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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dicas, críticas ou sugestões!

Obsessão por pés

Eu já tinha lido sobre, ouvido falar e, sinceramente, achava o gosto pela coisa um tanto duvidoso, até o momento que aconteceu comigo.

Por ócios do oficio, freqüento muito o Shopping D&D, um dois points mais elitistas da decoração em São Paulo, se não dizer da América Latina. Estava eu no elevador, quando entra um rapaz, calvo, bem vestido, aparentemente não gay e me mede dos pés a cabeça.

Deu uma olhadela rápida e fixou num alvo: os meus pés. Justo na semana que não fiz as unhas. Pensei se ele estava analisando o modelo da minha sandália, se era algum expert em moda ou se era um desses loucos que se dizem obcecados por pés. Para mim isso é loucura mesmo. Uma certa disfunção sexual.

Gostar de pés invoca um certo masoquismo. Por mais lindos e bem tratados que sejam estão em permanente contato com um milhão de germes e bactérias que se alastram pelas calçadas, elevadores, corredores, ruas e todos os lugares do mundo.

Essa mania ganhou a denominação hipermoderna de podolatria. Sou totalmente cética nesse quesito, além de distribuir o peso para a sustentação do nosso corpo, de nos guiar por essas andanças ou corridas na vida, os pés servem como termômetro. Doem quando estamos cansadas, como um aviso de que está na hora de parar, relaxar. Formam bolhas, calos, joanetes e unhas encravadas quando são ofendidos por sapatos inapropriados. Sofrem até de casos mais graves de sudorese, que nos faz derrapar na sandália nos dias mais quentes do verão. E podem ainda gerar eternos combates na luta contra as frieiras e o chulé.

O fato de o meu pé ser observado com atenção por uma outra pessoa me deu uma certa repulsa. Não tem diferença nenhuma do cara ter os olhos fixos na sua bunda ou nos seios, a situação constrangedora é a mesma.

Têm mulheres que gostam de ter os seus pés adorados, algumas até arrumam namorados por causa disso ou ficam extasiadas de na hora H, quando os parceiros ficam por alguns instantes os admirando, beijando.
Notei que tem até uma senha, um sinal de alerta emitido por esses maníacos. Se a mulher notar que está sendo observada insistentemente e ruborizar, ele ataca e a primeira coisa que faz é mostrar-se um entendedor do assunto, elogiado os pesinhos da vítima.
Na Internet, encontrei uma lista de páginas sobre o assunto. Salas de bate-papo fechadas, grupos de discussão, comunidades, histórias reais, contos, sites de autores que lançaram livros sobre o tema, blogs e fotologs com várias imagens de pés. Tatuados, com unhas pintadas de vermelho, esmaltes clarinhos, escuros, cintilante por cima, por baixo, tamanhos do 34 ao 37, pés de famosas, anônimas, para todos os gostos e desgostos.

Em seus depoimentos, alguns homens falam abertamente do tesão que sentem por essa parte do corpo e como isso se tornou um pré-requisito importante de atração física e início de relações. É comum encontrar nessas colunas de classificados o anúncio “Homem procura mulheres que o façam adorar seus pés”, ou ainda os insinuantes “Adoro pés grandes, com dedos compridos, unhas feitas e com chulézinho azedo”, tem até os mais obscenos “adoro pés e estou doido para chupar, beijar, morder e gozar nos seus”.

As mulheres, ou melhor, todo ser humano, sente um prazer incrível ao ter os pés massageados. Segundo a medicina tradicional chinesa, com as técnicas de shiatsu, do-in e as mais modernas da reflexologia, todas as terminações nervosas e os meridianos energéticos têm pontos específicos nos nossos pés que precisam ser revitalizados a todo instante. Isso sim é uma maravilha. Sem dúvida, a massagem nos pés é uma forma, acima de tudo, de demonstrar amor pela pessoa que está ao seu lado.

Sinceramente a maioria das mulheres não é muito fã dos pés masculinos e são poucas as que gostam de beijá-los ou mordê-los. Mas gostam de observar os sapatos e acreditam que eles revelam muito sobre o asseio dos moçoilos.

 

 

 

 

 

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