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Crises de enxaqueca ou dor de cabeça constante? O problema pode estar no anticoncepcional

Pacientes podem desenvolver crises pontuais no período menstrual devido à interferência de hormônios femininos como o estrogênio, frequentemente presente nos contraceptivos de uso oral

As crises de enxaqueca da mulher habitualmente se iniciam na adolescência, exatamente quando os hormônios femininos começam a ganhar força e alterar suas funções metabólicas. O que acontece é que, na maioria das mulheres, é justamente no período do mês em que os sintomas da menstruação começam a aparecer que as dores de cabeça também se intensificam.

Estudos comprovam que aproximadamente 60% das mulheres com enxaqueca relatam dor de cabeça nos ciclos menstruais, sendo que cerca de 30% têm crises em todas as suas menstruações regularmente, especialmente dois ou três dias antes do ciclo menstrual ou no primeiro dia de início da menstruação. A explicação está no hormônio feminino estrogênio, cujas taxas se elevam durante a menstruação.

Da mesma forma que os hormônios próprios da mulher podem influenciar agravando a enxaqueca, os anticoncepcionais ou as terapias de reposição hormonal também costumam aumentar os sintomas da doença. Em muitos casos, mulheres que nunca tiveram enxaqueca passam a desenvolvê-la assim que iniciam o uso de anticoncepcionais, especialmente os de ingestão oral. O problema se deve à formulação mais frequentemente utilizada nesse tipo de anticoncepcional, baseada em uma combinação de estrogênio e progesterona, elementos prejudiciais para a mulher que sofre de enxaqueca.

Para quem já sofria com a doença, a piora das crises com o uso dos contraceptivos orais é muito mais comum do que se imagina. Apesar de adesivos transdérmicos, anéis vaginais e implantes subdérmicos começarem a chegar ao mercado brasileiro de contracepção, o método mais comum ainda é o dos comprimidos. Assim, os ataques da enxaqueca em mulheres que consomem anticoncepcionais com base em estrogênio e progesterona tendem a piorar em termos de frequência, ou seja, são mais dias com dores constantes, e intensidade, passando de dor moderada para forte.

Os dias da menstruação, exatamente quando se suspende o uso do medicamento, são aqueles em que as dores de cabeça e enxaquecas costumam chegar com força total. Isso acontece justamente porque a diminuição dos níveis de estrogênio acaba levando a mulher a uma espécie de “crise de abstinência” que, somada às alterações hormonais constantes nesse período, faz com que as dores aumentem.

E é bom ficar atenta: em alguns casos, a combinação de contraceptivos orais e enxaqueca pode, inclusive, ser fatal. Estudos sugerem que a cefaleia está associada também ao aumento do risco de doença cerebrovascular, o famoso derrame, risco esse que pode ser elevado pelo uso dos anticoncepcionais. Ele é aumentado quando a mulher apresenta enxaqueca com aura, ou seja, aquela acompanhada de alterações visuais, formigamentos ou alterações na fala, de modo que, nesses casos, a Sociedade Internacional de Cefaleia desaconselha o uso das pílulas anticoncepcionais. Outros fatores também aumentam esse tipo de incidência, com especial destaque para o fumo, a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

Dra. Carla Jevoux – neurologista – Rio de Janeiro
www.carlajevoux.com.br

Sexo pós-gravidez: paciência, tudo irá melhorar!

Noites em claro, choro do bebê, seios cheios de leite, hormônios a mil por hora e a libido vai ficando a quilômetros de distância, além do que o marido enfrenta aquela ‘seca’ de dar dó. Isso tudo é muito comum e acomete muitas mulheres que acabaram de ter seus bebês.

O desejo sexual muda muito nas diferentes fases da gravidez. No primeiro e no terceiro trimestres, há uma diminuição do desejo e da atividade sexual. No segundo trimestre, há um aumento do apetite sexual das mulheres.

Não há como negar que a chegada de um bebê altera, e muito, a rotina de qualquer casal. Em muitas vezes, as mudanças começam ainda no período da gestação. A expectativa com a chegada de um novo integrante na família, as mudanças hormonais e físicas da mulher, as dúvidas e as angústias são alguns dos fatores que influenciam a vida sexual dos futuros pais. De acordo com a ginecologista Rosa Maria Neme, o desejo sexual muda muito nas diferentes fases da gravidez. No primeiro e no terceiro trimestres, há uma diminuição do desejo e da atividade sexual. No segundo trimestre, há um aumento do apetite sexual das mulheres. “Só que nessa fase, em geral, os próprios parceiros têm receio em ter relações, por medo de machucar o bebê. Porém eles precisam ser informados de que não há perigo algum em ocorrer qualquer problema se tiverem relações sexuais com suas mulheres, desde que não haja contra-indicações médicas. Além disso, os casais podem ter relações sexuais até a fase do parto, contanto que a gestante não se sinta incomodada pelo peso da barriga”, explica.

