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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
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Dá pra parar, por favor!

Por necessidade sustentável, você acaba deixando a maré da necessidade de ganhar dinheiro te levar. Em pouco tempo, está imersa na correnteza dos prazos, responsabilidades, compromissos, lutando, exaustivamente, por reconhecimento e recebimento. Tudo poderia ser normal se você não estivesse tão grávida.

Não adianta se culpar. Você só fez isso porque precisa comprar o enxoval do bebê, se calçar já que não usufrui dos benefícios das assalariadas no caso da licença-maternidade, e, para completar, descobriu a pouco, que a meleca do convênio não cobre o parto. Dá vontade de assaltar um banco, ou, se candidatar ao cargo de mãe-jornalista de filho de político ou mãe-Bebel de filho de Antenor Cavalcanti.

Ficou tão atolada nas preocupações da vida suburbana da classe mediana sobrevivente brasileira, que parou de ouvir seu bebê, sua alma e seu lado feminino. As feministas que me desculpem, mas gestação, definitivamente, não combina com ‘lavoro’, não do tipo que temos hoje. A maior parte do tempo, passamos sentadas em frente ao computador, estressadas com prazos, presas no trânsito, com uma alimentação não tão regrada como deveria de ser, respirando nessa cidade submersa na densa camada de ozônio, cruzando com olhares abusivos de que nem grávida tem o direito de ter uma barriga gordinha e saliente. E, respirando, diariamente, os ares da incerteza de perder tudo o que se construiu até o momento.

Enquanto está atolada no ‘business to business’ dos pequenos, você recebe um chamado do seu bebê. Ele puxa a cordinha, dá o sinal e aperta o botão do ‘PARE’. Como se ele te dissesse por meio de uma notícia sensacionalista: “Mamãe! Assim não dá. Está na hora de você escolher e me definir como prioridade de uma vez por todas. Prioridade máxima, sem ninguém na frente, muito menos o trabalho”.

Na hora da parada, você olha para o lado e se depara com uma infinidade de grávidas, que receberam o mesmo aviso dos seus filhinhos. Como quem avisa amigo é a chance de remediar o problema é enorme e só depende da mamãe e do obstetra escolhido. Independente do problema gestacional, o desespero das barrigudas é igual, remorso, lágrimas, culpa e noites em claro.

E que mal há em se estar frágil numa hora dessas? Nenhum. Não dá para ser guerreira, sem limites, impulsiva e imbatível quando se está cumprindo a missão de ser o instrumento para a geração de alguém. E ao tentar agir dessa forma, perde-se o melhor da festa, o que inclui os contatos imediatos de 1?grau com o senhor(a) bebê, que quanto mais descansado e relaxado, mais se comunica.

A primeira vez que você se permite ouvir de verdade o bebê, percebe que todo o resto não tem mais a mesma importância. É um momento incrível, único e só o começo de um diálogo que vai durar a vida toda. Descobre também que, mesmo frágil, está muito forte, completa e de que não há nada mais importante do que gerar essa pessoa que terá a maior das maiores ligações com você, talvez, a mais profunda.

É por isso, que hoje temos que fazer a seguinte pergunta: Por que ‘ser mãe’ transformou-se em prioridade secundária na vida da mulher, ou, menos importante do que o lado profissional? Nós aceitamos isso, mas os bebês não.

Texto de Maria Cláudia Aravecchia Klein, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.




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