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Cuidados Especiais

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dicas, críticas ou sugestões!

Presentes aguardados com ansiedade

A relações públicas Renata PR. , que prefere não revelar seu sobrenome, mora em São Paulo e está desempregada por conta dos tratamentos. Ela afirma que as frases mais odiadas por quem está tentando engravidar são 'vocês ainda são novos', 'relaxe que a gravidez acontece'. "Nossa família acha que ainda é muito cedo para nós partirmos para tratamentos de infertilidade. Mas respeitam nossa vontade e estão sempre por perto, principalmente meus pais que inclusive nos ajudam financeiramente", declara.

A história da Renata é atual, realista e factual. Pode acontecer comigo, com você e com todas as mulheres até os quarenta e cinco anos de idade, que batalham muito e sofrem com as alterações da humanidade - alimentação, mudanças climáticas, hormonais, dificuldades nos relacionamentos, expectativas consumistas pelo padrão de vida idealizado e por aí vai.

- "O Vinícius e eu nos conhecemos através de amigos em comum no Carnaval de 2.001 e começamos a namorar na mesma hora. Namoramos um ano e três meses e ficamos noivos. Na mesma época começamos os preparativos pro casamento, igreja, convites, coral, festa... Em 27 de setembro de 2003 nos casamos. Eu, com 28 anos e ele com 26. Foi um dia mágico. Seguimos em lua-de-mel para Porto Seguro. Na volta eu que estava desempregada, arrumei um emprego e juntos terminamos nosso apartamento.

Com emprego novo, nem pensávamos em ter filhos e nos preveníamos com anticoncepcional e preservativo. Também queríamos curtir essa fase de descobertas de um casamento e os filhos viriam depois de uns 2 anos...Porém, quando fizemos um ano de casados, resolvemos parar com os métodos anticoncepcionais e deixar acontecer...1, 2, 3, 6 meses e nada.... Até que minha irmã mais nova engravidou e apesar da felicidade de ser tia, confesso que me bateu uma tristeza enorme de não ser eu, afinal eu sim estava tentando, e ela nem cogitava a idéia, tinha SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos), fazia tratamento com anticoncepcional, enfim, tocamos a vida na tentativa de sermos pais.

E o mundo a nossa volta engravidava em progressão geométrica. Minha prima mais próxima também descobria que estava grávida. Minha médica disse que só começaríamos a investigar uma possível infertilidade depois de dois anos de tentativas, mas eu não concordei, afinal eu estava com 30 anos e um medo enorme de não ser mãe. Foi aí que comecei a pesquisar sobre o assunto e encontrei um fórum de discussão na Internet, onde descobri a Fundação ABC, que disponibilizava tratamentos a baixos custos. E, nesta época eu estava de novo desempregada.

Recorremos à Fundação em maio de 2005, fizemos vários exames que nada diagnosticaram, ou seja, somos perfeitamente normais. E todos a nossa volta engravidavam ou estavam tendo seus bebês. Iniciamos com as relações programadas com acompanhamento da ovulação. Foram três tentativas fracassadas. Nesse meio tempo nasceu a Ana Beatriz, minha sobrinha tão amada, e dois dias depois o Enzo, fiho da minha prima.

Partimos para Inseminação Artificial - uma em outubro e outra em novembro do ano passado, mais exames Beta com resultados negativos se acumulando. Mais mulheres engravidando a minha volta, chás-de-bebê, batizados, visitas a maternidades. Como dói você não ter a resposta pra uma simples pergunta: "Por que não eu?"

Completei 31 anos em dezembro de 2005, veio o Natal e nós no meio de uma família feliz com seus novos integrantes, e uma vontade enorme de sumir. Em janeiro, mais uma tentativa de Inseminação. O processo é relativamente simples: indução de ovulação com medicamento e acompanhamento com ultra-som, no dia da ovulação o marido colhe o sêmen que é tratado no laboratório e com um cateter os melhores espermatozóides são introduzidos no fundo do útero pra facilitar a chegada às trompas... Mas essa tentativa também não deu certo. Decidimos com a médica que partiríamos para uma (FIV) Fertilização In Vitro, mas tive um desequilíbrio hormonal e fiquei quase um mês sem menstruar.

Em março, começamos nossa FIV, certos de que agora sim engravidaríamos, afinal eu sei de casos de mulheres que engravidaram na primeira. E lá fomos nós. Nada me desanimava, nem as duas injeções diárias de hormônios pra induzir a ovulação, os ultra-sons. Transferimos dois embriões com excelente qualidade e agora só nos restava esperar pelos 14 dias pra fazer o BHCG.Muito repouso, cuidados e mais um beta negativo. Uma semana depois, uma amiga minha pegava o seu positivo. Fizemos a FIV na mesma época. Novamente a mesma pergunta: "Por que não eu?"

Ainda não conseguimos engravidar. Mudamos de clínica. Este mês iniciaríamos mais uma FIV, mas apareceu um cisto e estou bloqueando meus hormônios com anticoncepcional. Se tudo der certo no começo de junho faremos a FIV. Desde setembro do ano passado decidimos que eu ficaria fora do mercado de trabalho porque não dá pra conciliar trabalho com esse tipo de tratamento em que você precisa se ausentar muito.

O Vinícius está levando tudo sozinho. Ele foi um presente que Deus me deu com certeza! É um marido e tanto. Tem encarado isso com muita fé, otimismo, nunca deixou transparecer tristeza.. Ele ainda é jovem, está completando 29 anos e tem todo o tempo do mundo pra ser pai. É o meu relógio biológico que não pára de correr, esse ano faço 32 anos e é sabido que a partir dos 35, as taxas de sucesso de gravidez caem drasticamente.

No final do ano passado fui diagnosticada com depressão, mas existe muito preconceito em relação a essa doença e prefiro me manter calada e ocultar isso das pessoas, me afastei um pouco dos amigos porque sempre tem uma grávida no meio, falando e fazendo mil planos, e ela tem esse direito. Não é inveja nossa ou egoísmo, é uma forma de autopreservação do pouco do lado emocional que nos resta. Continuo esperando pela minha hora, fazendo tudo o que está ao nosso alcance. Inclusive, ajudando e dando forças às mulheres que passam pelo mesmo que eu.

Em fevereiro deste ano, demos entrada à adoção. Queremos nosso filho, venha ele de onde vier será muito amado e com certeza já é muito desejado. Vamos ter um adotivo mesmo tendo nosso biológico... Crescemos em famílias com primos e irmãos adotivos e isso é comum pra gente...

Triste mesmo é a espera, a burocracia. Quero voltar a trabalhar o mais rápido possível, pois sinto muita falta e temos metas. Pretendemos nos mudar para uma casa em dois anos. Viajar para o exterior, coisas que qualquer casal almeja".

Renata PR. - São Paulo - 2006

Até o fechamento desta matéria, Renata ainda não havia engravidado, mas assim que ela tiver alguma novidade, vai informar suas amigas de Clube. Ela nos contou também que, enquanto alguns lugares cobram R$ 2 mil por uma fertilização in vitro , em clínicas de renome o investimento chega aos R$ 40 mil.

 

 

 

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