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Dr. José Bento de Souza é ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein e Hospital São Luis desde os anos 80. É formado pela faculdade de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduado pela USP. Pelo menos duas vezes ao ano participa como médico visitante em maternidades da França, Inglaterra e Estados Unidos.

www.drjosebento.com.br

 

 

Sem calcinha

Consultor Amigo: José Bento de Souza
Dicas, críticas ou sugestões!

Dr. José Bento responde



O ginecologista tira dúvidas sobre endometriose e uso de antidepressivos durante a gestação, num papo esclarecedor.

 

Quais os principais sintomas da endometriose?
 
A endometriose é o crescimento de células que revestem internamente o útero (descamam durante a menstruação) em outros locais do organismo. Nessa doença, células endometriais se ligam a outras regiões do organismo e formam os chamados implantes endometriais. É mais comum nos ovários, tubas uterinas e na superfície externa do útero e intestinos, bem como no tecido de revestimento da cavidade pélvica. Pode ainda, ser encontrada no fígado, vagina, cicatrizes cirúrgicas e, até mesmo, nos pulmões ou no cérebro. Em geral, são implantes benignos (ao contrário do câncer).

A endometriose afeta mulheres durante a idade reprodutiva, em média, 25 a 30 anos,sendo uma das principais causas de dor pélvica. Sua causa não é conhecida. Existem várias teorias, mas nenhuma  foi comprovada, porém a principal hipótese defende a idéia de que o tecido endometrial é depositado nos locais acometidos pelo fluxo sangüíneo retrógrado, através das tubas uterinas, para a cavidade pélvica e abdominal, durante o período menstrual (menstruação retrógrada).


A maioria das mulheres com endometriose não apresenta sintomas definidos, mas é muito comum sentirem dor pélvica e infertilidade. A primeira é mais comum durante, ou nos dias que antecedem o período menstrual, melhorando após a menstruação. Outras, apresentam dor durante a relação sexual, com os movimentos intestinais e/ou durante a micção e exame ginecológico. A intensidade pode variar e algumas pacientes têm piora progressiva dos sintomas, enquanto outras acabam melhorando sem qualquer tratamento.

Há casos que incluem dor abdominal baixa, diarréia e/ou constipação, dor lombar, irregularidade menstrual ou presença de sangue na urina. A hipótese diagnóstica pode ser levantada com base no quadro clínico da paciente, e a utilização de exames de imagem, como a ultrassonografia, podem ser úteis, mas não definitivos. É fundamental fazer a inspeção direta e a biópsia dos implantes para diagnosticar corretamente.
 
Procedimentos
A videolaparoscopia é o procedimento mais utilizado por ser menos invasiva. Ela é realizada insuflando-se dióxido de carbono no abdome através de uma pequena incisão na cicatriz umbilical. Um instrumento fino e longo com uma câmera é inserido na cavidade para visualizar o abdome e a pelve. Dessa forma, os implantes endometriais podem ser diretamente identificados. Durante esse procedimento, amostras de tecido para exame microscópico (biópsias) são retiradas. Em alguns casos, embora implantes endometriais não sejam identificados, a biópsia confirma o diagnóstico. A endometriose pode ser tratada com o uso de medicamentos para, principalmente, aliviar a dor e tratar a infertilidade.

Quais os riscos para o bebê quando a mãe toma calmantes ou antidepressivo?

Dependendo do período da gravidez, do tempo de uso e da dose, os calmantes podem produzir efeitos diferentes. Quando a mãe usa estes remédios nos primeiros meses da gravidez, podem ocorrer má formações na boca, como lábio leporino e pálato fendido (goela de lobo). Já se a mãe usa calmantes por muito tempo (até o fim da gestação) a criança pode apresentar  uma síndrome de abstinência, caracterizada por tremores, irritabilidade (muito chorosa), inquietação, respiração acelerada e vômitos.

Já o uso de benzodiazepínicos nos dias que antecedem o parto fazem com que o recém-nascido fique com atividade diminuída. O bebê pode demorar para respirar e chorar, apresentar hipotonia (corpo mole) e pouca força para mamar. Mas, é importante reforçar, que o estresse durante a gestação pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro do bebê. De acordo com pesquisa realizada no Imperial College, em Londres, estudos em animais mostraram que se a mãe estiver estressada durante a gestação, pode haver mudanças a longo prazo no desenvolvimento neurológico do filhote, que apresenta crescente ansiedade e menor capacidade para atenção.

Novos estudos apontam efeitos semelhantes em seres humanos. Se a mulher está ansiosa ou estressada durante a gestação, seu filho terá uma probabilidade muito maior de desenvolver problemas emocionais, de comportamento ou de aprendizado e até transtorno de défict de atenção, ansiedade e atraso no uso de linguagem.  A ansiedade na gravidez parece ter maior impacto sobre o bebê do que a depressão pré-natal. Algumas evidências indicam que um dos fatores pode ser o aumento dos níveis do hormônio do estresse – o cortisol. Há uma forte associação entre ele e os níveis de cortisol tanto no sangue da mãe quanto em seu líquido amniótico, que envolve o bebê.

Desta forma, assim que a mulher sabe que está gestante ou que irá engravidar deve comunicar ao seu obstetra e seu psiquiatra para que se selecione a droga com menor número de efeitos colaterais possíveis.

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

 
 

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