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Comportamento Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein Poliana Moça
Quando passamos dos trinta e poucos anos, a vontade de mudar é latente. Mudanças não acontecem da noite para o dia e convencer a nós mesmas de que chegou a hora é uma tarefa árdua, pois somos as consumidoras mais chatas ao trocar de "marcas". Tal atitude exige um esforço tamanho. Relutamos em mudar da mesma forma que adiamos a ida ao cabeleireiro para cortar as pontinhas, mesmo sabendo que essa é uma maneira natural e indolor para a renovação dos fios para que eles cresçam novamente, fortes e bonitos. Lembra da sua fase " Polyana Moça", quando você era meninota de doze, treze anos? Aposto que até os quinze anos bastava meter uma idéia na cabeça para conquistar aquilo que você tanto desejava. Uma época em que literalmente querer significava poder. Tínhamos a coragem dos adolescentes. Com outras encanações e frustrações, mas sem medo de estagnação, do não conseguir. Aposto que você se questiona todo dia: que diabos me deixou tão medrosa? A ponto de não arriscar sem antes pensar em prós, contras, fazer contas, pensar em prós e contras de novo. Hoje, são tantas as informações, opções de mudanças e rumos que podemos tomar que decidir virou uma batalha forte que precisa ser vencida logo de início. As filosofias orientais, entre as quais o Feng Shui , deixam bem claro a necessidade de liberar espaço retirando a energia estagnada através de limpezas específicas, como o simples ato de doar as roupas que não estão mais sendo utilizadas, para que o novo entre novamente em nossas vidas e em nossos armários. Basicamente, tirar o velho para deixar o novo entrar. Hoje, somos bombardeadas por informações e antes de nos fixarmos em um único foco, ficamos perdidas e distantes de realizar algo. Parece que quanto mais queremos uma coisa, mais ela fica distante de ser concretizada. Temos tantas escolhas, podemos dar uma virada na maré a qualquer hora e, a indecisão e "o fazer mil coisas ao mesmo tempo" nos atrapalha tanto, que não vemos nada acontecer. Não saímos do lugar. Temos um olhar mais crítico, cobrador e menos curioso do que o daquela menina de quinze anos, que conhecemos muito bem. Tanto a realizar, conhecimentos que podemos adquirir, talentos a expandir e tem uma bola de uma tonelada amarrada em nossos pés. Essa inquietude é tachada pelos especialistas como casos tipicamente comuns de mulheres e homens que pertencem à geração dos adolescentes tardios. Será que isso só acontece com a gente? Talvez eu esteja completamente equivocada, mas a estagnação é geral. Pessoas recém-aposentadas ou adolescente pré-vestibular enfrentam lutas semelhantes. É o enxergar um caminho inteiro pela frente, mas com um olhar marejado por empecilhos criados por nossas cabecinhas pensantes ou pela sociedade. É fato que hoje existem respostas, fórmulas e teorias prontas para tudo. Mas será que não está na hora de antes de até mesmo decidir, buscar o sentir. Em anos de terapia, aprendi que o sentir "aqui e agora" pode alimentar a alma e abrir novos caminhos sem qualquer ligação com os estereótipos que escolhemos, nossa profissão, estado civil ou um dos papéis que protagonizamos no dia-a-dia. Tem mais a ver com aquela "menina-moça" que sentia e respeitava suas vontades, seu jeito. Se a vontade de dar uma virada é daquelas de tirar o sono, que tal acompanhar a evolução acelerada da tecnologia e trocar algumas coisas com a rapidez com que se renovam os modelos de aparelhos de telefone celular? |
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