|

Filippo Pedrinola (CRM 62.253) é médico endocrinologista com graduação e pós-graduação na Faculdade de Medicina da USP, membro da New York Accademy of Science, do College of Physicans American Thyroid Association, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO).
csfp@estadao.com.br
|

|
Beleza
Consultor Amigo:
Filippo Pedrinola
Dicas, críticas ou sugestões!
Será que é tireóide?
Apesar de pequena, a glândula tireóide, localizada na região anterior ao pescoço, pode causar diversos males à saúde, como alteração no metabolismo, aumento ou perda de peso e interferência no humor, no sono e até no ciclo menstrual. Entre as doenças mais comuns, encontram-se o hipertireoidismo, hipotireoidismo e o câncer.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), 60% da população adulta apresenta nódulos na tireóide, entretanto, o tumor maligno – o oitavo tipo de câncer mais comum no Brasil - corresponde apenas a 5% dos casos.
A tireóide é capaz de tudo isso através da produção de seus hormônios, conhecidos como T3 e T4, mensageiros químicos que viajam pelo sangue e atingem todas as partes do corpo. A glândula funciona como um ar-condicionado com termostato, isto é, a hipófise comunica à tireóide, por meio do hormônio TSH, quando ela deve trabalhar mais ou menos. Significa que, se houver hormônio tireoideano suficiente na corrente sangüínea, ela pára. Caso contrário, ela reinicia a produção.
Esta variação, que atinge cerca de 20 milhões de americanos, pode resultar, por exemplo, no hipertireoidismo, um excesso de produção do hormônio que estimula o metabolismo a usar mais energia. Ele é quase dez vezes mais freqüente em mulheres e é causado por uma alteração no sistema imunológico. Os sintomas mais comuns são taquicardias, nervosismo, tremores, insônia, alterações menstruais e, eventualmente, os pacientes podem ficar com os olhos “saltados”, além de levar à perda de peso.
Já no caso do hipotireoidismo - a falta de hormônio -, ocorre o inverso. O metabolismo fica lento e a pessoa sente-se cansada, com frio, memória fraca e facilidade em ganhar peso. O último sintoma, o ganho de peso, passou a ser muito utilizado para tentar justificar a obesidade. Estatisticamente, no entanto, sabemos que em menos de 5% dos casos a glândula apresenta mal funcionamento nos gordinhos, o que significa que o problema passou também a ser utilizado como desculpa para os maus hábitos alimentares e o sedentarismo.
A evolução de problemas graves na tireóide pode levar também o paciente a desenvolver o câncer. Só no Brasil, são registrados cerca de 25 mil novos casos por ano. Um estudo realizado pelo Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pelo Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro sobre “A incidência e mortalidade por câncer de tireóide no Brasil” mostra que a doença é três vezes mais comum entre as mulheres. A cada grupo de 100 mil pacientes do sexo feminino, 18 desenvolvem o câncer. Em São Paulo, a cidade com a maior taxa de incidência, a doença triplicou em vinte anos.
Os especialistas acreditam que a exposição à radiação nas regiões da cabeça e do pescoço, o histórico de bócio (aumento do tamanho) e de nódulos tireoidianos e a hereditariedade estão diretamente ligados ao desenvolvimento do câncer de tireóide. Além disso, a ingestão de iodo, o tabagismo, o consumo de álcool e problemas menstruais e reprodutivos também são apontados como importantes fatores.
Mas, apesar de cada vez mais comuns, é importante destacar que 90% dos casos são benignos, portanto, não é preciso entrar em desespero caso o médico faça um diagnóstico positivo. Na maioria das vezes, ele é curável.
|
|
Dúvidas sobre assuntos ligados às dietas, alimentação, emagrecimento,
nutrição e saúde?
Pergunte ao Dr. Filippo Pedrinola
|