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| Dúvidas sentimentais, crises existenciais, alegrias ou causos que queira contar:
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Comportamento Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Doutor! Tenha pena de mim... Desde o início da gravidez, eu sabia que cedo ou tarde, teria algum contratempo com a medicina tradicional, aquela dos medicamentos alopatas e dos médicos de convênio, os autênticos "fast food" no atendimento. Para quem, como eu, acredita em homeopatia, acupuntura, do-in, shiatsu e escolhe o nome do filho baseada em numerologia, é quase impossível aceitar o comportamento distante de alguns médicos. Durante a gestação, as consultas são momentos especiais, principalmente quando o médico coloca o aparelhinho para você ouvir o coração do seu filho. Sem falar nos ultra-sons. Esses são mágicos, onde acompanhamos de perto, ou o mais perto que a medicina nos permite chegar do bebê, a formação do cérebro, rins, narizinho, pezinhos, mãozinhas... Uma coisa de louco. Como eu sou uma azarada e com os dois pés atrás em relação à medicina, estou me dando muito mal nas minhas andanças pelos laboratórios e pelas clínicas. Morando em São Paulo, é quase impossível chegar no horário se o médico escolhido fica do outro lado da cidade, tudo tem que ser relativamente perto, ainda mais, quando o barrigão começa a pesar. Mas, achar a pessoa certa é tarefa árdua, quando você encontra os limites da distância e do convênio. Quando você entra no consultório, de imediato, os santos têm de bater e você tem que sentir extrema confiança, afinal, esse especialista vai colocar seu rebento no mundo. Antes, tudo era mais fácil com o auxílio das parteiras, mas agora, com o mercado de nascimentos e cesárias a qualquer custo, aliados à nossa alimentação ultranatural e o sedentarismo, as coisas complicam um pouquinho. O que mais me assusta, porém, são alguns médicos que realizam o ultra-som. Esses doutores precisam fazer um curso com os 'Doutores da alegria' e devem receber um treinamento específico para aprender a lidar com o seu público-alvo. Engraçado, em todas as profissões dos novos tempos, precisamos conhecer a fundo nossos consumidores, suas necessidades, anseios e preferências, por isso, não sou contra os médicos marqueteiros - que adoram aparecer em notícias e programas de TV. Eles aprendem com isso. Como consumidora, eu recomendo às universidades abrirem um disciplina especial para esse fim, pois muitos serão donos de clínicas ou chefes de equipe. Só para desmistificar o nosso perfil de público, vou ajudar: somos mais frágeis, lidamos com mil alterações hormonais diárias, temos que trabalhar, fazer nossa comida - quando estamos famintas, dirigir por horas e horas, fazer ponte aérea com caos aéreo, sermos esposas, amáveis e ir atrás desde roupas mais em conta para gestantes, até móveis do quartinho, enxoval, idas aos hospitais, cursos de gestantes... Não é moleza. Por isso, que ao fim, viramos leoas e prontas para abocanhar pessoas ineficientes que cruzarem os nossos caminhos ou ameaçarem as nossas crias. Refletimos a perfeição da natureza. Até agora tive duas experiências macabras na gravidez, com dois médicos, um homem e uma mulher, que ao realizarem o ultra-som, não disseram absolutamente nada, nenhuma explicação ou tradução das imagens e apertaram a minha barriga com a delicadeza de um elefante, como para estimular o trabalho de parto. Teve um que bateu na minha barriga com aquele aparelhinho para irritar a mamãe e o bebê, além de nos machucar. Foi o fim. Eu acredito que medicina é uma profissão que requer talento, paciência, empatia, tato e DOAÇÃO. Quer ser médico? Então, seja um ‘puta’ médico. Tenha amor pela vida daquela pessoa que você está examinando no momento. Atenda aos telefonemas aflitos em busca de informação e feitos para o seu celular para sanar dúvidas. Não dá para ter esse respaldo em leitura de livros e revistas especializadas. Nós, pacientes grávidas, somos carentes de atenção e informação, de uma legislação decente que nos proteja e, como mães, queremos desde já o melhor para nossos filhos. E se um dia, meu filho decidir ser médico, vou dar o maior incentivo, não pelo status que ainda ronda a profissão de “dotô”, mas pela dignidade, própria de quem se doa profundamente para salvar o outro. Se fizer essa escolha, ele terá que estar disponível, dar alívio às dores, consolar famílias e tratar as pessoas com carinho e respeito. E de vez em quando, ir almoçar na casa da mama aqui, que vai morrer de saudades. Texto de Maria Cláudia Aravecchia Klein, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.
.Xô, Uruca! .Dê boas vindas ao novo .Fora de medidas e feliz .Amor correspondido, amor MalDito |
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