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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
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Quando estou na praia, após pular as sete ondinhas costumeiras de todos os anos, olho para aquela multidão vestida de branco na areia e me vejo numa cena surreal de uma passagem. Como se todos estivessem partindo para uma outra dimensão, ou, tranqüilamente, unidos, indo dessa para melhor.

Alguns, com os olhos marejados de lágrimas, sentem a ausência de pessoas queridas que se foram, sofrem as dores de recentes separações, lamentam a situação financeira que não anda lá muito bem das pernas, choram pela saúde debilitada. Enquanto, barrigas são acariciadas por carregarem novas vidas e os casais se beijam e se abraçam na esperança de crescimento, mais harmonia e fortalecimento das relações.

Estouros. Do champanhe com os amigos e dos fogos de artifício, que formam estrelas, corações e constelações de luzes coloridas. Algumas parecem até velozes espermatozóides à procura de um óvulo no céu escuro. Adultos, antes, carrancudos, olham para cima e sorriem por alguns instantes, com um certo deslumbramento infantil.

Tudo lindo, antes, da festa da posse dos novos velhos governantes. Ou dos congestionamentos desumanos de horas e horas até a chegada ao lar, que, abençoado por São Pedro, corre o risco de ter goteiras ou algum móvel submerso. Nada de novo, tudo igual.

A novidade tem um significado diferente de acordo com a necessidade de cada um naquele exato momento da sua vã existência. Igual a música do Gilberto Gil:


 “A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade o busto de uma deusa Maia
Metade um grande rabo de baleia

A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia”

É provável que você não viva um ano novo repleto de alegrias, não consiga emagrecer os oito quilos que engordou, não consiga quitar o carro ou a casa própria, viajar para a segunda lua-de-mel, receber um aumento, encontrar um novo amor. Pode ser que nada disso aconteça.

Você pode tentar. Batalhar muito com todas as suas forças e comemorar, no final, cada meta alcançada. Mas, se lá na próxima virada, você não tenha conseguido realizar tudo ou pelo menos uma dessas coisas, deixe a frustração de lado, enterre as cobranças a sete palmos da terra e recomece. Avalie o porque saiu tudo errado, onde você pode mudar, inovar, experimentar, encontrar caminhos novos e outras saídas.

Afinal, a vida é uma experiência.

Onde vale a pena tentar.

E viver o que ela é, essa grande novidade.

 

 

 

 

 

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