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Comportamento
Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
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Estamos longe, muito longe
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Cinzas. O Carnaval passou, a escola desfilou, a mulata sambou, o trio alegrou, a música atravessou os ventos entre prédios, o coração bateu mais forte, o beijo longo durou mais tempo, o Sol ficou tímido, a água lavou as calçadas e depois de tanta extravagância, vem as Cinzas, ou melhor, é agora quando as coisas realmente começam a acontecer neste País.
Faz tempo que não escrevo. O tempo de escrever é diferente para cada um. No meu caso, preciso estar bem relaxada para que as palavras se acheguem às emoções e realmente transponham os sentimentos. E, sinceramente, em virtude de trabalho, responsabilidades e obrigatoriedades, estava muito longe de mim. Você já teve essa sensação? De estar indo conforme a música, no compasso do ritmo acelerado da rotina, sem ao menos ter tempo para saciar uma vontade dessas simples e boas da vida?
Neste Carnaval de 2007, parei. Respirei profundamente e percebi as sensações do meu corpo, de cada parte, em como o sedentarismo também provoca calos na alma e não só no punho de passar horas no trabalho defronte ao micro. Tive tempo de colocar a leitura em dia, observar os fatos a minha volta, familiares, amigos e as pessoas com as quais cruzo todos os dias. Como o ser humano está longe um do outro e de si.
Em especial, depois de ler em quase todos os veículos sobre o caso do menino carioca que foi arrastado entre pneus até a morte, olhei as crianças. Será que elas pertencem a uma geração mais evoluída que a nossa? No caso em específico, só vejo uma explicação: o acontecido que chocou tanto a “sociedade” é reflexo do comportamento de todos nós. Para que há indignação? Se ninguém se cumprimenta mais ao entrar no elevador ou se cruzar na esquina? Onde vamos parar com essa hipocrisia?
Tenho acompanhado o trabalho de ONGs. sérias e grupos que se reúnem por não agüentarem mais assistirem calados na platéia sem fazer absolutamente nada. Não dá mais para ficar de braços cruzados e assistir as atrocidades no telejornal. Dá para fazer pelos que estão do outro lado da rua, na casa ao lado, na periferia vizinha ou na cidade distante. Fazer a viagem dos sonhos é ótimo, uma maravilha. Ir conhecer o restaurante tão sonhado também ou trocar de carro por um modelo melhor. Tudo isso faz parte, está no script.
E qual o motivo que nos impede de no meio do caminho, incluirmos hábitos que nos tragam mais perto da nossa alma. Que hábitos são esses? Eu não sei. Imagino que talvez, pelas filosofias existentes, ajudar ao próximo nos enobreça a alma. Que quando damos um carinho, um sorriso, um abraço sem pedir nada, absolutamente nada em troca, ou seja, a doação em alguma hora ou minutos da nossa louca vida. Isso sim pode contribuir para ficarmos mais próximos do que realmente somos na essência, que está muito longe daquilo que vemos na casca.
A barbárie, infelizmente é uma das conseqüências quando chegamos no estado ao qual vivemos hoje, onde o dinheiro conta muito mais do que outros bens valiosíssimos, como caráter, amor, família. Não dá para esperar que o Governo faça algo, que o vizinho comece e você siga, afinal não vai entrar sozinha (o) nessa. Não importa, se precisar de torcida, reconhecimento, um cabo de guerra. Prepare o espírito dos envolvidos, transforme a linguagem em algo do tipo corporativo, como o alcance de metas. E comece. Não importa a forma, o lugar, a grandiosidade ou a pequenez de sua ação. O importante é fazer algo pelo outro e ao sair a procura, você vai ficar surpresa (o) da quantidade de pessoas que precisam de nós e, nós, delas.
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