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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
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Decidimos aumentar a família

“Quando você vê os casais de amigos terem bebês fofinhos dá aquela vontade de embarcar no enlace da cegonha. Se pararmos para pensar ninguém tem filho hoje em dia e por maior o nosso contato prévio com a literatura especializada, é só na hora do ‘vamos ver’ que caímos na real de que não estamos realmente preparadas. Trata-se de um aprendizado desses antigos... Das coisas que aprendemos na escola da vida”

Depois das duras trinta e oito ou quarenta semanas de barrigão e de uma cesárea não-participativa com uma dor insuportável no pós-parto, o seu pacotinho finalmente chega em casa. Ao chegar, provavelmente, alguma alma caridosa ou materna te ajuda nas primeiras semanas. Porém, um dia sua mãe precisa voltar para casa dela e você se vê sozinha com aquele estranhinho no ninho. Imediatamente, junto com as lágrimas, pensa: “E, agora? O que fazer para mantê-lo vivo, respirando e chorando o mínimo possível?”. A verdade é uma só, você não é a única a ficar em pânico. Mãe de primeira viagem sofre e padece no paraíso. As de segunda e terceiras também.

No paraíso dos choros intermináveis, das perdas de fôlego, das regurgitadas em jato, das surpresas na hora da troca das fraldas, das febres, das cólicas e das engasgadas. “Como uma pessoinha tão inofensiva pode sofrer tanto? Parece impossível sobreviver a essa fase?”

Saber distinguir os diferentes tipos de choro então é coisa intuitiva. Pode ser fome, fralda suja, cansaço excessivo, necessidade de mudança de posição, frio, calor, dor...é uma batalha para descobrir o significado da linguagem complicada que é essa a dos bebês. Só quem já passou (sofreu) por isso sabe como um bebê muda a vida de uma mulher e do casal. A única sacanagem é que muita gente fala que tudo é lindo e maravilhoso e quando você visita alguns casais têm a impressão de que eles foram abençoados com a graça de terem um anjinho e que você jogou pedra na cruz, no mínimo, por receber um anjinho do tipo “tenor-endiabrado”. Na verdade, muita gente “omite” sua experiência com recém-nascidos simplesmente para que você não desista de dar continuidade a espécie. Nesse quesito os avós são campeões da mentira. Não lembram de nada.

Que falta faz brincar de boneca na infância! Ninguém está preparada para receber um bebê, vê-se o número de casos de depressão pós-parto e babás a tiracolo, que não desgrudam nem aos finais de semana, durante os poucos minutos de vida social do casal. Lazer? Não dá para assistir a um filme inteiro, sequer ao capítulo da novela. Não dá para programar a hora das suas refeições, do seu banho ou do passeio com o pobre do seu cachorro, que graças a Deus tem o santo forte para passar por essa fase de carência e esquecimento. Por menor que ele seja, o jeito que ele olha para o bebê carrega um ciúmes daqueles de transformar aquele ser fofinho em um saquinho de ração.

A menos que alguém cuide da criança à noite, dormir vai ser uma necessidade fisiológica não atendida durante um tempo. Não existe hora para dormir, ainda mais quando o bezerro é acalentado e alimentado por um peito e a premissa de livre-demanda é real, não dá para seguir a regra das três horas. É tecnicamente impossível. O bebê novinho ainda está se adaptando, não consegue encher muito bem a pancinha de leite, portanto, quando sentir fome vai chorar, se esgoelar e chupar tudo o que ver pela frente.

Quando ele quiser peito a única coisa a fazer é colocar o seu lado vaca-leiteira em ação, tirar as tetonas para fora e encher a boquinha da criança. Não dá para cronometrar nada. O papinho de três em três horas só vale mesmo para leite industrializado. E se a criança for dorminhoca “Minha filha, você é abençoada. Deixe-a dormir e nada de acordá-la para mamar, aproveite para descansar e cuidar do pouco que resta da sua própria vida”. Uma criança que dorme bem é uma benção divina. Como não se dorme quase nada nessa fase, assim que seu bebê capotar, arrume um local próximo e deite ao lado, nem se for para relaxar por uns minutos, como um cão fiel. Mas, antes de dormir busque na fé e nos momentos de oração, um pedido especial para que a força divina interceda por sua família e aconteça o milagre tão esperado - do bebê dormir pelo menos um dia na semana por cinco horas seguidas.

Ouça todos os conselhos, principalmente das mulheres mais velhas, que criavam os filhos nos tempos das fraldas de pano e das calças plásticas. Tente de tudo para acalmar os berros e os choros incansáveis. Vale simpatia, reza brava, benzedeira, chás, mamadeira, cadeirinha de balanço, músicas e canções do ‘boi da cara preta’. E quanto a chupeta? Se seu bebê pegar, ótimo. Como disse uma médica, trata-se de uma invenção sagrada, feita para acalmar.   

Seu marido é pessoa-chave nessa história toda e o único que pode dividir as atribuições com você. Abuse do amor que ele também vai sentir pelo bebê e peça ajuda em todos os momentos: no banho, na troca das fraldas, na hora das nanas, no acalanto, no atendimento dos telefonemas e na dispensa das incansáveis visitas, nas compras e no preparo das refeições. Não esqueça também de beijá-lo e abraça-lo muito, afinal, ele está exausto como você, carente e não vê a hora de esse bebê crescer rapidinho para que vocês possam ter momentos a sós novamente. 



Texto da editora deste portal Maria Cláudia Aravecchia Klein, com cessão de direito de edição e publicação exclusivo à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.




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