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Comportamento

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dicas, críticas ou sugestões!

Somos todas a favor do beijo demorado


O famoso beijo na Times Square, em maio de 1945

Dois lábios quentes ou gelados, depois de um sorvete, se encontram e de um jeito ou de outro preenchem as bocas, entrelaçam as línguas, aproximam os corações ou outras partes do corpo. Lento, rápido, demorado, violento, superficial, apaixonado, envolvente, erótico, malicioso, o beijo bom pode ser aquele roubado, em que nem se perde tempo falando, quando já chega chegando.

Pode ser na trave, naquela fase quando ainda não se marca gol e ficam as expectativas para o próximo jogo. Com ou sem piercing, com olhos abertos ou fechados, mordidas e lambidas, no escuro ou no claro, que até parece um boxer - de tanta baba. Não importa os incidentes de percurso, nem se ele é amigo, ficante, namorado, caso, rolo, amante, noivo, aventura, passatempo ou marido.

O que interessa é gostar muito da boca e do beijo dele, sentir vontade de beijar sempre, mesmo depois de anos de casados, como se fosse uma coisa que você não pudesse ficar sem. E não pode mesmo, afinal quem vai massagear tão bem a sua boca a fim de prevenir as ruguinhas ao redor dos lábios? Quem vai beijar todo o seu corpo, mãos, pés - há loucos para tudo, pernas, pescoço, nuca, barriga, orelhas e as partes baixas e altas?

Autor do livro “Dossiê do Beijo: 484 Formas de se Beijar”, o jornalista Pedro Paulo Carneiro pesquisou ‘o beijo’ durante doze anos, em dezesseis mil entrevistas com gente de todos os estados brasileiros e de diversos países do mundo. Ele classificou diferentes tipos de beijo de acordo com a pressão, a respiração, a salivação, a posição da língua, a profundidade e o gestual.

Para Carneiro, o beijo é fundamental no dia-a-dia do casal. “É o termômetro do relacionamento, mais importante até do que o sexo. O verdadeiro beijo para acontecer precisa de afetividade. A falta de beijo numa relação quase sempre evidencia esfriamento”, fala.

Com o passar dos anos, alguns casais restringem o beijo mais caliente de língua apenas na hora da transa. “Às vezes, nem na hora do sexo. Na grande maioria, o beijo restringe-se ao tradicional selinho. A origem do selo (beijo selinho) remonta a Idade Média, quando senhores feudais "selavam" seus compromissos de troca através de um selo no outro senhor. Com o advento da peste, esse costume foi substituído pela imposição das mãos em papel, sinete do anel e posteriormente, documento com assinatura. Não é estranho que justamente “o beijo do compromisso” seja o mais recorrente. Para reverter essa situação, basta dar valor ao ato de beijar. Ter tempo real para namorar com beijos”, alerta Carneiro.

Nelma Penteado, professora de artes sensuais, integrante da Sociedade Brasileira de Sexualidade e autora do livro “Esposa-Amante”, divide a mesma opinião com Carneiro. “Para reverter isto, o casal deve criar o hábito de valorizar seus beijos, colocando beijos de cinema em reencontros, despedidas, momentos de carinho. Da mesma forma como aprenderam a deixar de beijar, podem aprender a beijar ‘muuuuito’ novamente”, garante a palestrante que ministra cursos por todo o Brasil para mulheres entre 18 e 72 anos.
“O toque também é fundamental na relação. A manutenção diária do toque, seja ele carinhoso ou sensual, é a melhor coisa que um casal pode fazer para manter a chama acesa e a afetividade em alta”, esclarece Nelma.

Segundo Carneiro, o toque com as mãos, com o braço, com os ombros, com as coxas, enfim, o toque é uma troca de energia, de intenção e integração entre os corpos. “Os toques, muitas vezes, são muito mais interessantes do que o próprio sexo em si. O que homens e mulheres precisam entender é que suas zonas de prazer não estão localizadas apenas em cinco regiões do corpo. Todo o corpo é uma zona de prazer e deve ser tocado com devoção, veemência, vontade, tesão, liberdade, carinho e principalmente, cumplicidade”, diz o pesquisador.

Como se comportam homens e mulheres?

Como já vimos, o beijo deve se tornar um hábito diário, assim como abraçar e pegar na mão. Precisa ser incorporado à rotina e testado de todas as maneiras possíveis e imagináveis.
As mulheres buscam afetividade nos relacionamentos, o tesão precisa ser temperado com muito carinho, criatividade e cumplicidade. Os homens em geral não esperam, já partem para o ataque. Por isso, falta ritual e isso é fundamental para reconquistar sempre a mesma mulher!

De acordo com Pedro Paulo Carneiro, o casal pode contribuir um com a auto-estima do outro dando valor aos detalhes, que muitas vezes passam despercebidos. “Criando rituais próprios do casal: abrir um vinho tinto sem hora marcada, roubar um beijo, uma transa inesperada, olhares de cumplicidade, dormir de conchinha, preparar um prato delicioso, recebê-la ou recebê-lo em casa com uma roupa provocante... Em suma, o céu é o limite”, afirma.

Nelma Penteado valoriza os elogios. “Elogiando o outro sempre que possível, reconhecendo o valor do outro, as realizações do outro e tomando atitudes que façam com que ele ou ela sinta-se valorizado, amado e admirado”. Carneiro acredita que a mídia e as relações banais expostas sobre a vida das celebridades prejudica em parte as relações atuais. “É fundamental criar sua própria relação diferente, estabelecer cumplicidade com o parceiro, e não deixar o relacionamento cair na mesmice. Aqui vai um conselho: Tirem a televisão do quarto”, finaliza.

 

 

 

 

 

 

 

 


O fotógrafo francês Robert Doisneau era especialista em captar momentos espontâneos dos parisienses. “Beijo no Hotel De Ville”.

 

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