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Fluvia Lacerda é brasileira e mora em Nova York, onde trabalha há três anos como modelo “plus size”.

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Bonitas e totalmente fora dos padrões

Colaboradora-amiga: Fluvia Lacerda
Dicas, críticas ou sugestões!

Moda GG

             

Vou iniciar pedindo mil desculpas pelo sumiço... Mil beijos a todas que me escreveram e mil perdões mais uma vez! Essa vida corrida acaba fazendo a gente perder senso de tempo...

Mesmo sem escrever na ativa, andei analisando muitas coisas desde que comecei a escrever minha coluna aqui no Clube. De natureza, sou muito observadora, mas, nesses últimos meses, passei a notar o quanto cometemos gafes na hora de escolher a melhor opção do que vestir. E quando falo nós, desta vez, particularmente, me refiro às mais cheinhas. Até aí nada de novo, mas não tive como ignorar e decidi tratar do assunto, já que este é praticamente meu “território”.

No Brasil, temos de atribuir isso a alguns fatores bem óbvios: em primeiro lugar, não temos opção de onde comprar roupas – e quando digo roupa, me refiro a opções decentes, roupas tão lindas e maravilhosas quanto às que estão à mercê das escolhas das magrinhas.

De certa forma, isso me revolta um pouco – no lado consumista, acho absurdo o fato de sermos isoladas, porta fora do mercado fashion, porque não somos magérrimas. Na verdade, nosso dinheiro não parece ter muita validade pra indústria fashion, principalmente no Brasil, não é?

Por outro lado, trabalhando constantemente em meio a esse mercado como modelo, eu aprendo muito e, mesmo não tendo minha própria marca de roupas, me parece um pouco de burrice da parte da indústria ignorar uma demanda tão massiva.

O que mais me revolta, no entanto, é que, pelo ponto de vista de “mulher feliz de ser como sou”, me desaponto conosco, consumidoras silenciosas e passivas,  porque permitimos que essa limitação não somente nos faça não querer nos vestir bem, mas também nos force a nos vestir de forma inadequada.

Acho que muito do estereótipo negativo contra a mulher GG  parte daí também,  porque a verdade é que muitas de nós, que vestimos dos tamanhos 44 pra cima, não colocamos energia e alegria na hora de se vestir. Eu até entendo que, quando não existem opções decentes de lugares para comprar roupas, é bem desencorajador se alegrar com a idéia de ir às compras.... Mas também há aquele pensamento constante de que vamos perder o peso e, aí então, comprar um guarda-roupas novinho e fabuloso. Enquanto isso, a vida passa e deixamos de viver, de nos vestir bem e de nos sentir lindas.

Vamos por partes... Minha interpretação de “inadequado”, nessa idéia, são os extremos. Algumas vão em direção ao aterrorizante jeans SUPERbaixo, com tudo tão apertado que Deus o livre ela dê um espirro! Existem as que, sem medo de ser feliz, porém sem senso de “adequado” algum, optam por aquelas blusinhas estilo lycra, cheias de estampas ou brancas (terror!!), supergrudadas como uma segunda pele, que revelam cada detalhe que mulher de tamanho algum deveria estar usando. O lance do tamanho é um sério problema... Existem as que usam a tal calça jeans que parece ser dois tamanhos menores do que o adequado pro tamanho dela e, sejamos sinceras, se você é vítima dessa “doença” e notar que está chamando muita atenção, tenha certeza de que não é uma atenção positiva. É o famoso efeito estufa, literalmente.

Sim, confesso, já estive nesse clube da falta de estilo e, principalmente, falta de “se mancol”, como dizem... Para minha sorte, com o tempo e a vasta quantidade de escolhas, eu entrei em reabilitação e me curei dessa doença. *rs*

Mas, como todos findamos encontrando a própria luz no final do túnel, todas temos uma chance de nos curar desse mal e, se eu me curei, você também pode. E deve!

Eu sei que, no Brasil, a situação é crítica e que comprar tecido pra mandar fazer roupa , porque nas lojas dos shopping centers – onde todo outro ser humano faz suas compras – não existe nada meio decente para o nosso tamanho, não é a coisa mais justa do mundo... Mas a gente vai caçando com as armas que tem.

A idéia básica e mais importante é conhecer o formato do seu corpo de uma forma que você escolha peças que caiam bem – e isso não é uma regra apenas paras as gordinhas, mas, aparentemente, somente as gordinhas são as que menos ligam pra essas regras.

