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Fluvia Lacerda é brasileira e mora em Nova York, onde trabalha há três anos como modelo “plus size”. |
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Bonitas e totalmente fora dos padrões Colaboradora-amiga: Fluvia Lacerda Gordinha e linda, sim.
Mas nada me preparou para a revolução que aconteceu comigo anos depois de eu ter “trocado de casa”. Um belo dia (toda boa história precisa desse começo...rs), estou eu dentro de um ônibus “atravessando” Manhattan quando fui abordada por uma americana, que me questionou sobre a possibilidade de trabalhar como modelo. Achei que era uma piada (até procurei pela câmera escondida)... Como poderia eu ser considerada “material” ideal para modelo? Modelo não tem de ser “pele e osso”? A tal mulher era editora de uma revista de moda. Ela me deu seu cartão e me direcionou para uma agência de modelos, dando uma explicação rápida de como funcionava a idéia toda e que, para minha própria surpresa, esse era um mercado lucrativo e de grande sucesso. Claro que, na típica correria dos nova-iorquinos, ela desapareceu do ônibus tão rápido quanto apareceu, mas me deixou com um trilhão de dúvidas na cabeça!!! Alguns dias depois, após longos debates com a minha família inteira, decidi tomar coragem e ir conhecer a tal agência. Para minha surpresa, eu consegui, sem muita dificuldade, um encontro com o agente indicado pela editora da revista. Aparentemente, ela já havia entrado em contato com ele e mencionado a possibilidade da minha visita. Com as mãos transbordando de suor de puro nervosismo, consegui conversar com ele e entender todos os detalhes sobre o que envolve o trabalho de modelo. O que achei mais legal foi ter sido considerada uma “ beleza exótica”! Nem preciso dizer que a fama que nós, brasileiras, temos em relação à beleza no mundo todo é enorme, mas ele também amou a idéia de eu ser a única “tupiniquim” nesse ramo. Na minha cabeça, só conseguia pensar: “Obrigada, Deus, pelas raízes misturadas que nós, brasileiros, temos sorte de ter!!!”... Morro de orgulho de ser brasileira. Deus sabe como! O agente colocou o contrato nas minhas mãos e me disse para levá-lo para casa, lê-lo e pensar... Além de achar tudo aquilo surreal, eu fiquei ultrafeliz, claro! No caminho de volta, meu sorriso era tão grande que devia assustar as pessoas que cruzavam minha frente! Agora, posso dizer que o que faz da minha história uma história interessante é que sou e sempre fui GORDINHA. Essa agência é apenas uma das várias que existem na grande Nova Iorque que têm uma divisão especialmente dedicada a representar modelos “plus size” e, como a editora da revista mencionou, esse mercado aqui é muito popular. Eu, vestindo tamanho 48, caí na sorte grande de faturar em cima de quem sou, sem precisar morrer de fome! Sonho não??? Os resultados Minha jornada na carreira de modelo “plus size” tem sido um conto-de-fadas! Quem diria que uma gordinha poderia ser considerada linda e sexy? Eu seria a primeira pessoa a não acreditar em tal idéia. Especialmente considerando os padrões da minha terra natal, isso seria até cômico. Cômico mesmo é quando vou visitar familiares e amigos no Brasil e conto para eles sobre meu trabalho aqui, sobre o sucesso, as viagens, a correria... Eles me olham da forma mais engraçada possível! Acredito que questionem o mesmo que eu me questionei no início: modelo? Aí, mostro meu book e, de repente, vejo o espanto e a realização de notarem que, de fato, uma gordinha pode ser fotografada de uma forma bonita e sexy, e que as gordinhas podem se sentir dessa forma também. Mas, se você me perguntar a parte mais gratificante do meu trabalho, eu vou lhe dizer com toda franqueza do mundo que são os e-mails de mães, avós e meninas me agradecendo por mostrar o outro lado da moeda, que, através do meu trabalho, consigo demonstrar que beleza não está apenas no número da roupa que você veste, mas na forma com que você se vê e se cuida. Ter a oportunidade de mostrar que gostar de si mesma é um sentimento absolutamente necessário para qualquer um é o lado mais positivo do que faço. Hoje, três anos após o início da minha carreira aqui, tenho um sucesso do qual me orgulho, principalmente pela mensagem positiva que acredito passar adiante. Já fotografei para revistas nacionais, fiz campanhas de moda em que cada curva do meu corpo foi apresentada tão perfeitamente quanto as que estamos acostumadas a ver com as modelos magras... O meu trabalho mais recente tem sido um imenso sucesso: fui escolhida para sair na capa do primeiríssimo calendário nacional de modelos “plus size”! Com isso, tenho recebido grande atenção da mídia por aqui e sempre sou questionada sobre se o meu trabalho é reconhecido no meu país da mesma forma que é nos Estados Unidos. Claro que, apesar da resposta ser “não”, eu sempre digo que esse é o meu sonho, de dividir a idéia de um lado positivo quanto à beleza feminina e também, quem sabe, ter a chance de trabalhar e de ter as mesmas oportunidades aí no Brasil. E por falar em oportunidade, a chance de escrever esta coluna mensal veio para mim como um sonho!!! Esta é uma posição superimportante, de poder dividir minhas experiências com todas vocês, assim como gostaria de ouvir a de vocês. Este é apenas um pequeno trecho da minha história. E espero poder continuá-la de uma forma positiva, com vocês também... Tchau, tchau belas! |
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