Mas, geralmente, depois que o bebê nasce os “problemas” relacionados ao sexo ficam mais evidentes. Afinal, quem consegue pensar “naquilo” ficando noites sem dormir, tendo de amamentar de hora em hora? Os primeiros meses são realmente difíceis, já que a adaptação a essa nova vida leva certo tempo. E por falar em tempo, esse sim “desaparece” da noite para o dia. Com isso, deixamos tudo de lado para cuidarmos do (a) pequeno (a) rebento (a) e, quando sobra “aquele” tempinho precioso, só pensamos em… descansar e dormir!

Sendo assim, a sexualidade fica naturalmente de lado. “Isto é normal acontecer, principalmente com as mulheres que amamentam. O hormônio que estimula a formação e a ejeção do leite da mama diminui a produção de testosterona no corpo da mulher, reduzindo, consequentemente, a libido. Além disso, a mulher, após o nascimento do bebê, tende a ficar mais cansada pelo ritmo de vida diferente”, revela Rosa Maria Neme.

Segundo a ginecologista e sexóloga Ângela Carvalho, este momento não é fácil para o casal, especialmente para a mulher. Ela aconselha que o parceiro participe dessa rotina, pois, assim, poderá compreender melhor essa fase de grandes mudanças e terá a oportunidade de ajudar e participar da vida do bebê. “Quando a nova mamãe tem a colaboração e a compreensão do companheiro, terá melhores condições de administrar o pouco tempo que lhe resta disponível”, diz.

Entretanto, é importante que ambos, principalmente o parceiro, compreendam que a falta de libido da mulher ocorre em função da alteração hormonal. “Idealmente isto deve ser abordado pelo médico obstetra na frente do marido, mostrando que não se trata apenas de uma “má vontade” da mulher em ter relações e que o problema é realmente fisiológico. Além disso, a mulher deve conversar com o parceiro sobre isto”, ressalta Rosa Maria Neme.

Para a sexóloga Ângela Carvalho, esse entendimento deverá ser buscado desde a gestação, com participação do casal nos cursos de gestante, leituras e muito diálogo. “O marido envolvido com a gestação compreenderá melhor essas mudanças”, analisa.

Por isso, se seu parceiro está desesperado para saber quando irá terminar esse período de “secura”, pode tranquilizá-lo. Normalmente, tudo tende a melhorar quando a mulher para de amamentar. “A paciência é a alma do negócio. O retorno à vida sexual estará permitido depois de 40 dias do nascimento do bebê e deverá ser gradativo, com romantismo, carinho e planejamento do momento ideal para as relações. Fazer sexo, quando o bebê mamou há duas horas, será frustrante, pois, com certeza, haverá choro de fome durante o ‘ato’, o que acabará com a excitação de ambos, mas especialmente da mamãe”, adverte a sexóloga. E complementa: “Além do que já mencionei, é importante evitar perder tempo com programas de televisão, com o uso de computador ou na arrumação de casa. Quando o bebê dormir é hora de relax; muitas vezes um banho junto é excitante, e nem sempre há necessidade de as carícias terminarem em penetração. Vale aproveitar esses momentos para  trocar carinhos e palavras de sedução”.

Rosa Maria Neme observa ainda que, para tentar resolver este problema, é possível recorrer a medicamentos naturais que podem ajudar na elevação da libido e praticar exercícios físicos, que melhoram a sensação de cansaço e aumentam um pouco a produção da testosterona.

Fontes consultadas:

Ângela Carvalho (CRM 11060).
Endereço: Rua XV de Novembro, 2913, Alto da XV, Curitiba, PR.
Tel.: (41) 3026-4994. angelacarvalho@onda.com.br;

Rosa Maria Neme (CRM-SP 87844): www.endometriosesp.com.br.

Por Kelen Trevisan

Exame pré-nupcial

As preocupações e “tarefas” que envolvem o casamento vão muito além da cerimônia e das festas. É preciso deixar um pouco de lado o conto de fadas e pensar em coisas práticas que vão interferir no resto da vida do casal. O exame pré-nupcial é fundamental para assegurar que ambos estão bem e garantir a saúde dos futuros filhotes. Neste mês, nossa colunista Márcia Possik que vai além dos detalhes da cerimônia fala sobre a importância desses exames e conta o que é preciso fazer: “Tão importantes quanto os detalhes da cerimônia, os exames que precedem o casamento são uma garantia para os noivos, pois são por meio deles que se diagnosticam doenças, tratáveis ou não, que possam interferir na vida sexual ou em futuras gestações”, diz a consultora de casamentos.