A verdade é que certas ondas da moda simplesmente NÃO FICAM BEM PRA TODO BIOTIPO! Ponto final!! Não é porque a menina da novela das oito está usando e fica lindo nela que significa que vai ficar bem em você também. Além disso, não precisamos viver como um bando de escravas de modismos, certo?? Não há nada de errado em fazer sua própria moda, adequada ao seu tipo físico.

Pessoalmente, sou grande defensora de que, quando nos vestimos bem, naturalmente nos sentimos bem ao sairmos de casa pra enfrentar o dia ou curtir a noite. Essa é uma verdade bem óbvia, considerando que o mundo da moda é uma indústria altamente poderosa.

Mas, quando o assunto é moda, de certa forma, perdemos a batalha do respeito quando, como consumidoras, nosso dinheiro se torna inválido diante do tamanho da etiqueta da roupa que vestimos. Se nos contentamos em pagar um preço absurdo por uma peça de roupa horrorosa, a mensagem que mandamos pro mundo da moda é que não ligamos pra nós mesmas. Não nos importamos em vestir estilos horrorosos, que nem mesmo nossa avó vestiria, enquanto todas as outras consumidoras de tamanhos menores se vestem impecavelmente. Eu sei que é absurda a idéia de boicotar aquilo que mal existe e, no fim das contas, todas nós precisamos nos vestir. Mas ainda é necessário, no Brasil, vocalizar nossa opinião como consumidoras. Em países como Inglaterra, Espanha, Estados Unidos, Israel, Alemanha e, até mesmo, na capital francesa, Paris, a indústria da moda tem mantido ouvidos abertos e, por conseqüência, as opções estão disponíveis em vasta quantidade. E, por que não, considerando o espetacular número de vendas?

A grande vitrine que demonstra essa mudança está nas páginas das grandes revistas, como Vogue Paris, USA, Itália, entre outras, em catálogos de moda e em grandes campanhas de moda que, há anos, vêm colocando em suas páginas modelos de tamanhos 44 pra cima. O rosto e o tamanho da moda, literalmente, estão se tornando realísticos. Mas essa mudanca só vem acontecendo porque as consumidoras fazem questão de colocar a boca no trombone, e a indústria da moda – seja voluntariamente ou por pura pressão – tem dado ouvidos e aberto espaço pra realidade daquelas que consomem seus produtos.

É hora disso acontecer no Brasil também. Existem algumas companhias nesse mercado que, aos poucos, vêm crescendo no Brasil, mas ainda é preciso ser feito muito.

Muitos podem debater o quanto quiserem em relação à questão disso ser algo positivo, aceitável, tolerável ou, até mesmo, bonito. O fato é que estamos aqui e temos o mesmo direito de nos vestir bem.

Se você está trabalhando em cima da idéia de perder uns quilinhos, manda ver: exercício, muita água, dieta balanceada... Mas não se esqueça de que a vida está aqui hoje, que você não só precisa viver o agora, como MERECE!!

E se você se sente linda e maravilhosa do jeito que é, mais um motivo pra se vestir bem... Portanto, não hesite na hora de enviar seus e-mails pras linhas de roupas que você sempre sonhou em vestir e expresse o quanto adoraria pagar por aquele par de jeans que eles nunca fizeram no tamanho adequado pra você.

Continuem lindas... tô de volta mês que vem. PROMETO!

 

 

 

 

 




 


"O que vale é a opinião que temos

de nós mesmas"

Cada e-mail que recebo me ensina algo novo em relação a cada uma de vocês, que, mesmo se lamentando, por estar aprisionada a essa lavagem cerebral da mídia, também divide fotos de filhos lindos, esposos, namorados, viagens e, no fundo, um desejo de se libertar de toda essa escravidão que é a balança...

O que mais quero é que cada uma de vocês consiga livrar a mente, pelo menos um pouquinho, dessa escravidão e, assim, se dar a chance de pensar em cada uma das coisas positivas que todas temos na vida, porque cada uma delas merece sua celebração, uma comemoração que acontece na hora que acordamos de manhã!! Um pensamento positivo de agradecimento a Deus por tudo que você tem e que muitos, por aí, não têm nem a metade. Lembre-se de cada criança ao seu redor. Você é o modelo de beleza dela. Por se amar, você criará outras Fluvias, que se amam sem sofrimentos, que não ligam para o que o resto do mundo pensa, porque o que vale mesmo é a opinião que temos de nós mesmas!  

 

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