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Angela Nelly Gomes, entre outras coisas, é jornalista e mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. Uma autêntica cabocla paraense apaixonada e curiosa por cinema! Mora em São Paulo há mais de 10 anos, mas vive sonhando com o dia em que vai dar a volta ao mundo, já que viajar também é outra de suas paixões.

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O Passado: a separação também pode ser parte de uma história

de amor?


Em “O Passado”, do diretor Hector Babenco, Gael García Bernal é o ator que vive o personagem central de uma história sobre separação, memória, amor e mulheres que amam demais. Tem participação especial de Paulo Autran, seu último trabalho no cinema

Foto: divulgação

“O Passado” conta a história de um jovem casal, Rimini e Sofia, que, depois de um casamento de 12 anos, tenta conduzir a separação de forma amigável. Mas como em se tratando de sentimentos, na prática, a teoria é sempre diferente, a separação não se estabelece, ou melhor, uma nova relação é estabelecida: uma relação pós-separação.  Afinal, como se livrar de tanta coisa vivida juntos? Como transformar tudo em memórias? Como se livrar do passado que insiste em continuar presente?  Com isso, o filme traça sua narrativa sobre separação, amor e excesso de amor.

Depois da separação, Rimini, interpretado pelo mexicano Gael García Bernal (Diários de Motocicleta), tenta levar a vida adiante. Sem conseguir cortar as amarras que o ligam ao passado, passa a viver pequenas tragédias. E Sofia, a ex-mulher, interpretada por Analía Couceyro, aparece como “orquestradora-mor” dessas tragédias.

Ao assistir a “O Passado”, a primeira tentação é enxergar um filme com um universo de mulheres ciumentas, obsessivas e solitárias, porque rejeitadas e mal amadas.  Mas é justamente a partir dessas personagens que se revela o protagonista masculino, o tradutor Rimini. Um personagem tão passivo que beira a covardia. Não consegue ter as rédeas de suas atitudes e, conseqüentemente, de sua vida. Vai sendo levado pelas ondas sentimentais, transformando-se em presa fácil de sua própria carência e fraqueza.

As personagens femininas são quase todas caricaturizadas, o que faz com que, em algum momento, o filme tenha mais cara de comédia do que de drama. Babenco não conseguiu abrir mão de personagens e cenas-clichês para mostrar que não eram as mulheres de Rimini que amavam demais. Ele é que amava de menos. Pelo menos, a si próprio.

“O Passado” é o filme de retorno às telas do diretor argentino naturalizado brasileiro, depois do sucesso de Carandiru. A película é baseada no livro homônimo do argentino Alan Pauls.

 

Texto de Angela Nelly Gomes, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.    

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Foto: divulgação

O Passado
Estreou em circuito nacional em 26/10/2007
Direção: Hector Babenco
Elenco: Gael García Bernal, Analia Couceyro, Ana Celentano, Moro Anghileri, Paulo Autran
Roteiro: Marta Góes e Hector Babenco

 

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