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Angela Nelly Gomes, entre outras coisas, é jornalista, mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo.Uma autêntica cabocla paraense apaixonada e curiosa, entre outras coisas, por cinema! Mora em São Paulo há mais de 10 anos, mas vive sonhando com o dia em que vai dar a volta ao mundo, já que viajar também é outra de suas paixões.

 

Sétima Arte

Colaboradora Amiga: Angela Nelly
Dicas, críticas ou sugestões!

Estreando com as mulheres de Almodóvar


Querida leitora, demorei, demorei, mas cá estou estreando com a tarefa de falarmos um pouco sobre cinema. Não sou crítica, apenas uma fã, um tanto curiosa e apaixonada pela sétima arte. Por isso, longe de mim querer fazer aqui crítica de filmes, pois nem teria autoridade para tanto!  Vou sim, ocupar este espaço para resenhas, dicas e “divagações” sobre filmes que julgo interessantes, que valham o preço do ingresso e o nosso tempo dispensado ao assisti-los, afinal, como está caro pegar um cineminha, hein?!
 
Ao receber o convite para estrear essa coluna, não pensei que fosse ser tão difícil começar. É que o cinema - e cada filme em particular - dá margem para muita discussão, sobre todos os ângulos possíveis. Então, fiquei pensando em escrever um texto de estréia sobre um filme bem, digamos, feminino.  Mas aí, me perguntei o quê exatamente, você leitora, vai considerar “feminino”? Sim, porque vamos combinar que qualquer filme com o Brad Pitt, Keanu Reeves, Denzel Washington, Johnny Deep, Leonardo di Caprio, enfim, - só pra ficar nos estrangeiros mais conhecidos e preferidos de 9 entre 10 mulheres - dependendo do ponto de vista, pode ser bem feminino, não?!
 
Mas para não injustiçar nenhum dos nossos mil preferidos do cinema estrangeiro ou nacional logo na estréia da coluna, decidi falar de Volver, do Pedro Almodóvar, que, embora tenha estreado em novembro do ano passado, continua quentinho, em cartaz e fazendo história.  É um filme que considero muito feminino por vários aspectos:

1) por ser de Pedro Almodóvar (roteiro e direção), que sabe melhor do que ninguém falar do universo feminino, de uma forma realista e hilária;
2) pela Penélope Cruz em sua melhor interpretação;
3) pelo elenco feminino brilhante que não deixa ninguém ser coadjuvante;
4) por falar de mulheres corajosas, lutadoras e sensíveis;
5) e também por falar sobre o que as mulheres mais gostam e o homens (dizem que) mais detestam: relacionamentos e intrigas!
 
Dito isso, “volvemos” ao filme
 
Volver é o 16º longa-metragem do polêmico diretor espanhol. Retrata três gerações de mulheres de uma mesma família originária da região de La Mancha, onde Almodóvar nasceu. Raimunda (Penélope Cruz) vive em Madri com o marido desempregado e a filha adolescente (Yohana Cobo). É irmã de Sole (Lola Dueñas), uma cabeleireira que tem um salão ilegal em casa e foi abandonada pelo marido. 
 
As duas são filhas de Irene (Carmen Maura), que morreu junto com o marido em um incêndio no vilarejo onde viviam e onde as filhas nasceram. A região é conhecida pelos fortes ventos que fazem incêndios serem comuns por ali. Raimunda e Sole têm uma tia velha e doente, a tia Paula (Chus Lampreave), a quem visitam com freqüência no vilarejo. A mãe Irene então, depois de anos dada como morta, reaparece para tentar resolver assuntos pendentes com Raimunda e com uma vizinha, Agustina (Blanca Portillo). Depois do susto inicial com a aparição, as filhas aceitam o fantasma como uma presença comum e reconfortante.   
 
Essas são, então, as mulheres que dominam todo o enredo do filme e enchem a tela com situações tão improváveis quanto possíveis. Raimunda lidera o grupo na pele da mulher exemplar: batalhadora, guerreira, sofrida, mas que não perde a feminilidade. Briga com o presente e com o passado, mas segue em frente de cabeça erguida. Sua maior preocupação é proteger a filha Paula, que também mostra que tem personalidade forte como a mãe. Sole é a irmã companheira que tenta compreender as amarguras da irmã. Seu mundo mostra um pouco da vida suburbana da Madri de Almodóvar, com o encontro das vizinhas que vão a sua casa em busca de seus serviços de cabeleireira. 

A mãe Irene, personagem que marca o retorno de Carmem Maura aos filmes de Almodóvar depois de 17 anos, mostra de onde veio a herança de personalidade de Raimunda. A amiga Agustina é a vizinha que todos queriam ter, pois, como disse o diretor, é uma homenagem a todas as vizinhas solidárias do mundo. Já a tia Paula, é uma “figuraça” em vida, cujo falecimento desencadeia as revelações da trama.
 
Todos personagens fortes, carregados de referências autobiográficas de Almodóvar, e representados com maestria por cada uma das atrizes.  Papéis que parecem criados para representar aquelas pessoas que conseguem encontrar beleza e esperança onde parece impossível que existam.  É um filme que obriga o espectador a alternar diferentes estados emocionais com as cenas dramáticas ou hilárias. A do peido é indescritível!  Ok, não vou contar!
 
O próprio Almodóvar afirma que Volver não é uma comédia surrealista, como muitos insistem em classificar, mas o que dizer de um filme que mostra personagens em situações absurdas de forma tão natural e realista? Mais que em seus outros filmes, em Volver ele parece mesclar com maestria a tristeza e a alegria do cotidiano, a dor e a delícia da vida como ela é.
 
Almodóvar é o tipo de cineasta que a gente ou ama ou odeia, mas que vale a ida ao cinema mesmo para quem não é fã. Portanto, se você não viu Volver, ainda dá tempo! Quem já viu, é um filme que vale “volver” ao cinema mais uma vez. Corra porque ainda há muitas salas exibindo a “película”.
 
Pra terminar, cara leitora, como não será fácil garimpar e eleger quem merecerá espaço aqui no clube com tanta coisa boa acontecendo no mundo do cinema, sugestões serão bem-vindas! Espero que curtam!

 
 

 

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