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"Se Piorar Estraga"

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“Tô de saco cheio”, em uma versão beeeem mais polêmica

Fotos: divulgação

Tudo começou quando o barulho de uma festinha realizada no apartamento da atriz Cris Nicolotti, em São Paulo, fez um vizinho incomodado, muito irritado, abrir a janela e “mandar” um sonoro “Vai tomar no cu!”. O marido de Cris, o músico Cacá Bloise, não perdeu o bom humor e começou a dedilhar no violão aquela bela frase. No embalo, Cris emendou a canção e, assim, os dois formaram a música que é composta por essas quatro palavras do início ao fim. A brincadeira acabou virando MP3.

Quando Cris enviou o arquivo para um amigo, por e-mail, jamais imaginou a proporção que isso iria tomar. Uma semana depois, começaram a surgir diversas versões da trilha sonora em videoclipes no You Tube – e o melhor é que este amigo jura de pé junto que não foi ele quem fez a divulgação. “Eu nem sabia o que era o You Tube até isso começar. Foi uma coisa inesperada que caiu sem querer na rede e acabou tomando uma proporção imensa”, comenta a atriz.

A partir de então, Cris decidiu colocar, na rede (http://www.youtube.com/watch?v=dHpSCHxb780), a versão “original” do vídeo, em que usa uma peruca e um figurino bizarros. “A música está fazendo esse grande sucesso por vários motivos. Primeiro porque ela é harmônica e tem um bom arranjo. Segundo porque foi a palavra certa na hora certa. Terceiro porque eu canto a canção de um modo doce e romântico, como se fosse a coisa mais pura do mundo. Mas o principal é porque é o que todos querem dizer, mas ninguém tem coragem. Não encaro a palavra cu como um palavrão, mas como expressões do tipo ‘Vai pro inferno’, ‘Sai da minha vida’, ‘Tô de saco cheio’, só que de uma forma mais forte. Quem nunca teve vontade de mandar alguém tomar no cu?”, questiona a atriz, em meio a muitas risadas.

Realmente, este desejo deve ser de muitos, porque Cris Nicolotti acaba de assinar um contrato com a gravadora Som Livre. O CD, com quatro faixas – a versão original e três remixes (funk, dance e hip-hop) – estará à venda já no final deste mês e contará com um preço acessível, em torno dos R$ 5,00.

Muito além da música

Porém, se a idéia é não ficar restrita à música e curtir o bom humor peculiar de Cris Nicolotti ao vivo, basta ir ao Teatro Frei Caneca, em São Paulo. Ela está em cartaz com a peça “Se Piorar Estraga”, um monólogo escrito e protagonizado por ela mesma, que conta com sete personagens, todos representados por Roberléia, no divã de seu psicanalista.

Ao se passar pela vendedora de televendas, em que descobre a verdade sobre os produtos que é obrigada a vender, Roberléia surta e manda o dono do programa tomar no cu. É aí que ela percebe que mandar tomar cu muda tudo, que a pessoa se liberta para seguir outros caminhos. Então, cria a culosofia como doutrina, torna-se uma palestrante mundialmente reconhecida, pregando o “cusistencialismo” e, no final, diante de tanto sucesso, lança um musical, baseado no “Vai tomar no cu”. “Quando escrevi o monólogo, lembrei desta brincadeira que havia acontecido há um tempo e achei que ela tinha tudo a ver com o script e que era a hora de incluir a música na peça”, afirma Cris.

Com direção de Fafy Siqueira e direção musical de Cacá Bloise, a peça fica em cartaz em São Paulo até setembro e, depois, começa a viajar pelo Brasil. “É a primeira vez que eu realizo um monólogo. No começo, fiquei com um pouco de receio, pois sou só eu no palco. É uma responsabilidade muito grande, em que eu não posso falhar. Mas tudo deu certo. O melhor é que cada público é um público e reage de formas diferentes, mas sempre positivas, o que me dá mais força na hora em que subo no palco. Enfim, é um espetáculo de puro entretenimento e diversão. É ir para rir do começo ao fim”, entusiasma-se.

Totalmente voltada para o espetáculo, Cris continua ensaiando, viajando muito e diz que não tem tempo de pensar em outras coisas neste momento. “Não me sinto realizada e, sim, muito feliz por estar fazendo um trabalho bem sucedido. O que eu estou recebendo em troca é o sucesso, e o retorno das pessoas e da mídia em geral está mostrando quem realmente eu sou, tirando aquela imagem de televendedora, na qual sempre fui vista”, diz a atriz, que ficou conhecida pelo público por ter trabalhado durante 10 anos no programa de tevê Shop Tour. E ela faz questão de mandar um recado final: “Em um momento em que o mundo vive diversas situações ruins e eu não tenho muito a oferecer, o que eu posso fazer para tentar melhorar as coisas é fazer as pessoas rirem um pouco. É dessa forma que estou me sentindo útil”.

 

 

 

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