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Comportamento Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein Amor correspondido, amor MalDito
Hoje escrevo baseada no e-mail de uma leitora de Portugal. Ela está enamorada de uma ‘rapariga’, que não sabe disso, ou melhor, nem imagina despertar esses sentimentos. Porém, esta musa inspiradora é comprometida com um "guapo" famoso. E ainda por cima, nossa leitora está infeliz em relação ao trabalho, pois não consegue uma recolocação profissional após inúmeras tentativas. Vive angustiada, insegura e não consegue achar uma saída, tendo vontade de morrer. “Só resta matar-me” – ela escreveu no e-mail. Tem dias, em que, literalmente, queremos nos matar. Desejamos a morte, não com veemência, mas como se fosse a saída mais rápida pela tangente. Mas, será que paramos para pensar no verdadeiro significado da morte? Que os motivos que nos levam a querer essa fuga, o ‘the end’, provavelmente, quando formos desta para melhor, do lado de lá, não terão o mesmo significado ou a mesma importância? Então, porque a demência humana nos faz pensar nisso em determinado momento da vida ou num belo dia de Sol? Amor não declarado preserva nossa imagem, àquela que levamos anos para fortalecer e construir. Só que amor não declarado é o mesmo que conviver com o fantasma da dúvida eterna de nunca sabermos se somos correspondidas ou não. E o medo da rejeição nos deixa amarradas, com a sensação enganosa do conforto de ter os sentimentos poupados, a imagem preservada, sem levantar questionamentos de sermos boas o bastante aos olhos dos outros. Ahhhhh..como nos preocupamos com os outros e com o que eles pensam de nós!!!! Já pensou olhar para o lado e assistir a garota ou o homem dos seus sonhos sair de mãos dadas com outra pessoa, com a certeza de que ela não sabe que você a ama e que, poderiam viver momentos marcantes ou, até mesmo, uma história, se ela soubesse e também gostasse de você? Se imagine daqui a uns cinco anos, olhando pra trás e vendo, com aquele olhar culposo e cobrador, a sua falta de coragem em se declarar naquele dia, naquele minuto propício, quando vocês estavam pertinho, ‘olho no olho’? Cenas horríveis, não? Ando com saudade do meu jeito mais verdadeiro, pois já não agüento mais ser apenas um barquinho de papel correndo pelas águas sujas das ruas movimentadas pelos passantes que têm medo de tudo. Nós, mulheres de trinta e poucos anos somos filhas de uma classe média medrosa - que comeu o pão com menos manteiga para garantir nosso presunto e queijo no meio de bisnaguinhas de leite, inclusive, poupando nossos sentimentos e sofrimentos, nos deixando ali, em frente à televisão, enquanto iam para a labuta das formigas. Está na hora de declarar. Mesmo, que essa decisão gere um belo dum ‘Não’ e possíveis futuras lágrimas. Mas, vai ser muito melhor do que conviver permanentemente com a sensação de incapacidade, de masoquismo pelo amor não dito. Amor MalDito. A cultura do amor egoísta, do amor padrão, do amor ‘perfeição’, do amor momentâneo, do amor em escala está acabando com o amor. |
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