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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
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Um bebê baixou em mim!


Desde menina, eu sempre fui adepta das brincadeiras de
rua:esconde-esconde, polícia-e-ladrão, amarelinha,
beijo-abraço-e-aperto-de-mão e rouba-bandeira.
O negócio era ficar na rua até a noitinha e só voltar para
casa com a mãe chamando, de chinelo em punho.


Casinha, eu gostava de brincar com as minhas amiguinhas ou com a minha prima. Tínhamos a mania de catar mato, mamona, farinha de trigo, chocolate e inventar mil experimentos no fogãozinho de metal. Certa vez, eu botei fogo para ver se cozinhava um bolo, doce ilusão. Mas, o metal era tão bom, que o brinquedo não derreteu. Gostava de reunir as meninas também para brincar de escritório, “As Panteras” – onde ninguém queria ser a Sabrina, detetive e escolinha. 

Nunca gostei de bonecas, na verdade tive apenas duas durante toda infância: Bochechinha e Manequinho – este, que minha sobrinha tem pavor de chegar perto quando o vê na casa da minha mãe. Depois, ganhei uma Susi e conheci a Barbie e o Bob só aos doze anos, quando os deixava sem roupas, no namoro.

Voltei a lembrar das brincadeiras de infância, pois tenho uma teoria inventada por mim, que foi crucial para saber a hora certa de ter um filho. Tudo bem que não apitamos nada mesmo e, sinceramente, gerar um bebê tem mais o dedo divino do que qualquer coisa, mas, quando você sente que é o momento e que o cara ao seu lado é o 'pai' dos seus filhos, uma estrela acende dentro de você. Acredito ser esse o motivo de tantas ascendentes engravidarem de um ricaço numa única trepada. Inconscientemente, desde menina, a mulher vai se preparando para engravidar por N motivos: dinheiro, poder, amor, raiva e por ai vai.

Inconscientemente. Pois, na hora que isso se transforma em matéria, o bicho pega. E não tem nada a ver com a inocência do brincar de boneca. O buraco é mais em baixo. As mudanças acontecem no seu corpo, a sua saúde fica mais fraca, o seu seio aumenta vários números no tamanho do sutiã, a sua bunda cresce de forma descomunal, a celulite brota, você se sente tão sexy – uma coisa! E, seu nariz, antes mais para arrebitado, vira uma batata. Que ódio das atrizes, socialites, cantoras e modelos que só aumentam de barriga e aparecem na Caras de biquíni. Por que a nossa realidade de reles mortais não é essa?

A gestação é linda! Todos dizem que você tem um brilho especial. Por favor, onde está esse brilho? Na base da coluna, onde se instalou a dor insuportável da lombar? Ou, na cara do seu marido quando não entende muito bem os seus enjôos? Meninas, eu sou sincera, gravidez não é mole não! Meus antecedentes me delatam, sempre fui rueira, mais moleca do que menina e de alma livre. Além do mais, fui gerada e educada pela minha doce-brava mãe para estudar, trabalhar, construir e dirigir a minha vida.

Nossos relacionamentos são mais egoístas e quando você engravida, de uma hora para a outra, passa a se transformar em alguém diferente. Não sou mais eu. Sou eu, o bebê e o meu marido. Somos uma família. Aos poucos, descubro a vontade de mesmo sem querer fazer nossa comida e não trabalhar mais aos finais de semana. Que loucura!?! Virei Dita da noite para o dia? Não. Por isso a paranóia, eu tenho sede de trabalhar para sustentar, mas, a disposição, a memória e o discernimento não são iguais.

Ô modernidade cruel! Nessas horas, penso mais uma vez numa perda, afinal, ganhamos menos e somos subordinadas, pois cuidamos dos nossos filhos nos primeiros quatro meses, os levamos ao médico sempre que preciso, os deixamos em escolinhas com pessoas que não pensam da mesma forma que a gente. E, quando crianças, não podemos deixá-los brincar na rua, sozinhos ou desprendidos. Que liberdade eles terão? Ideológica? Sim, talvez sim. Como mãe vou lutar por isso.     

Texto de Maria Cláudia Aravecchia Klein, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.




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Na gravidez:

Chute o pau da barraca e mude a sua rotina:

- durma até mais tarde ou vá dormir mais cedo, se o problema for bater cartão e chefe chato.

- não está afim de cozinhar ou arrumar a casa. Desencane, os incomodados que peguem a vassoura ou as panelas e coloquem a mão na massa.

- coma o que tiver vontade, não excendendo nos doces, frituras e gordura trans.

- beba muita água.

- faça sexo - sempre que tiver vontade, pois às vezes os hormônios não ajudam muito.

- se quiser, faça exercícios físicos moderados.

- se não está satisfeita, mude de médico.

- visite quantas maternidades quiser antes de escolher onde fará o parto.

- se te encherem muito o saco com palpites, dicas e conselhos, faça aquela cara de quem não lê o Estadão. Grávida é desligada mesmo e ninguém vai ligar.

 

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