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Comportamento Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein “As primeiras semanas são esquisitas” Foi essa a frase afirmativa que uma amiga minha fez após me perguntar como estava indo a minha vida de casada. Se eu já tinha me adaptado? “As primeiras semanas são esquisitas” martelaram na minha cabeça como mais uma das fases comuns a todos os que passam pelo matrimônio, mas que não pode ser dita antes do cerimonial todo. Parei para pensar num comentário que fiz para uma tia sobre nada ser um conto-de-fadas, e depois, deixei bem claro para o meu marido que não era nada pessoal, de que os primeiros dias habitados na casa nova pós-casamento não são nada daquilo que os noivos escutavam sobre as maravilhas de dividir a vida a dois. Quando você chega na casa nova, descobre alguns
vazamentos de água, uns probleminhas deixados para trás
na reforma, um cachorro maledeto que late dia e noite sem parar, uma mala
cheia de roupas sujas da viagem de lua-de-mel, e pior, não se ajeita
de maneira alguma no novo habitat. Cortar o cordão umbilical também é difícil. De repente, seus pais, irmãos, cachorros, gatos e passarinhos não estão mais ao seu lado, de prontidão. Se o marido está no trabalho, você chega mais cedo e ouve a sua voz interior ecoando por todos os cômodos a procura de um ouvinte. O telefone demora a ser instalado, a vizinhança é desconhecida e mulher tem necessidade fisiológica de contar o que aconteceu no dia. E o homem quer chegar, tirar os sapatos, calçar as chinelas e relaxar em frente à TV. Equacionar as diferenças no começo requer um certo reconhecimento de área e análise árdua de todos os sinais de fumaça. Uma amiga disse ter chorado muitas vezes no primeiro ano de casamento por se achar uma péssima dona-de-casa perto das qualidades domésticas do marido. “Ele sabia cozinhar e eu sou até hoje uma negação na cozinha. É muito sistemático e perfeccionista, não pode ver uma poeirinha. Foi complicado, mas superamos muito bem. Estamos casados há vinte e cinco anos”, diz ela sempre sorrindo. Pensar no cardápio do jantar levando em consideração o que o marido gosta de comer é tarefa incumbida à mulher desde os tempos das cavernas e mudar isso não cabe a minha geração. Para a minha fome noturna, uma canja de galinha, um grelhadinho básico e uma salada são o suficiente. Outro dia, eu que não comia bife de fígado há mais de vinte anos, grelhei dois filés enormes e os dividi com o meu esposo carnívoro. Isso foi muito esquisito. Amar é muito estranho mesmo, como as primeiras semanas.
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