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Foro Romano, Roma, Itália

Diário de Bordo

A nossa chefe de redação Mônica Luz relata os principais
acontecimentos da sua segunda Lua-de-Mel na Itália
Dicas, críticas e sugestões!


Capítulo 3:
Roma...Indescretível!

Mônica Luz em frente ao Coliseu

 

 

"Lugares como o Coliseu mexem com a gente, nos fazem pensar e repensar na vida, no nosso passado, no nosso futuro"


É, no mínimo, muito difícil explicar o que a capital italiana tem a oferecer a quem a visita. Isso porque, na minha opinião, os atrativos não são meramente atrativos. Coliseu, Pietà, Capela Sistina, Piazza Navona, Piazza Spagna, Foro Romano não são apenas uma lembrança da nossa história. Eles mexem com a gente, nos fazem pensar e repensar na vida, no nosso passado, no nosso futuro.

Por mais que os livros da escola já tenham mostrado inúmeras fotos e explicado o que cada canto de Roma representa, e por mais que conheçamos a “cara” de cada um, vislumbrá-los pessoalmente não é a mesma coisa. É impressionante como dar de cara com o Coliseu é emocionante.
Os olhos chegam a ficar cheios de lágrimas. A história, nua e crua, está ali, ao alcance das suas mãos. Pode parecer bobagem, mas tudo o que já tinha lido e ouvido a respeito estava correndo nas minhas veias. É estranho, mas é mais ou menos isso o que senti.

Aliás, os meus sentimentos foram intensos em todos os lugares desta cidade única. Porém, em cada um deles, a sensação foi diferente. Na famosa Piazza Navona, onde encontra-se a embaixada brasileira, mais do que me encantar com a beleza das construções, fiquei fascinada com a poesia que parte dos artistas anônimos, que tocam violino, sanfona, que vendem suas obras-primas, sejam elas pinturas, caricaturas... Um lugar doce e muito romântico!

O Vaticano, em contrapartida, me causou um certo espanto, me fez pensar muito. A Basílica San Pietro é grandiosa, pomposa e linda (na minha opinião, mais bonita por fora do que por dentro). Porém é em seu interior que está uma das obras que, acredito eu, seja a mais marcante e expressiva que existe. Pietà é maravilhosa, única. Ficaria ali, em frente ao vidro que a separa do público, horas e horas, olhando cada detalhe, tentando entender como Michelangelo conseguiu ter tamanha sensibilidade e habilidade para elaborar algo tão especial. Ele, certamente, também ficou entusiasmado com o resultado, tanto que este é o seu único trabalho assinado. Vale deixar claro que o Vaticano não fica em Roma. Ele é um país dentro da Itália, mas, como fica em meio à capital e todos partem dela para chegar a ele, resolvi inclui-lo nesta história.

Agora, a principal responsável pelo meu “espanto” foi, sem dúvida alguma, a Capela Sistina. Depois de ficar 50 minutos em uma fila imensa que circundava o Museu do Vaticano, pagar 13 euros e percorrer um longo caminho até “encontrá-la”, fiquei pasma à primeira vista. Na segunda, na terceira, na quarta, então, nem se fala. Quanto mais olhava e analisava cada traço dado por Michelangelo, me perguntava: como? Como? Como ele conseguiu ser tão preciso, novamente tão sensível, tão artista? Não um artista comum, porque, certamente, isto ele não era. E fiquei me questionando, diante daquilo: quem sou eu? O que fiz de bom? O que faço para mudar ou, pelo menos, marcar alguma coisa? Que papel tenho nesta vida?

Na hora, me lembrei de algumas aulas de história que tive, em que meu professor explicava que as igrejas, por exemplo, foram construídas de forma a fazer com que nos sentíssemos inferiorizados diante de sua imponência. Enormes, suntuosas e escuras, geralmente, tinham luz natural apenas na região do altar. Era uma metáfora: a religião iluminaria a nossa vida (elas são assim mesmo aqui!). Não era uma igreja, mas a sensação era de inferioridade. Não quero colocar isto de uma maneira pejorativa ou negativa, até porque os questionamentos sobre nós mesmos são bons e conseguir fazer com as pessoas se questionem não é para qualquer um. Prós e contras deixados de lado, a Capela Sistina tem esse poder e, por isso, merece ser vista, analisada. Certamente, quando você der as costas para ela, não será mais a mesma. Alguma coisa mudou em mim. Lá e nos outros cantos de Roma. Mas não sei explicar o quê, nem o porquê. É ver, sentir e deixar-se levar.

Arrivederci!



 

A Pietà de Michelangelo

 

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