|

Casa onde nasceu Mussolini
|

|
Diário de Bordo
A nossa chefe de redação Mônica Luz relata os principais
acontecimentos da sua segunda Lua-de-Mel na Itália
Dicas, críticas e sugestões!
Capítulo 4: Um tour por cidades pouco visitadas, mas cheias de graça

Parma, onde tudo fecha às 12h30 |
"Foi em Parma que pude ver realmente como vivem os italianos. Como era domingo, por volta das 12h30 tudo fechou, para só voltarem a abrir suas portas às 15h"
|
Roma ficou para trás. O nosso destino seguinte foi Bologna, na região da Emilia Romagna. Após cerca de quatro horas de estrada, finalmente chegamos ao hotel, porém, o horário e o cansaço só nos permitiram uma pequena volta pelos arredores. No dia seguinte, conheceríamos a cidade, mas só à tarde. De manhã, iríamos para Predappio. Você deve estar se perguntando o que há de bom em Predappio? Explico: lá nasceu e está enterrado Benito Mussolini. Pela figura que foi e pelo papel que teve, vale uma visita. Nada que dure mais do que meio dia. E foi isso o que durou para a gente.
De volta à Bologna, nos dirigimos ao centro, de táxi. Isso porque o hotel em que nos hospedamos não ficava próximo da cidade, o que prejudicou bastante. Por isso, sempre se atente a este detalhe. Só se dirija aos estabelecimentos fora de onde realmente acontecem as coisas se houver meios práticos e rápidos de chegar lá, como metrô ou pequenos ônibus oferecidos pelo próprio hotel. Senão, o barato acaba saindo caro, como ocorreu com a gente.
Em Bologna, o que mais me chamou a atenção não foram as famosas Duas Torres ou a praça Duomo, mas a miscigenação do povo. Em nenhuma outra cidade, vi tantas pessoas de nacionalidades distintas. É claro que em Roma, Milão e em outras metrópoles isso acontece, mas é diferente. Nesses lugares, a impressão que tenho é a de que os imigrantes são apenas turistas, que vêm e vão. Em Bologna, não. Eles vão e ficam, morando lá.
Dia 18 de fevereiro. Pegamos o trem, na estação de Bologna, e fomos à Parma, a cidade onde é produzido o presunto que leva seu nome. Uma horinha de viagem! Aliás, uma viagem deliciosa, diferente para nós, brasileiras, que não estamos habituadas com isso, e, acima de tudo, barata. O ingresso para duas pessoas saiu 9,40 euros. Pequena, organizada e muito bonitinha, Parma deixou bem claro para mim como vivem os italianos. Como era domingo, por volta das 12h30 tudo fechou (as poucas lojas que estavam abertas e, inclusive, as igrejas), para só voltarem a abrir suas portas às 15h. Neste período, a única coisa que eu e o Fabio fizemos foi andar, andar e andar, não só pelos locais turísticos, como pelas vielas estreitas – tão características da Itália. Obviamente que, às 14 h, já tínhamos visto tudo. Então, decidimos sentar um pouco em uma praça, apreciar a paisagem que tinha, no máximo, duas pessoas além de nós, e aguardar. Cheguei a pensar que Parma era triste demais...
Mas a minha primeira impressão não ficou. Às 15 horas, tudo mudou. As ruas ficaram cheias de pessoas, de famílias inteiras, que começaram a passear. Parma era outra! E foi então que caiu a minha ficha e que me lembrei do que um amigo me disse quando ainda estava na faculdade: “Em qualquer lugar que vamos, precisamos respeitar a cultura de quem vive lá”. Na época, achei a frase um tanto óbvia, mas, em Parma, vi que ela não tem nada de óbvia. As pessoas só saíram de suas casas depois de almoçar, arrumar a casa e descansar. Daí, então, passaram a dedicar o tempo que tinham para curtir os filhos, o marido, o namorado, enfim, quem quisessem. Percebi que estava achando a cidade triste e até chata porque só pensava no meu interesse, no me jeito de viver, e não no deles. Tudo ficou tão bacana depois, que acabamos pegando um trem bem mais tarde do que imaginávamos para voltar para Bologna e passar nossa última noite lá.
Arrivederci!
|
|

A cripta onde está enterrado Mussolini, assim
como sua esposa e quatro dos seus cinco filhos
|