o ex. está bem resolvida?
Stella Florence: Depois de muitas chuvas e trovoadas, sim, temos um bom relacionamento hoje. Mas isso tambem é uma conquista de todos os dias.

Clube da Calcinha: Qual o conselho que vc dá a mulheres que passam pela mesma situação?
Stella Florence: Comprem e leiam o romance sobre separação " O Diabo que te Carregue!". Se eu não fosse a autora dele, daria esse conselho da mesma forma. Muitas mulheres tem me escrito dizendo o quanto o livro foi importante para elas, o quanto tocou seus corações e o quanto as fez rir de si mesmas.

Clube da Calcinha: Para terminar, você acredita em quê?
Stella Florence: Em Deus, na vida após a morte, na reencarnação e no amor das mães.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Trabalho é uma parte importante da realização pessoal, mas essa realização não é estanque e definitiva - a graça é a cada dia conquistar algo novo" - Stella Florence

 

 

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