Higiene íntima deve ser incorporada aos cuidados diários da mulher

Você já parou para pensar no quanto as suas roupas podem favorecer a sua boa saúde íntima? E, já parou para avaliar também nas mudanças no corpo da mulher decorrentes dos hábitos modernos e dos novos papéis que desempenhamos diariamente? 

Tudo parece muito óbvio, lógico que tiveram mudanças, mas por mais que sejamos esclarecidas, todas nós, que passamos horas na frente de um micro ou sentadas, executando as mais diferentes tarefas, esquecemos que nosso corpo sofre ‘e muito’ com a repetição das posições e dos esforços diários. Sem contar nos apertões que nos submetemos com as calças demasiadamente justas e agarradas, o uso excessivo de tecidos sintéticos e a depilação constante com ceras dos mais diferentes tipos e temperaturas. 

Interessadas no assunto e cheias de dúvidas, participamos da coletiva de imprensa promovida pela Sanofi-Aventis, no delicioso restaurante Capim Santo, em São Paulo, para conhecer o ‘Guia de condutas sobre higiene íntima’, lançado pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), com o principal objetivo de levar mais informação acadêmica sobre o tema para os consultórios de ginecologistas e obstetras.   

Foi super bacana saber que esses fatores ‘da vida da mulher moderna’, aliados ao excesso ou a falta de higiene, ao uso de papéis higiênicos de baixa qualidade, o abuso de espermicidas e de absorventes plásticos externos ou internos, entre outros, ajudam a irritar a pele da região íntima, alterando até o pH (o normal varia entre 4,0 e 5,5), o que favorece o aumento de infecções, corrimentos etc. 

Foi bom saber também que os ‘doutores pesquisadores da área’ estão desenvolvendo estudos até para saber qual a melhor frequência sexual, ou seja, o número de vezes mais indicado para a prática de sexo durante uma semana, que pode nos deixar mais ou menos imunes aos ‘negativos’ microorganismos.  Bem curioso, não? 

Do bate-papo, tiramos algumas dicas bem bacanas que podem contribuir para sua saúde. Vamos lá: 

- os sabonetes líquidos hipoalergênicos e próprios para as regiões íntimas são os mais indicados. Prefira os sem fragrâncias ou com aromas mais suaves, que reduzem a chance de ocorrência de alergias de qualquer tipo; 

- com pH ácido (entre 4,2-5,6) e que produzam pouca espuma; 

- como no Brasil nosso clima é quente, lave a região íntima de 1 a 3 vezes por dia. Caso isso não seja possível, leve um pacote de lenços umedecidos (também formulados para a higiene dessas partes baixas) na bolsa; 

- após o banho, seque a ‘vulva’ (parte externa da vagina) e os pequenos e os grandes lábios muito bem com uma toalha macia;  

- capriche na depilação (uma vez que o excesso de pelos pode contribuir para o acúmulo de resíduos e impurezas), porém, com menos frequência e sem exageros. É fundamental hidratar a pele após a depilação, com soro fisiológico, chá de camomila ou água boricada nas primeiras 24 horas; 

- na hora que estiver passando o hidratante pelo corpo, lembre de hidratar as regiões íntimas com hidratantes não oleosos. Dê preferência aos produtos hipoalergênicos; 

- absorventes externos com película plástica tendem a abafar a região e não deixam a pele respirar, o que contribui para a proliferação de bactérias. Prefira os absorventes com aquela manta furadinha de papel transparente em baixo, troque o absorvente de quatro em quatro horas, procure lavar a região mais vezes ao dia ou limpá-la com lenços umedecidos e não abuse do uso prolongado de absorventes internos;  

- na hora de dormir, use roupas largas e confortáveis para aumentar a ventilação na região genital; 

- logo após a academia ou a prática de qualquer atividade física, é recomendado fazer a higiene íntima para evitar que o excesso de suor irrite a pele; 

* E o mais importante: o algodão ainda é o tecido mais recomendado pelos médicos para compor o forrinho das calcinhas, porém, como ele retém mais sabão na hora da lavagem, vale a pena dar mais atenção ao enxague dessas peças na hora de lavar a roupa. A microfibra foi apontada como uma boa alternativa também, principalmente por reter menos resíduo de sabão. Nossa dica: opte pelo sabão de coco na hora de lavar as roupas íntimas, ele causa menos alergias, além de preservar a estrutura dos tecidos. 

Veja abaixo o folheto que será distribuído nos consultórios pelos ginecologistas e os palestrantes tirando algumas das dúvidas das jornalistas na coletiva de imprensa: