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Fontes:

Nichele Paulo
Filósofa Clínica - Terapeuta e Doutoranda em Filosofia da Mente
nichelefilos@brturbo.com.br

Floriano Serra
Psicólogo, diretor de RH e Qualidade de Vida da Apsen Farmacêutica e autor do livro "Não Basta Amar Bastante" (Editora Gente)
florianoserra@terra.com.br

Ana Edwiges Luz - Anadu
Psicoterapeuta e Orientadora Profissional
anadu@correionet.com.br

Suely Pavan
Psicóloga, psicodramatista. sócia-diretora da Pavan Desenvolvimento (Treinamento, Coaching de Talentos, Palestras, Avaliação de Potencial) e da Mele & Pavan Recrutamento e Seleção
suelypavan@uol.com.br.

Mercado de Trabalho

Escrito por: Maria Cláudia Aravecchia Klein
Dicas, críticas ou sugestões!

Mulher: Desafios no mercado de trabalho

O Clube da Calcinha recebeu os seguintes e-mails:

Amiga 1: "Por quê as mulheres após os 40 anos, com bagagem e experiência são cuspidas literalmente do mercado de trabalho? Sou uma profissional de vendas sem curso superior e aos 42 anos fui desligada da empresa na qual trabalhava há 9 anos. Foi muito difícil o meu reingresso no mercado. Quase em depressão, retornei a sala de aulas faço o curso para corretora de imóveis onde consegui estágio e estou trabalhando atualmente em uma imobiliária...esse assunto provavelmente irá contribuir para outras mulheres que passam pela mesma situação.

Chamo a atenção dos empresários, que estão deixando de contratar pessoas com garra e perseverança só porque o brilho da beleza dos 20 e poucos anos se tornaram opacos diante de muito trabalho e responsabilidades. Literalmente somos cuspidas do mercado, é lamentável. Sou uma balzaquiana de 45 anos, não tenho filhos, casada há 12 anos e com muita garra para o trabalho."

Amiga 2: "Tenho 32 anos, nunca trabalhei. Não tenho formação superior e agora, que meus filhos já estão com 5 e 7 anos, quero começar uma carreira e ajudar no orçamento doméstico, pois meu marido me cobra muito por não ajudá-lo. Não sei nem por onde começar. Estou desesperada".

É triste chegarmos a mais uma comemoração do dia 08 de março, lendo nos principais jornais e revistas do País algumas informações divulgadas por estudos, entre os quais, o desenvolvido pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), que a brasileira, por exemplo, ainda ganha 30% menos do que seus colegas do sexo oposto.

Outra pesquisa, realizada pela socióloga Adriana L. Domingos, mostra 20% das entrevistadas insatisfeitas por sofrerem algum tipo de discriminação profissional por serem mulheres. Para esclarecer este e outros e-mails de mulheres que enfrentam as mesmas dificuldades, o Clube da Calcinha consultou especialistas na área de Recursos Humanos e Psicologia: Nichele Paulo é filósofa clínica, terapeuta e doutoranda em Filosofia da Mente; Floriano Serra é psicólogo, diretor de RH e Qualidade de Vida da Apsen Farmacêutica, eleita por dois anos consecutivos (2004 e 2005) uma das Melhores Empresas do Brasil para a Mulher Trabalhar (Guia Exame e Você S/A), autor do livro "Não Basta Amar Bastante" (Editora Gente); Ana Edwiges Luz Egydio (Anadu) é psicóloga formada pela PUCCAMP. Especialista em psicodrama e orientação profissional. Trabalhou no Grupo Catho, Carrefour, Grupo Pão de Açúcar, Coca-cola e Asde Assessoria. Além de ser professora de RH no centro de pós-graduação das Faculdades Integradas IPEP; Suely Pavan é psicóloga, psicodramatista. sócia-diretora da Pavan Desenvolvimento (Treinamento, Coaching de Talentos, Palestras, Avaliação de Potencial) e da Mele & Pavan Recrutamento e Seleção.

Clube da Calcinha: Qual o maior problema enfrentado pelas mulheres com mais de trinta anos que dedicaram-se aos filhos e a formação da família e pretendem ingressar tardiamente no mercado de trabalho?

Floriano Serra: Infelizmente o mercado de trabalho tem muitos preconceitos: a idade é um deles. Hoje as portas começam a se fechar para quem apenas passou dos 30 anos, seja homem ou mulher. Em alguns casos, a discriminação também atinge mulheres casadas - sobretudo se tiverem filhos. Penso que o recomendável é buscar uma formação que lhe dê autonomia de escolha de atuação profissional, ou seja, que não dependesse de empresas. Exemplos: medicina, psicologia, direito e outras que a permitirão ter seu negócio próprio. Se fizer administração de empresas, economia, serviço social vai sempre depender de uma relação de trabalho, como assalariada.

Suely Pavan: Este tema, de reingresso no mercado de trabalho atual, não é um problema só feminino. Infelizmente muita gente se sente discriminada por ter mais de 35 anos. A maioria das vagas existentes no mercado solicita pessoas jovens, recém formadas e com vários cursos. Na minha opinião este deveria ser um direito das mulheres, ou seja, poderiam começar suas carreiras assim que cuidassem dos filhos pequenos, porém, isto ainda não é uma realidade. Há uma preocupação mundial com o envelhecimento da população, que é um fato, a Europa, por exemplo, já começou a se preparar em termos de novas políticas de Recursos Humanos para lidar com esta tendência. Aqui no Brasil isso ainda não ocorre.

Clube da Calcinha: Como começar? É recomendado fazer um teste vocacional?

Anadu: Quando o jovem termina o Ensino Médio, é natural que entre em conflito pelo fato de tudo ser novo para ele. Acredito que pessoas com mais de trinta anos já tenham algo em mente, como por exemplo: "gostaria de ser professora, administradora, cabeleireira, enfim, apesar de estar fora do mercado como profissional, interage com ele e com uma atuação mais rica do que um jovem. Mas se, de fato, persistirem as dúvidas, seria interessante fazer um teste vocacional, que é oferecido por algumas escolas ou por profissionais autônomos. Na minha opinião, o maior problema, na maioria dos casos é justamente não saber por onde começar. O primeiro passo é tomar consciência de suas próprias potencialidades, habilidades, competências, enfim, seus talentos. É interessante conversar com profissionais que exercem a carreira pela qual tem interesse e ouvir suas opiniões, melhor ainda se puder conhecer o ambiente de trabalho e as atividades. É importante lembrar que o trabalho para ambos os sexos depende da demanda do mercado e de suas qualificações para atendê-la. Pesquisar sobre as profissões em ascensão pode ser útil nesse momento.

Suely: Teste vocacionais estão em desuso, o melhor é partir para uma assessoria que enxergue não só o lado profissional, mas também toda a vida da pessoa, o que eu chamo de coaching holístico. O foco do lado profissional deve garantir os talentos que a pessoa tem e não as profissões nas quais julga se encaixar. Pensar em profissões é ver o trabalho de forma restrita. Quando uma pessoa conhece os seus talentos consegue dimensionar não só sua carreira, como também sua vida, pois ganha auto-estima e começa a lidar de forma mais saudável com as restrições do mercado. Começa a enxergar possibilidades e não só restrições. Portanto, o ponto de partida é este: Conhecer-se! Quem se conhece não fica oscilando nas demandas do mercado.

Clube da Calcinha: O que o ingresso tardio na faculdade pode gerar na vida dessa mulher? É positivo pela escolha da profissão ser mais madura?

Nichele: Esse ingresso tardio pode ter suas vantagens, como inúmeras experiências vividas, que os jovens ainda não tiveram, maturidade e responsabilidade na escolha do curso, resultando num melhor aproveitamento. Hoje, nas universidades do País, dentro das salas de aula, existe uma mescla de idades. Muitas pessoas entenderam que para se manter no mercado teriam que voltar a estudar. Isso é muito interessante pela troca de experiências, tanto entre os alunos como com os professores. Tenho uma aluna que aos 60 anos fez supletivo de 1º e 2º grau, fez vestibular para Filosofia, cursou 4 anos e formou-se, atualmente está no curso de pós-graduação em Filosofia Clínica com duração de 2 anos. Isso aos 72 anos. Olhando este e outros exemplos, poderíamos dizer que não existe idade para começar ou recomeçar.

Floriano Serra: Vejo muito mais vantagens do que desvantagens. Ela própria, pela maturidade, vai encarar os estudos com mais seriedade do que os mais jovens costumam fazer. Professores e colegas vão tratá-la com mais consideração, também pela mesma maturidade, tornando o relacionamento muito mais harmonioso e produtivo. Além disso, para a maioria das profissões, sobretudo aquelas no campo da saúde (sem nenhum preconceito para com os mais jovens), a idade madura ajuda pra caramba, porque alia o conhecimento acadêmico com a experiencia de vida - muitas vezes mais importante. Porém, ao tomar a decisão de retomar os estudos, o único risco de problemas, infelizmente está na sua própria casa, especificamente na relação com o parceiro: ciúmes, medo de competição, machismo etc.

