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* Até o Bono Vox do U2 escreveu um artigo no jornal britânico The Independent no qual alertou o presidente Lula em relação ao problema que atos de violência, como o que varreu a cidade de São Paulo nos últimos dias, podem acarretar no desenvolvimento do Brasil.  

Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
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Silêncio na escuridão

Nenhum barulho, nem sequer um latido de cachorro, um choro de criança, o treino de um jovem músico testando os primeiros acordes da sua guitarra, vizinhança enclausurada, população sitiada, ruas desertas e a cidade dormia mais cedo na noite fria da última segunda-feira.  A mega metrópole da América do Sul silenciou conforme às coordenadas do crime organizado.

Os boatos se multiplicaram e  bombas fictícias foram espalhadas em escolas, faculdades, estações de metrô e no aeroporto. Como num pesadelo, em que estamos encurraladas e nossa voz não sai quando gritamos, São Paulo se calou com um grito de horror preso à garganta. Se trancafiou após viver momentos de verdadeiro caos urbano. 

Depois de mais um dia de atentados e relatos falsos, comerciantes fecharam as portas mais cedo, empresas liberaram seus funcionários antes do término do expediente, alunos foram dispensados das aulas e todos se aprisionaram por livre e "expontâneo" medo em suas próprias casas. Por alguns momentos, me senti na "Guerra dos Mundos", de Orson Welles. Num cenário como na história criada por Welles, na Radio Mercury. Em 1938, no dia de Halloween americano, ele transmitiu, ao vivo, uma falsa invasão no planeta terra pelos marcianos, o que deixou os ouvintes em pânico. Assistimos reação semelhante, mas real.

Pessoas assustadas caminhavam em ritmo acelerado pelas ruas, mais de 200 km de trânsito caótico na cidade (CET), filas em padarias e mercados de bairro. Momentos de loucura, que nos levaram a agir como se estivéssemos numa boiada desenfreada e enlouquecida. Metade da população se mata sozinha numa crise de segurança mais forte.

A falta de perspectivas dos jovens semi-analfabetos do Brasil faz com que se tornem o principal alvo do exército armado do PCC. A alienação política e social da classe média também resulta em poucas perspectivas, o que compromete o discernimento frente a um quadro tão alarmente. É de assustar. 

Terror continua

São Paulo registrou os quatro dias mais violentos da história da segurança pública do País. Em 96 horas, contadas desde o primeiro motim em Avaré, às 16h30 de sexta-feira, a Secretaria da Segurança Pública do Estado registrou 253 ataques criminosos e 73 rebeliões em presídios. Se realmente temos a intenção de construir um País (com P maiúsculo), está na hora de uma mobilização geral.

  • A constituição e as leis precisam mudar;
  • Vamos aproveitar o ano eleitoral para exigir os nossos direitos de contribuintes; 
  • Entrar em acordo com bandido e se curvar diante de reivindicações é inaceitável;
  • Advogados e familiares devem ser revistados e passarem por detectores de metais ao entrarem e sairem dos presídios;
  • A instalação de bloqueadores de celulares nas penitenciárias é uma ação básica de segurança;
  • Isso não é hora para guerra de poder entre partidos políticos;
  • Nada vai mudar se o governo não investir na educação e na cultura do nosso povo;
  • O que aconteceu é fruto de uma desigualdade social que assola o nosso país;
 

 

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