Ultimamente, estou bem feliz com a leitura matinal da Folha de domingo. Dias desses, me entreti com uma entrevista boa, coesa e objetiva. Sem delongas inúteis.
Ícone do pós-feminismo, a escritora norte-americana Camille Paglia disse estar mais do que na hora do movimento feminista conseguir lidar numa boa com a mulher que valoriza dar a luz e criar um filho como missão central da vida. De que está mais do que na hora, das pessoas pararem de uma vez por todas de denegrir e até mesmo marginalizar a mulher que quer, por livre escolha e vontade, ficar em casa, amar seu marido e ter filhos.
Na opinião de Camille, hoje, as feministas valorizam e muito a chamada "mulher de carreira", colocando aquelas que priorizam seu lado profissional em um escalão social mais alto que as mães e as esposas. E, isso segundo a escritora vai contra a maneira como a maioria das mulheres se sente de verdade.
"Não quero as feministas ocidentais destruindo valores e tradições de culturas locais. Feminismo deveria ser sobre mulheres terem a oportunidade de avançar, não serem abusadas e terem o direito de auto-subsistência econômica para não depender de um parente homem", desabafou ela durante a entrevista a Uirá Machado, da Folha de São Paulo.
Na fase em que estamos - quando mães abandonam seus bebês; e as celebridades mais 'clicadas' e ofuscadas pelos holofotes são políticos e suas amantes, e famosos que casam, traem, descartam e se separam num piscar de olhos, - fiquei imensamente feliz com as palavras de Camille, afinal, desde o início desse site, gostamos de bater nessa mesma tecla. Do quanto estamos nos distanciando da nossa essência 'fêmea' para disputarmos o incrédulo mercado acirrado e saturado, em busca de coisas mensuráveis como poder, reconhecimento, dinheiro e ascensão social. Palavras nada femininas. E, distantes da alma, da magnitude e do espírito.
Onde está o humanismo? A força de leoa e a garra que vem do útero? No individualismo das carreiras bem-sucedidas que não está. Passou longe. Que tal tentar resgatar tudo isso observando a união verdadeira que só uma pequena parcela das mulheres, que realmente conseguem se ajudar hoje em dia, tem a honra de saber o que é. Onde achar um grupo desses? Um deles pode estar ao seu lado. Não encontrou? Então, junte algumas amigas e conhecidas insatisfeitas e forme seu time próprio. Tem muita mulher de verdade se escondendo atrás de uma indumentária de executiva, e só esperando a oportunidade de dar seu grito de liberdade.
Texto da editora deste portal Maria Cláudia Aravecchia Klein, com cessão de direito de edição e publicação exclusivo à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.
A ensaísta e escritora norte-americana Camille Paglia é considerada uma das principais críticas do feminismo canibal. É autora dos livros
'Personas sexuais: arte e decadência de Nefertite a Emily Dickinson', 'Sex, art and american culture', 'Os pássaros' e 'Vamps & tramps: New essay'.