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Bolzano - Itália

Diário de Bordo

A nossa chefe de redação Mônica Luz relata os principais
acontecimentos da sua segunda Lua-de-Mel na Itália
Dicas, críticas e sugestões!


Capítulo 5:
Cidades que também parlam “Deutsch”



Vitrine de um cinema em Bolzano. Há cartazes de filmes em alemão e em italiano.


Saímos de Bologna e pegamos a estrada rumo ao Norte. Nosso destino: Trento. Depois de andarmos por entre inúmeras montanhas que escondiam os Alpes (eles ficam atrás delas) e babarmos com a paisagem, chegamos à cidade. Pacata e organizada, ela já se apresentou diferente por um motivo: havia muitos loiros, de olhos azuis, com cara de alemães – e falando alemão! Uma breve caminhada pelos arredores do hotel e ficamos bobos com a beleza do lugar. Sabe, tive a sensação de que quem mora lá não sabe onde mora, o quão lindo é tudo aquilo. Você acorda, abre a janela e vê uma montanha com o topo branquinho. As casas e os prédios, que não têm mais do que cinco andares, e as igrejas (não posso deixar de mencioná-las porque elas são uma constante em toda a Itália) parecem ter sido construídos em lugares predeterminados, para não comprometer a beleza da paisagem. Não dá para explicar direito, mas é muuuito bonito mesmo.


Mais à tarde, fomos ao centro à pé. Na praça central (Duomo), além de me deparar com a igreja e com uma escultura (isso é básico aqui!), havia um carrossel e uma banca de doces. Foi delicioso ver as criancinhas (que pareciam bonequinhos de neve de tão gordinhas que ficavam com o amontoado de casacos e blusas que usavam) brincarem nos cavalos e poder, ao mesmo tempo, comer um algodão-doce (quando vi que na barraca de doces tinha, quase saí correndo, de tanta vontade que me deu). Sabe, acho que o mais gostoso em uma viagem é poder fazer essas pequenas coisas: tomar um chocolate quente (ou comer um doce) na praça, ficar sentada, apenas olhando as pessoas, caminhar pelas ruas, ver o modo de viver daquele povo e tentar, pelo menos por alguns minutos, se incluir nisso tudo. Para mim, são essas situações que valem mais, bem mais do que conhecer um museu que todo mundo diz que tem de ser visto. Claro, os pontos turísticos têm de ser visitados mesmo, mas não deixe de fazer as pequenas e boas coisas da vida.


À noite, fomos a um restaurante aconchegante – mas nada de luxuoso – e nos fartamos, eu com uma bela massa e o Fabio com um prato de pizza (ah, aqui não se vende pedaços de pizza. Você pede uma pizza e ela é feita do tamanho do prato, só para você).


Mais alemão do que nunca


No dia seguinte, pegamos o trem e nos dirigimos para Bolzano. Para falar bem a verdade, se, em Trento, já achei o povo diferente, em Bolzano tive certeza de que não estava na Itália, embora estivesse. Tudo, absolutamente tudo, na cidade aparece em duas línguas, italiano e alemão, não necessariamente nesta ordem: as placas das ruas, das lojas, os letreiros dos ônibus... 


Isso se explica pelo fato de a cidade, assim como Trento, ter pertencido à vizinha Áustria até antes da Primeira Guerra Mundial. Depois, os austríacos acabaram perdendo as terras para os italianos. Dizem por aqui que, até hoje, eles não gostam muito da idéia. Mas, cá entre nós, quem é que ia gostar?

 
Como Bolzano fica mais próxima do país e quem vive lá são filhos e netos dos austríacos, só se ouve alemão. Para você ter uma idéia: imagine o que eu almocei? Claro, salsicha! A dona da barraquinha (eu estava no meio de uma feira livre) falava alemão e italiano – mais a primeira do que a segunda língua, até porque estava, literalmente, na cara dela que sua família não tinha antecedentes “carcamanos”. O mais engraçado, para mim, nem foi isso, mas o fato de o hot dog ser servido da seguinte maneira: ela dá um pedaço de papel manteiga, que todos colocam sobre o pequeno balcão da barraca. Então, entrega uma salsicha enorme, o pão – separadamente! – e põe, com uma colher, um pouco de maionese, catchup e mostarda sobre o papel. Para comer o lanche, você pega a salsicha com a mão, “molha” no catchup, por exemplo, e mastiga. Então, coloca um pedaço de pão na boca. Engraçadíssimo e muito bom!


Bolzano, assim como Trento, é muito bonita, embora menor. Conhecemos tudo até umas 16 horas e voltamos. Mais uma vez, jantamos naquele restaurante delicioso e fomos dormir. No dia seguinte, iríamos para as montanhas, a uma estação de esqui.

Arrivederci!



 

Mônica Luz em estação de esqui, na região de Bondone, Trento, Itália.

A praia dos italianos


10 horas da manhã e lá estávamos nós, andando pelo tortuoso caminho rumo ao Monte Bondone, uma das principais estações de esqui da região. Na primeira parada, já não queria sair mais. Foi o máximo ver crianças, adolescentes, homens e mulheres esquiando. Tinha desde gente que pulava e esquiava muuuuuuito bem (inclusive crianças) até os iniciantes, que seguiam as coordenadas dos professores, que iam na frente.


Quando via aquelas pessoinhas de cinco ou seis anos descendo a montanha com tamanha velocidade, achava que era simples esquiar, que qualquer um conseguiria facilmente. Mas, logo em seguida, ao ver os iniciantes, tinha certeza de que, para ser uma iniciante, eu precisaria de meses de treino – rsrsrsrsrs... De qualquer forma, a vontade de colocar um par de esquis nos pés é enorme quando se está em uma estação como aquela. Mas não foi desta vez. Não havia tempo para isso. Quem sabe numa próxima visita eu me aventure neste passeio que, para os italianos, não passa de um passeio divertido, como ir à praia no Brasil. E que praia é esta a deles!  O único frio, ali, é o que dá na barriga, porque a adrenalina se encarrega de aquecer o corpo, mesmo de quem está do “lado” de fora da pista, apenas apreciando, como eu.

 

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