Golfar, regurgitar, refluxo. Afinal, o que é normal e o que é doença?

 

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"Criança que regurgita engorda." Essa era uma frase comum, dita pelas avós satisfeitas quando o seu netinho colocava o leite para fora. Depois que mudaram o nome de regurgitar para refluxo gastro-esofágico (ficou mais bonito, não ficou?) e que algumas crianças passaram a ter problemas graves, alguns até fatais, as preocupações aumentaram muito. Isso porque, agora, coexistem o refluxo gastro-esofágico (frequente, fisiológico, mas normal) e a doença do refluxo gastro-esofágico (bem menos frequente e não normal).

Quando o conteúdo do estômago volta para o esôfago (garganta interna), temos o que é conhecido como refluxo

Quando o conteúdo do estômago volta para o esôfago (garganta interna), temos o que é conhecido como refluxo. Desde recém-nascido, isso pode ser muito comum e costuma corrigir sozinho, sem necessidade de medicação, até um ano de idade. Nesses casos, temos bebês que não apresentam qualquer problema de saúde relacionado ao refluxo (ganham peso, não têm doenças respiratórias constantes, por exemplo), mesmo que regurgitem certa quantidade do leite após as mamadas. 

Quando esse refluxo é mais constante e em grande quantidade, acompanhado de ganho de peso inadequado (ou até perda de peso), problemas respiratórios (chiado no peito, infecções de ouvido, laringites), anemia, é importante realizar algumas avaliações para um diagnóstico mais preciso e um tratamento precoce e eficaz.

Radiografias com contrastes do trato digestivo, cintilografias, endoscopias são alguns dos exames mais pedidos para essa comprovação, às vezes necessários, mas muitas vezes inconclusivos. O acompanhamento pediátrico adequado será a melhor forma de controle do bebê que regurgita.

A introdução precoce da mamadeira e dos leites industrializados e até integrais (esses não recomendáveis até um ano de idade) contribuem para que a criança apresente uma maior dificuldade de digestão, de esvaziamento gástrico, aumentando a distensão do estômago, com mais volta do leite após as refeições.

Além das inúmeras razões citadas por todos os textos científicos mundiais nos dias de hoje, como a prevenção de obesidade infantil, da alteração de colesterol e triglicérides, da alergia alimentar, o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida é um dos grandes fatores protetores do quadro de RGE.

Algumas medidas posturais podem diminuir a intensidade do refluxo nas crianças de forma geral e, até mesmo, resolver a situação em crianças amamentadas exclusivamente ao seio.

Esperar a criança arrotar antes de deitar, não balançar, não apertar a barriga do bebê (nem com roupas mais justas), após a mamada, são atitudes importantes.

Fórmulas anti-refluxo (AR), tratamento medicamentoso (alopático, homeopático, fitoterápico) e até cirúrgico devem ser utilizados apenas com orientação médica.

Texto de Moises Chencinski, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos ao portal feminino Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.

 

Colunista

Moises Chencinski é médico pediatra e homeopata, autor dos livros “Homeopatia - mais simples do que parece” e “Gerar e Nascer - um canto de amor e aconchego”.
www.doutormoises.com.br

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