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Comportamento
Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
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Fora de medidas e feliz

Com tantas coisas acontecendo rapidamente ao nosso redor - o Natal já está ai, não queremos peder nada, nenhum lance, nenhuma oportunidade, nada. O negócio é aproveitar até a última gota. Não queremos perder nada, mas queremos perder peso nem se for para pagar muito caro por isso.
Estudei sobre o poder e a influência da mensagem subliminar na propaganda sobre nossas mentes - saudosismo às aulas do Calazans, e tenho certeza absoluta que a mesma mensagem que nos faz consumir, consumir e consumir, nos faz hoje, querer ser magra, esquelética e anoréxica.
Estou acima do peso e como engordei cinco quilos em um ano devido à adoção de uma vida pra lá de "sedentária que trabalha a maior parte do tempo sentada", quero matar o primeiro filho da mãe, todas as vezes que ouço a mesma frase "nossa, achei que era exagero seu, mas você engordou mesmo!".
Sabe para onde vão os quilos a mais, perdidos nas esteiras das academias ou das pelotas de gorduras lipoaspiradas? Se transformam em energia "plasma" e viram um verdadeiro encosto peso-pesado nas minhas, nas suas e nas costas de todos aqueles que estão acima da média. Da média irreal só encontrada na fama e não no anonimato.
Que voz sufocante não prendeu a nossa colunista Fluvia Lacerda, que tentou contar sua história quando soube do caso da morte da modelo brasileira por anorexia. Quem a ouviu? Depois de mais de cinqüenta e-mails enviados às revistas femininas mais famosas do mundo, a Veja a ouviu e publicou sua carta.
Até quando teremos que dar mais espaço para a magreza excessiva, a beleza inalcançável, futilidades, bens de consumo momentâneos e hipervalorizados e relações vazias? O Jornalismo é mais do que isso. É dar espaço para mulheres como Fluvia que tem muito para nos contar e nos ensinar.
Perder peso deve ser uma forma preventiva de viver uma vida mais saudável antevendo um envelhecimento precoce ou doente. Deve-se começar a correr se a intenção for verdadeira e sua, se for para sair de uma depressão, aprender a vencer os obstáculos, ganhar fôlego, fortalecer o coração e não porque seja a forma mais barata de ficar parecida com a Cicarelli. Se for para ser uma corredora imitadora, prefira imitar o personagem de Tom Hanks, no filme Forrest Gump.
Mortes, frustrações, lamentações, investimentos mal direcionados para tratamentos dito milagrosos. Quanto tempo perdido, quanta energia desperdiçada, quantas lágrimas derramadas e amores não vividos pela vergonha do próprio corpo e de preferir a luz apagada.
Não podemos deixar que as coisas continuem dessa forma e se passarmos a repetir sempre isso, essa será a nossa verdade sem mensagens subliminares enganosas.
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