Clube da Calcinha: Então, antes de escolher o curso, é melhor ter contato com a profissão?

Nichele: Hoje, alguns cursinhos já proporcionam aos alunos essa interação. Conhecer na prática aquilo que se deseja realizar é interessante para evitar a decepção que pode surgir depois de se cursar um ano. Perceber que não era aquilo que se queria, porque, além do finaceiro, isso acarretaria um desgaste emocional. Seria muito interessante se as universidades pudessem proporcionar esta experiência ao candidato. Tenho certeza que os cursos teriam um melhor aproveitamento.

Clube da Calcinha: Como procurar emprego, se não tem experiência profissional?

Suely: Através da rede de amigos e contatos. Hoje em dia a maioria das vagas são preenchidas desta forma! Por este motivo a auto-confiança é fundamental! Não dá para vender ao outro nossa intenção e desejo se não acreditarmos nele.

Clube da Calcinha: Como formatar um CV? O que ela deve fazer no caso de optar pela atuação como autonôma?

Floriano Serra: No caso do CV, basta pedir a amigos e conhecidos que forneçam modelos que têm nas suas empresas. Geralmente o RH (departamento de Recursos Humanos) fornece esses modelos. Além disso, na Internet há muitos artigos e livros dando essa orientação. Quanto à segunda pergunta, ela deve procurar orientações no SEBRAE, conversar com autônomos que deram certo e PRINCIPALMENTE apresentar-se ao mercado, através de artigos, palestras, cursos e livros.

Nichele: Hoje, com a ajuda da Internet, tudo fica facilitado. Além do que, existem profissionais que fazem Curriculum Vitae. A tendência do mercado é deixar de existir emprego, cada vez mais as empresas terceirizam os serviços. O que o mercado está oferecendo é trabalho. Portanto, hoje a palavra é "parceria". O ideal seria procurar alguém que já esteja atuando no mercado ou que queira atuar no mesmo ramo e fazer parceria.

Clube da Calcinha: O maior problema apontado pela leitora é lidar com a sua baixa auto-estima. Ela está totalmente desacreditada em relação ao início dessa nova jornada. O que você aconselha?

Anadu: Atividades autônomas e mercado informal integram o campo do empreendedorismo e têm sido uma opção para as mulheres que precisam reingressar no mercado de trabalho. Porém, seja qual for o ramo é se preparar no sentido de atender a demanda de mercado. O SEBRAE, por exemplo, mantém cursos interessantes para quem pretende abraçar uma carreira empreendedora. No entanto, a maior barreira, muitas vezes não se localiza no exterior da mulher madura, mas sim em seu interior. É necessário que acredite em si mesma e redescubra suas potencialidades, desperte sua criatividade e parta para a ação sem ficar pensando por muito tempo. Essa jornada pode ser longa ou pode ser curta, não importa, o importante é o seu crescimento e sua realização pessoal e profissional. Se sentir dificuldades que a façam ficar paralisada, procure a ajuda de especialistas, que podem ajudar a reencontrar suas qualidades e levantar a sua auto-estima.

Nichele: Neste caso seria interessante buscar ajuda com um profissional para que possa melhorar sua auto-estima. Dialogar neste momento é a melhor escolha. É natural que sinta-se desmotivada pelo fato de estar fora do mercado de trabalho profissional. Mas tudo na vida tem um começo e a primeira coisa a fazer é a escolha adequada do curso e da profissão em que pretende atuar, lembrando o quanto é importante fazer o que se gosta e não optar simplesmente pela tendência do mercado. Segundo momento, acreditar no seu potencial; e terceiro momento, ser persistente, ter paciência. Todos nós ouvimos muitos "nãos", mas temos que ter presente que isso não significa rejeição, mas escolhas que as empresas fazem em relação ao que é mais adequado ou conveniente para elas. Ouvir um "não" pode auxiliar no crescimento pessoal e profissional, talvez isso leve a mudar os caminhos, buscar novos conhecimentos, abrindo-se para outras alternativas. Gostaria também de acrescentar, que fazer uma faculdade não é garantia de emprego, muitas vezes um curso bem escolhido poderá proporcionar resultados mais rápidos e positivos tanto a nivel profissional como pessoal. O importante é buscar a realização profissional. Quanto maior o conhecimento maior as possibilidades. Nunca é tarde para começar ou recomeçar. Lembrem-se: A idade está na nossa mente e quanto mais ocupada mantivermos nossa mente, mais ela entenderá que temos um longo caminho a seguir. Se não puder cursar uma Universidade, faça um curso ou algo que tenha afinidade, agregue conhecimento. Assim, voltará a conectar-se novamente com a vida!

 

 

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