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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dicas, críticas ou sugestões!

Cabelão. É agora ou nunca!

Não é fácil ter cabelo curtinho. É preciso ter muito estilo e peito prá não sofrer diante da ditadura do cabelão liso. Na pré-escola, fiquei infestada de piolhos e minha mãe tomou a atitude drástica do corte "Joãozinho". Difícil foi agüentar a tiração de sarro dos meninos. Fiquei com esse trauminha de infância.

O que mais me deixa apreensiva nessa fase balzaquiana é justamente aquela cena típica de olhar aquele cabelão de costas andando pela rua, que ao virar mostra aquela cara toda enrugada. É propaganda enganosa. A minha chance de ainda ter cabelão com bom-senso é agora. Então, eu fico me 'maldizendo' por dias e dias todas as vezes que resolvo cortar as pontinhas.

Falta de tempo e de paciência me fazem deixar de sentir prazer nessas coisas descomplicadas. Qual o problema em deixar o cabelo crescer? Todas as vezes que dou a primeira lavada nos cabelos, isso lá pela segunda-feira pós-escova e corte do sábado, jogo o cabelo de um lado pro outro tentando encontrar meu eixo. E, nada. Não consigo encontrá-lo antes de um mês pós-corte. Tudo porque cortei demais outra vez.

Parece que aquelas pontinhas jogadas ao léu levaram alguma coisa junto. Levaram o comprimento e a minha ilusória persistência. Isso que é desistir fácil. Está curtinho de novo. Sempre igual. Se a minha conta bancária permitisse, me daria ao luxo de botar um megahair dos bons e freqüentar o salão pelo menos duas vezes na semana. Só de pensar em ter alguém para massagear minha cabecinha pensante, usar xampus e produtos cheirosíssimos exclusivos de salão, fazer mão e pé com tudo descartável, massagem, drenagem, depilação...assim que os pêlinhos apontassem. Que sonho!

Tenho o cérebro masculino pra determinados rituais, principalmente os que envolvem horas na frente do espelho. Em casa, recorro ao hidratante no inverno e no verão, quando a pele já está  desidratada. Só tem uma coisa que faço questão de cuidar: sobrancelhas. Modelar a sobrancelha é uma arte. Uma arte engraçada, afinal, passamos a vida inteira tirando daqui, cortando os excessos dali, desentortando acolá e tudo isso nas mãos de uma especialista. Quando finalmente elas estão desenhadas no nosso rosto e são reconhecidamente expressivas, chega-se o momento da vida em que nos resta apenas o bom contorno de um lápis ou da maquiagem definitiva.

Esse é um dos motivos que me leva a crer que o deslumbramento do reflexo no espelho não vale tanto a pena. Fotografia é melhor. Registra nossas melhores fases e são arquivadas. Mas por diversos fatores, digamos até que hormonais, acredito que não dá para permanecer três meses com o mesmo tonalizante. Amo mudar mechas e mesclar tons. Please, me xingue, me cobre, preciso de alguém no meu pé, que diga: - Quer fazer o favor de deixar esse cabelo crescer! Está esperando o quê? Nascer de novo? Filhinha, fio branco não reluz...

A coluna da Maria Cláudia é atualizada toda terça-feira.

 

 

 

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