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Uééééééé...

Me mostraram o Gabriel. Nunca mais vou esquecer aqueles olhos lindos pretos me olhando, quietinho, sem chorar. Poderiam misturá-lo com mil crianças que eu não esqueceria aquele olhar.

Levaram o meu bebê para pesar e medir e o trouxeram de volta para mim. A primeira coisa que disse foi: “Oi, Gabriel, você está com fome?”. Meu marido fala que, até hoje, quando o Gabriel chora, esta é a primeira coisa que eu digo.

O Junior me contou que havia muita gente lá fora, esperando o nascimento do Gabriel. Ao todo, eram 16 pessoas, entre amigos e parentes. Fizeram a maior festa. O Junior chorou como louco e tiraram muitas fotos do meu gordinho.

Apesar de ter ido para a sala de recuperação às 23h, somente saí de lá às 04h30 da manhã, quando a anestesia passou por completo. Às 06h30, segurei pela primeira vez o meu príncipe Gabriel.

Diário de uma gestante

Consultora Amiga: Alexandra Biazon Galeazzi
Dicas, críticas e sugestões!

Episódio: o hospital e a volta para casa

 



O sábado foi um dia de espera pela visitas, estávamos muito felizes e nosso Gabriel estava ali, ao nosso lado, dormindo como anjo. Ainda não tinha conseguido amamentá-lo, mas as enfermeiras me diziam que era normal ele não ter fome, porque os recém-nascidos têm uma reserva alimentar de 24 horas. Não demorou muito e os avós começaram a chegar, depois vieram os tios e nossos amigos. Foi um dia maravilhoso e cheio de emoção para nós, nossas famílias e amigos. Foi muito legal vê-los emocionados em conhecer o nosso bebê.


Senti-me muito bem, apesar da dor da cesariana e conversei com todos até o último horário das visitas. O único incômodo foi não conseguir urinar depois que tiraram a sonda, mas depois de muito tempo sentadinha lendo uma revista e com a torneira ligada, finalmente, consegui. Segundo a enfermeira – ótima fonte de informação -  isto é normal e acontece com 80% das mulheres. É muito bom ter uma família grande e muitos amigos. A avó do meu marido era só alegria ao segurar mais um bisneto, e nós, só emoção. A cada nova visita uma nova surpresa, pessoas que não víamos há muito tempo, vieram nos ver ou nos ligaram. Os de longe e os de perto participando e dividindo essa alegria conosco.

A menos que a mãe ou o bebê não estejam bem, a visita é muito boa sim. Nós, pais, ficamos ansiosos à espera de todos. Ficar no hospital com um bebê-anjo, que não chora e não dá trabalho acaba sendo cansativo. Quanto mais visita melhor. Pelo menos no meu caso que adoro minha família e meus amigos. Depois que as visitas foram embora, ficamos apenas eu, o Gabriel e o Junior, meu marido. Relaxei e tentei amamentá-lo. Nada, ele não abria a boca, e quando abria, sugava um pouquinho e dormia. Pedimos para a superenfermeira dar leite materno para ele no berçário e esperar pelo outro dia.

No domingo, novas tentativas e nada. Almoçamos e as visitas não vieram, a tarde foi passando e somente minha mãe e minha sogra e meu sogro vieram. No final da tarde, um amigo do trabalho do Junior veio com a esposa. Às 20h bateram à porta, qual não foi minha surpresa quando vejo minha amiga Ana Paula, que também tem um Gabriel, na época com 1 ano e 6 meses, o maridos e as enteadas chegando para nos visitar. Fiquei muito feliz, pois tínhamos passado o dia contando as horas. O Gabriel continuava o mesmo, só dormindo e nada de mamar. Eles ficaram até o final do horário de visita e, então, fui tentar amamentar novamente.

Àquela hora, a tal reserva alimentar havia acabado e o Gabriel começou a chorar, mas fiquei horas tentando fazê-lo mamar. Tiramos a roupinha dele, chamamos a enfermeira, coloquei bico de silicone e ele, nem aí. Isso foi até às 4h da manhã quando a enfermeira o levou para o berçário para que eu pudesse descansar. A esta hora eu já havia chorado, rezado e feito tudo que tinha ouvido falar para que ele mamasse, mas não houve jeito. O meu único consolo é que na segunda-feira iríamos para casa. Pela manhã minha sogra veio ficar comigo e me ajudar a arrumar as coisas para irmos embora. Deixamos tudo certo, a obstetra do hospital, o diretor do hospital e a pediatra passaram para saber se estava tudo bem e me darem alta.

Antes de irmos, o Gabriel tomou suas primeiras vacinas. Uma senhorinha com cara de vó e com todo carinho do mundo disse, que daria picadinhas de amor nele. Uma graça de pessoa. O Gabriel chorou na primeira e ela o pegou no colo e fez carinho até que ele se acalmasse. Na segunda vez, a mesma coisa, apesar da dor no coração de vê-lo tomando as vacinas, me senti tranqüila com tranqüilidade e experiência daquela vovozinha de tantos bebês. Fomos filmados, fotografados e, finalmente, entramos no carro para irmos embora com o Gabriel, é claro, na cadeirinha como um rei.

Cheguei em casa e respirei aliviada. Por melhor que seja o hospital eo atendimento, não tem lugar melhor que a nossa casa, como disse a Doroty em “O Mágico de Oz”. A primeira coisa que fiz foi tirar toda a roupa do Gabriel e dar um banho bem gostoso nele para tirar aquela “coisa” de hospital. Ele chorou o tempo todo, era inverno e além do medo que os bebês têm na hora do banho, estava frio. Porém, o dia estava ensolarado, o apartamento limpo e claro, tudo parecia mais bonito lá dentro, mesmo faltando ainda muita coisa para terminarmos. Naquele dia, começou a minha sina de tirar leite com a  bombinha e amamentá-lo com a mamadeira. Tinha de ser assim, senão ele não mamava.

Não tive medo de dar banho, nem de cuidar do umbigo. Parecia que tinha feito isto a vida inteira. Acho que os anos brincando de boneca e observando a minha avó cuidando dos meus primos, filhos de vizinhos e amigos me serviram de escola. Agora, eu tinha um “boneco” de verdade que precisava, acima de qualquer coisa, de muito amor, e isto nós temos de sobra para dar a ele.

 

 



 

 

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