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Estação da Luz
Samba do Arnesto Adoniran Barbosa
O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás
Nóis fumo e não encontremos ninguém
Nóis vortemo cuma baita duma reiva
Da outra veiz nóis num vai mais
Nóis não semos tatu!
Outro dia encontremo com o Arnesto
Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
Mais você devia ter ponhado um recado na porta
Anssim: "Ói, turma, num deu prá esperá A vez que isso num tem importância, num faz má Depois que nóis vai, depois que nóis vorta Assinado em cruz porque não sei escrever Arnesto"
Cais, cais, cais, cais, cais, cais, cais...
Sampa
Caetano Veloso
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo, afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso o avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de Campos e espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan Américas de Áfricas utópicas túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa
Adorava ouvir um vinil do meu irmão, do grupo Premeditando o Breque, da história do urubu que se apaixona por uma asa delta. Pobre da asa delta. Pois, ultimamente sei muito bem e conheço de perto os sinônimos da palavra urucubaca – que deriva do feio do urubu, ave de rapina que devora um cadáver fedorento e se delicia com a iguaria, por horas a fio.
Sabe aquele lance de você sair de um lugar bocejando, com o corpo “atropelado por uma jamanta” e tendo a certeza de que seu carro foi programado para te levar em casa, pois no dia seguinte, você nem lembra como conseguiu chegar? Tem gente que chama isso de olho gordo, inveja, mau agouro, azar ou “Que fizeram um trabalho pra mim”. Eu chamo de 'uruca' ou 'zica'.
Sou do tipo esponja. Aquele que enxuga as energias e a sujeira dos ambientes e das pessoas. Engraçado é que quando fiz um curso de shiatsu express, a professora ensinou todas as técnicas de limpeza e, pelo menos, quando coloco minhas mãozinhas para aliviar as tensões alheias, consigo deixá-las em outro lugar, bem longe. Não me sinto pesada, fraca ou com dores pelo corpo.
Enquanto meu lado “birdwatcher” não aflora, em determinadas ocasiões os urubus dão uma rasante sobre a minha cabeça, e a cada descida, levo umas bicadas. Ouço que a vida é difícil e que precisamos ser fortes e antecipar as coisas antes que elas aconteçam. Concordo que a proteção é necessária, só que para se meter em jogos premonitórios, do tipo “se eu fizer isso vou obter tal resultado, ou, se falar aquilo, fulano vai dizer aquilo outro”, tem que se ter levado quase uma vida inteira observando os pássaros.
Em certos momentos, determinados cidadãos (inclua os políticos nessa) jogam tanto com as palavras no intuito de nos conduzir pelo caminho que eles traçaram para nós, rumo a arapuca, que se não prestarmos muita atenção, nos envolvemos, e nem nos damos conta da enrascada. Tem gente tão uruca, que é capaz de perguntar quanto você ganha, contar quanto ela ganha, te menosprezar e depois de alguns dias, você ainda ser mandada embora. E tem conquistadores urucas, que te vêem tristinha, - pois seu marido fez o favor de esquecer de comprar aquela florzinha no seu aniversário, - que sentam ao seu lado na primeira oportunidade. E questionam o motivo da carinha triste, como um homem (no caso, o 'romântico' do seu marido) pode te tratar dessa forma? Que você é linda, sedutora e toda aquela lengalenga 'estraga-casamento'.
Não sou expert no assunto, mas sinto os sintomas da “torcida- contra” em poucos minutos: sono excessivo, um bocejo atrás do outro, nó na garganta, olhares fulminantes, gestos, postura na sua direção como se a pessoa quisesse dar uma 'incorporada' em você, uma abduzida, frases feitas, analogias, galanteios e elogios, muitos elogios.
Para se livrar das más vibrações, é bom usar de algumas artimanhas e de coisas bem baratinhas.
Como estamos falando de sujeitos do tipo vampiros, a cesta-básica lá de casa inclui um pacote bem grande de alho e outro de sal grosso.
Logo na entrada, é bom montar um vasinho com ervas protetoras – arruda, guiné, alecrim, comigo-ninguém-pode, espada de São Jorge, manjericão e pimenta vermelha.
Use o amuleto em que mais acredita - cristais, medalhinhas de santos, crucifixo, pirâmides. A forma não interessa, o que realmente importa é a fé. Reze, medite, vá ao culto, à igreja, a casa da benzedeira, faça um projeto de Feng Shui, ou, cante para espantar os males. E não esqueça: Aqui se faz, aqui se paga. E o que o outro (a) desejar para você, vai voltar em dobro para ele (a).
Porém,
isso só não acontece com o Estado, o que você paga de impostos fica para o governo e ponto. Sem conversa e sem direitos.
Cante, afinal,
quem canta, seus males espanta:
Prême
São Paulo, São Paulo
É sempre lindo andar na cidade de São Paulo.
O clima engana, a vida é grana em São Paulo.
A japonesa loura, a nordestina moura de São Paulo.
Gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo.
Na grande cidade me realizar
Morando num BNH.
Na periferia a fábrica escurece o dia.
Não vá se incomodar com a fauna urbana de São Paulo.
Pardais, baratas, ratos na Rota de São Paulo.
E pra você criança muita diversão e poluição.
Tomar um banho no Tietê ou ver TV.
Na grande cidade me realizar
Morando num BNH.
Na periferia a fábrica escurece o dia.
Chora Menino, Freguesia do Ó, Carandiru, Mandaqui, ali
Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Carrão, Morumbi
Pari,
Butantã, Utinga, Embu e Imirim, Brás, Brás, Belém
Bom Retiro, Barra Funda, Ermelino Matarazzo
Mooca, Penha, Lapa, Sé, Jabaquara, Pirituba, Tucuruvi, Tatuapé
Pra quebrar a rotina num fim de semana em São Paulo.
Lavar um carro comendo um churro é bom pra burro.
Um ponto de partida pra subir na vida em São Paulo
Terraço Itália, Jaraguá, Viaduto do Chá.
Na grande cidade me realizar morando num BNH.
Na periferia a fábrica escurece o dia.
Na periferia a fábrica escurece o dia.
Praça da Sé
Tom Zé
São, São Paulo
São, São Paulo meu amor
São, São Paulo quanta dor
São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortezmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Salvai-nos por caridade
Pecadoras invadiram
Todo centro da cidade
Armadas de rouge e batom
Dando vivas ao bom humor
Num atentado contra o pudor
A família protegida
Um palavrão reprimido
Um pregador que condena
Uma bomba por quinzena Am Em Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
A São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Santo Antonio foi demitido Dos Ministros de cupido Armados da eletrônica Casam pela TV
Crescem flores de concreto Em Céu aberto ninguém vê Em Brasília é veraneio