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Comportamento Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dura e pura realidade
Dizem as más línguas masculinas que as mulheres não sabem o que é amizade verdadeira. Eu discordo, pois se trata de mais um assunto polêmico que vivenciamos de forma diferente da dos homens, do nosso jeito misterioso para eles. Enquanto a fidelidade e a cumplicidade deles se assemelham as das relações que eles também desenvolvem com o mundo canino - mesmo tomando chineladas e ouvindo umas verdades na cara, eles continuam amigos, - nós somos um pouco mais complexas. Para ser amiga, por exemplo, somos mais exigentes. É difícil conhecermos alguém em um chopinho e já nos tornarmos íntimas, ou, a acharmos “um puta cara”. Primeiro, analisamos a recém-chegada dos pés à cabeça, principalmente em uma época em que todas reparam em sapatos e acessórios. Depois, as mais enxutas olham as medidas de quadril, busto e calculam os quilos a mais. Precisa ser muito “zen” para não reparar nessas coisas e não cair nas tentações das comparações pelos estereótipos inatingíveis. E no caso de ser uma beldade, a coitada terá que se esforçar em dobro e ganhar pontuação máxima no quesito simpatia. Passada a primeira fase, a da conquista e do estudo das afinidades, que leva meses, a amizade finalmente vinga e uma acaba metendo o bedelho na vida da outra, e isso, como em qualquer relação, gera desentendimentos, principalmente quando um dos lados casou ou tem filhos. Somos extremamente invasivas, o que não acontece com os homens que preferem guardar os segredos mais íntimos, por isso, alguns maridos ou namorados sentem aquele desconforto quando não apreciam tanto assim uma amiga sua. Eles sabem que você pode contar alguma coisa ‘bem-cabeluda’ sobre ele depois de uma briga. Sobre este mesmo assunto, o das amizades construídas em uma turma de amigas antes solteiras durarem após o casamento de algumas, tirando a cara feia dos maridos, é comum uma mudança de perfil do grupo. Isso acontece pela divisão das águas das afinidades, sintonias e metas em comum: as solteiras se tornam 'unha e carne' - até encontrarem seus caminhos, e as casadas formam um time à parte, afinal, os assuntos sobre marido, filhos, contas e rotinas domésticas são um pouco entediantes para quem não está no mesmo pique. Neste caso, a cumplicidade é dividida pelos iguais, então, o afastamento é natural e não tem nada de anormal. Coisas da vida. Entre as maiores diferenças entre as amizades masculina e feminina está a poligamia. Os homens têm vários amigos de personalidades, tamanhos e formatos variados e os respeitam do jeito que são. Eles têm um amigo especial para a corrida de final de semana, outro para o futebol, um terceiro para discutir assuntos financeiros, aquele que gosta de cinema e o indispensável para rir das suas manias. E com cada um desenvolve uma amizade sem cobranças, porém de intensidade e periodicidade diferentes. Por outro lado, nós mulheres, deixamos nossos sentimentos virem à tona nos relacionamentos com as amigas. Quem é possessiva, ciumenta ou a eterna cobradora vai agir dessa forma com as mais íntimas. O mesmo acontece com as invejosas, as de coração bom e as de carne fraca, que não perdoam o homem da amiga. As mais desligadas e ausentes também repetirão o comportamento. Somos verdadeiras com as realmente amigas, desmistificando a idéia de que somos eternas concorrentes e precisamos aparentar estar bem 24 horas por dia. Sinceramente, se ligo para alguém ou durante uma conversa ‘olho no olho’ não ocorre um minuto de desabafo, penso duas vezes se aquela ali é realmente minha amiga. Amiga de verdade não vive de aparências. Tem ainda a eterna melhor amiga. Ela acredita que para ser amiga precisa ser única e exclusiva na vida da outra. Para isso, escolhe uma amiga em questão e foca todas as suas expectativas nela. É uma amizade platônica misturada à obsessão. Aquela pessoa tem que ser a 'mais' amiga dela, não pode sorrir muito para o lado ou desabafar sem ela saber o assunto, não pode ficar muito tempo longe, enfim, precisa ser 'sua'. É o tipo da amizade infantil e adolescente, que não deixa a pessoa enxergar a si mesma, o indivíduo ao seu lado e a relação de amizade que existe. É uma coisa meio doentia, meio vampiresca. Com a falta de tempo, a ode ao individualismo e os afastamentos provocados pela solidão, as amizades estão menos intensas, embora eu nunca tenha acreditado que as do tipo grude sobrevivam. Acontece, que depois dos trinta e poucos, ficamos mais caladas e como vemos as amigas com menos freqüência, não queremos as importunar com nossas dores, afinal a vida delas também não está nada fácil – com desilusões do casamento, separações, perdas de emprego, falta de grana, de amor, doenças, problemas com os filhos... Só aparecemos para dividir as alegrias, por isso nos encontramos menos. As duras responsabilidades em determinadas fases da vida ocupam muito do nosso tempo.
Texto da editora deste portal Maria Cláudia Aravecchia Klein, com cessão de direito de edição e publicação exclusivo à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.
.Sem parâmetros, paradigmas, fórmulas e receitas prontas .Xô, Uruca! .Dê boas vindas ao novo .Fora de medidas e feliz .Amor correspondido, amor MalDito |
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