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Alessandra Rascovski
(CRM 80.126) é médica endocrinologista com tese de doutorado em Transtorno Disfórico do Pré-Menstrual na Faculdade de Medicina da USP, membro da Endocrine Society, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO) e sócia do endocrinologista Filippo Pedrinola na clínica Dr. Filippo Pedrinola & Dra. Alessandra Rascovski, em São Paulo.

 

Fatores de risco:

- ter mais de 25 anos;

- obesidade ou ganho de peso excessivo na gravidez atual;

- maior deposição de gordura no tronco;

- história familiar de diabetes de 1o grau;

- crescimento excessivo do feto ou hipertensão arterial na gravidez;

- antecedentes obstétricos de morte fetal ou de diabetes gestacional.

Diário de uma gestante

Consultora Amiga: Alessandra Rascovski
Dicas, críticas e sugestões!

 

Gestação x Diabetes: quais os riscos e cuidados que as futuras mamães devem ter?

O diabetes é um distúrbio no qual a concentração de açúcar (glicose) no sangue encontra-se anormalmente elevada. Durante a gravidez, o organismo da mulher favorece a produção de hormônios que aumentam a quantidade de açúcar no sangue. Com o tempo, a demanda por este tipo de hormônio se torna cada vez maior pelo organismo, o que chamamos de resistência à insulina. Para algumas mulheres, ele resulta no diabetes. No caso de gestantes diabéticas, a situação é ainda pior, uma vez que as alterações hormonais, comuns neste período, tornam difícil o controle da concentração de açúcar no sangue.

Durante a gestação, duas situações podem acontecer: primeiro, a mulher que já tinha diabetes e fica grávida e, segundo, o diabetes gestacional, aquele que se inicia ou que se torna evidente durante a gravidez e que atinge cerca de 1 a 3 % de todas as futuras mamães. Ele é muito mais comum entre mulheres de certos grupos étnicos, sobretudo as nativas norte-americanas, as habitantes das ilhas do Pacífico, as de ascendência mexicana, indiana e asiática e também entre as obesas.

Durante o pré-natal, o exame para detectar o diabetes gestacional já faz parte da rotina médica. É importante ressaltar, no entanto, que a doença geralmente desaparece após a gestação. Se a futura mamãe tiver um bom controle do diabetes, a gravidez vai ser tranqüila e os riscos não serão maiores do que os de gestantes não diabéticas. Porém, se ela não tiver este controle, certamente poderá passar por muitas complicações, entre elas, colocar em risco a própria vida e a do feto.

A maioria das mulheres, durante os nove meses, consegue controlar a concentração de açúcar no sangue apenas com dieta adequada, atividades físicas e evitando grandes ganhos de peso. Porém, quando isso não funciona, a gestante com diabetes precisa tomar injeções de insulina. Para isso, aprende a utilizar os aparelhos que mensuram a quantidade de açúcar no sangue e a ajustar a dose de insulina necessária. Os medicamentos hipoglicemiantes orais não são indicados para este tipo de paciente, pois podem ser tóxicos para o feto.


Riscos e tratamentos para mãe e filho

O diabetes aumenta o risco da gestante para infecções, trabalho de parto prematuro e hipertensão arterial. O tratamento, nestes casos, é o mesmo que para qualquer outra mulher grávida. Para evitar as doenças reais causadas pelo diabetes, a pressão arterial é mantida sob controle durante todo o tempo.

Mesmo que a gestante consiga manter normal ou praticamente normal os níveis de açúcar no sangue durante a gravidez, o seu filho pode ser anormalmente grande ao nascer. E o risco de defeitos congênitos também é duas vezes maior. Este risco aumenta ainda mais quando o diabetes é mal controlado durante o período de formação dos órgãos do feto, particularmente entre a 6a e a 7a semana de gestação.

Durante os três últimos meses da gravidez, os cuidados concentram-se na monitorização da saúde do bebê, na avaliação do desenvolvimento de seus pulmões e também no controle de açúcar no sangue da mãe. A maioria das mulheres diabéticas pode ter parto vaginal. Contudo, no caso de o controle do diabetes ter sido inadequado no início da gestação ou de os cuidados médicos da paciente estarem inadequados, prefere-se a cesariana.

Uma gestação prolongada é, particularmente, prejudicial ao feto. Em geral, o trabalho de parto ocorre de forma natural, aproximadamente na 40a semana, ou antes. Para aquelas mulheres que já tinham diabetes antes de engravidar, as necessidades de insulina diminuem substancialmente após o parto e, a seguir, aumentam gradualmente depois de 72 horas. Já as mamães que desenvolveram diabetes gestacional são submetidas a diversos exames após o parto para determinar se o problema permaneceu ou desapareceu.  

Os filhos de mulheres diabéticas são examinados minuciosamente após o nascimento, pois têm maior risco de apresentar dificuldades respiratórias, baixa concentração de açúcar e de cálcio no sangue, icterícia e contagem alta de eritrócitos do sangue. Esses problemas são temporários e podem ser tratados.

 


Como diagnosticar o diabetes na gestação?

Todas as grávidas, exceto aquelas com menos de 25 anos, não obesas e sem histórico familiar, devem ser testadas. Para isso, devem dosar o açúcar no sangue após a ingestão de 50g de glicose entre a 24a e a 28a semana. Se der maior ou igual 140mg/dl, será necessário realizar o teste completo.

TESTE COMPLETO: ingestão de 100g de glicose e coleta de glicemia no jejum:

- 1 hora após

- 2 horas após

- 3 horas após

Valores limites:

jejum: 95 mg/dL

1 hora: 180 mg/dL

2 horas: 155 mg/dL

3 horas: 140 mg/dL

É assegurado caso de diabetes gestacional se, pelo menos, duas destas medidas forem maiores ou iguais aos valores descritos.

 

 

 

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