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Luis Fontes é coordenador do curso a distância Modelagem de Lingerie, do SENAI-SP. |
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Reflexão Colaborador-amigo: Luis Fontes A história do sutiã Strophium. O sutiã, ou melhor, algum acessório destinado a cobrir, segurar ou elevar o busto, foi inventado e reinventado muitas vezes ao longo dos tempos. Na ilha de Creta, por volta do ano 2000 a.C., as mulheres usavam tiras de couro ou de pano logo abaixo dos seios, na base do busto, com a intenção de modelar a silhueta e realçar a aparência da região. As gregas e as romanas costumavam deixar o busto livre, coberto apenas pela túnica, mas as ginastas da época usavam um pano amarrado (strophium) em torno do peito, para protegê-lo. Por um período bem longo, até quase o final da Idade Média, poucas eram as mulheres que usavam algum tipo de proteção para o busto. Do século XVI ao XIX, o espartilho tornou-se o acessório mais usado. Com a função mais de afinar a cintura do que a de modelar os seios (na realidade, o espartilho diminuía e apertava o busto), acabou ficando conhecido como a “prisão” das mulheres. As suas hastes de metal e o sistema de cordões para ajustar causavam tanto desconforto e dor que muitas mulheres chegavam a desmaiar. A versão mais difundida é a de que o sutiã, como agora o conhecemos, é uma invenção francesa. A costureira Herminie Cadolle lançou, em 1889, na Exposição Universal de Paris, um acessório para o busto, feito de linho e com tiras que se apoiavam nos ombros, a que chamou de “Bien-être” (bem-estar). Marie Tucek e Mary Phelps Jacob também são citadas como precursoras na modelagem do sutiã atual. Mas a abolição total do uso do espartilho em favor do sutiã não veio senão na época da Primeira Guerra Mundial, quando o governo americano solicitou que as mulheres deixassem de usar espartilhos como forma de reduzir o consumo de metal. De lá para cá, algumas datas marcaram a evolução do sutiã: 1928 – Ida Rosenthal cria o sistema de números para o sutiã, baseado no tamanho do bojo. 1940 – O enchimento passa a ser usado nos sutiãs, tanto para aumentar como para proporcionar uma aparência pontuda aos seios. 1941 a 1945 – Os materiais usados na fabricação de sutiãs (algodão, espuma, seda e aço) tornam-se escassos em razão da Segunda Guerra e os fabricantes passam a utilizar os tecidos sintéticos. 1950 – O sutiã sem alça é introduzido para uso com os vestidos “tomara-que-caia”. 1959 – Ano em que a Lycra passou a ser produzida. 1968 – Um famoso acontecimento, a “queima dos sutiãs”, em razão de um protesto de mulheres feministas americanas, inicia um período em que muitas mulheres abandonam o uso do sutiã. Atualmente, as brasileiras, que compravam seis calcinhas para cada sutiã em 1993, reduziram esta proporção para dois para um, ou seja, a cada duas calcinhas, um sutiã também é comprado. É um sinal de que o sutiã passou novamente a ser visto como um acessório que proporciona bem-estar (como Madame Cadolle acertadamente o denominou), e que continua evoluindo, graças aos avanços constantes nas fibras, tecidos, processos de fabricação e design, que o deixam mais leve e suave ao contato com o corpo.
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