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Comportamento Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein Tô endividada
Não dá nem pra lembrar o que é ficar no azul, afinal vermelho é a cor que você mais se identifica desde as notas de matemática nos boletins e desde o mês que abriu sua primeira conta corrente. Não é fácil manter a conta saudável e fechar os olhos para aquela liquidação ali do outro lado da rua. Assistir ShopTour , então, é loucura. Até o maridão fica com vontade de ir as compras e comprar cinco calças pelo preço de uma. Já fui consumista e luto contra a vontade de comprar todo santo dia. É dureza. Li um artigo bem coerente que dizia ser uma mera ilusão acreditarmos na felicidade da população americana em comparação às desgraças que assolam o terceiro mundo, inclua o Brasil nessa leva. Segundo o autor, os branquelos cada vez mais obesos e de bochechas rosadas estão pirando de tanto consumir. É tanta informação, produto, propaganda e oferta, que é quase impossível escolher uma única opção. Surge a doença CCC - Colapso da Compra Compulsiva! Pior é que estamos indo pelo mesmo caminho. Muita gente endividada para manter as aparências, o cabelo escorrido e a roupa da moda. Tem ainda quem acredite que ao comprar determinado objeto, satisfaça frustração de outra natureza. Sei que não é nenhuma novidade, estamos carecas (com essa queda de cabelo feminina) de acompanhar psicólogo, médico e loucos divagarem sobre o assunto. Minha consciência sempre me fala: Filhinha, caia na real, não tem escapatória para esse consumismo desenfreado e quem é você para lutar contra os interesses industriais? Tudo bem, que o mercado dá um jeito de inventar a cada ano uma sazonalidade nova para escoar os estoques, ainda mais em ano sem invernos ou verões rigorosos, mas tá na hora de sermos mais críticas em relação ao consumo. Pelo Amor!!!! Economistas, não me xinguem! Concordo que para manter grande parte dos brasileiros em seus devidos empregos, o consumo é essencial. Só que antes de sermos consumidoras, somos pessoas. Esqueça gênero, número e grau. Temos necessidades básicas e secundárias meio essenciais: transporte, gasolina ou vales, segurança, lazer, educação, conforto e saúde. Porém, um bom percentual do que é gasto além desse pacotão é fruto de compra compulsiva. O ponto-de-venda é o lugar onde ficamos mais vulneráveis, mais propensas a abrirmos a bolsa. E onde vamos passear no final de semana? No bendito do shopping. Também, tem shopping pra cachorro, pra jardim, ruas comerciais temáticas, a 25 de Março, a Ladeira Porto Geral, o Mercadão , a Santa Efigênia, o StandCenter e toda vez que colocamos o pé num desses lugares, corremos o risco de gastar o que não estava no programa. Nem vou falar de loja de cosméticos, sapatos, roupas, cabeleireiro, lingerie, livrarias e bancas de jornal, pois nesses espaços alguns produtos são necessários e fundamentais. Falando sério: não adianta querer aumentar a auto-estima comprando uma blusa que custa o olho da cara ou ter uma sapateira maior do que o banheiro do apartamento, nem vou falar em marca de carro. Não corra o risco dos juros...com a inflação "escondida", você acaba se ferrando. Dá uma olhada na etiqueta e no carimbo, pois até fruta em feira livre já está correndo o risco de virar produto " Made in China". E, teu filho não precisa voltar pra casa sempre com um pacotinho, brinquedo novo, figurinha ou outro presentinho qualquer. Uma amiga diz que os filhos não sabem sair de casa sem gastar. E, o que ela faz? Trabalha, trabalha e trabalha - sábado, domingos e feriados. Férias? Só se for para as crianças. A filha de quinze anos, por exemplo, ao invés da festa de debutante quis uma viagem para Disney. Minha amiga mandou a menina pra ver o Mickey e vai ter que tapar muita cárie pra pagar a viagem. Ainda mais com a pensão do marido anos luz atrasada. Pior, o mais novo só fala em ir ver o Pateta no ano que vem. |
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