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Danielle Motta
é jornalista, brasileira e, desde outubro de 2006, mora no Canadá.
É nossa consultora-amiga e correspondente internacional.

 

Uma brasileira no Canadá

Colunista-amiga e correspondente internacional
diretamente do Canadá Danielle Motta
Dicas, críticas e sugestões!


Que venham as flores!


Acabou! Nem acredito que posso dizer que o inverno se foi. Foram quase seis meses de expectativa, esperando que o frio desse uma trégua para que eu pudesse sair de casa sem usar casacos imensos e pesados e para que estreasse minhas jaquetas tipicamente brasileiras, que não foram capazes de suportar o clima daqui.

Ah… é primavera!!! E para me deixar mais feliz ainda, além do adeus às temperaturas baixas, também posso comemorar o descanso que as chuvas deram nessas últimas semanas.

Como nem tudo é perfeito, apesar de Vancouver não ter um inverno tão drástico como o restante do país, a chuva é constante (leia-se, diariamente!) durante os meses de outubro a março, mas diminui bastante a partir de abril. Sem estar exagerando, dá para contar nos dedos das mãos quantos dias de céu azul tiveram até o início da primavera, pois, se não estava chovendo - o que era difícil -, estava totalmente nublado. Os canadenses que vivem nas outras regiões até costumam fazer brincadeiras, chamando Vancouver de “Raincouver” ou de “Wet Coast” (em vez de West Coast).

Outra novidade trazida com a mudança da estação é a duração do dia. Quando cheguei aqui, tive de me acostumar com a idéia de ver minha “noite” começando lá pelas quatro da tarde. É incrível como o corpo sente a diferença. A sensação de cansaço, de desânimo e a vontade de dormir predominam. Em compensação, agora, o dia escurece às 21 horas e ele tende a ficar mais longo nos próximos meses, chegando a anoitecer às 22 horas. Com todas essas transformações climáticas, estou com energia de sobra e não consigo ficar presa dentro de casa. Adoro perder horas caminhando pelas ruas, sentindo o calorzinho batendo no meu rosto e, principalmente, admirar os jardins que já estão repletos de flores. Aliás, essa é a melhor parte da primavera!!!

Por onde se anda, elas já estão dando uma cara nova à cidade: umas abertas, outras mais ou menos ou, ainda, como pequenos botões, e em diversas cores, tamanhos… Em quase todas as casas, há sempre um jardim para dar vida ao gramado verde que se estende ao lado das calçadas (a maioria das residências não tem grades e fica totalmente exposta às ruas). As minhas favoritas são as tulipas. Por se adaptarem bem ao clima, elas são muito comuns por aqui, e é difícil escolher qual a cor mais bonita!

Já dá até para ter uma prévia de como deve ser o verão canadense. É unânime entre os Vancouverites - nome dado aos moradores de Vancouver – a idéia de que é uma estação perfeita, pois não chove, o céu fica constantemente azul e ainda faz um calorzinho agradável. Eles passam o ano todo esperando por isso. Dizem que a cidade se transforma, pois as pessoas saem para fazer atividades físicas ao ar livre, além, é claro, do número imenso de turistas que chegam diariamente em cruzeiros.

São exatamente esses contrastes climáticos que fazem de Vancouver uma cidade apaixonante. No inverno, pode-se aproveitar o potencial turístico do frio nas estações de esqui, como Grouse Mountain, Cypress, Seymour e a famosa vila de Whistler - considerada a segunda maior área esquiável do mundo e que será um dos palcos dos Jogos Olímpicos de 2010. Todas elas são de fácil acesso e disponibilizam, para aluguel, os equipamentos necessários para a prática dos esportes. Só o preço que não agrada tanto, por isso, não dá para ir sempre.

Já no verão, os points são as praias e os parques. Como Vancouver fica na costa do Pacífico, a cidade tem muitas praias e é até possível encarar a idéia de entrar na água. Falam que elas ficam lotadas nos dias mais quentes. Quanto aos parques, pode-se dizer que há, pelo menos, um em cada bairro e quase todos contam com áreas de lazer para caminhadas, para andar de bicicleta e patins, para piqueniques ou mesmo para sentar e ficar contemplando a beleza da natureza canadense. Eu não resisto à oportunidade de visitá-los.

Por isso, se alguém me perguntasse qual a melhor época para vir a Vancouver, meu conselho seria entre o final do mês de março e começo de abril. Nesse período, ainda é possível aproveitar um pouco da temporada de esqui (que, aqui, termina em meados de abril) e já começar a sentir o que o verão tem para oferecer. Eu mesma, em uma única semana, tive a oportunidade de ir testar minhas horríveis habilidades com esquis nas montanhas de Cypress - há cerca de 30 minutos do centro de Vancouver, onde ainda era possível ver a neve caindo - e, três dias depois, passear pelas areias de Kitsilano Beach e English Bay e tirar fotos maravilhosas, com um céu perfeito e a uma temperatura de uns 12 graus.

Texto de Danielle Motta , com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal. 




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Victoria: a cidade onde é sempre primavera!

É impossível deixar de falar da doce e encantadora capital da província de British Columbia (onde fica Vancouver) em tempos de primavera. A cidade, que tem cerca de 78 mil habitantes, é conhecida como Garden City e, só por esse título, já dá para ter uma noção do que se espera encontrar por lá: muitas, mais muitas flores!

Fiquei esperando a entrada da nova estação para conhecê-la e me apaixonei. É um passeio inevitável para quem vem a Vancouver. Só o caminho para chegar a Victoria já vale bastante. Como ela fica na Ilha de Vancouver, é preciso, em uma das etapas do trajeto, pegar um ferry (uma balsa de luxo com direito a restaurantes, televisão, acesso wireless à Internet e até orelhões!), que atravessa, durante uma hora e meia, uma paisagem repleta de pequenas ilhas e um céu que nem parece ser real, de tão bonito. Dizem que, se der sorte, ainda é possível assistir a um espetáculo de baleias, que ficam mais próximas da costa durante o verão. Em Victoria mesmo, há muitos passeios que levam turistas a pontos de apreciação desses exóticos animais.

Andando pelas ruas da cidade, a sensação que tive foi a de ter voltado alguns anos na história. Acho que a mistura entre o moderno e o rústico criam um clima especial na cidade, um cenário bem romântico.

Os bares ficam lotados de pessoas que vão tomar o famoso chá da tarde, talvez uma tradição herdada dos britânicos, um dos colonizadores da região. Ao anoitecer, as luzes do British Columbia Legislative Building se acendem, modelando toda a estrutura do prédio e refletindo-o nas águas do Inner Harbour (uma espécie de baía que fica no centro de Victoria).

Mas foi a visita ao Craigdarroch Castle, um castelo construído em 1890, o que mais me impressionou. Fiquei um tempão sentada, olhando para ele, tentando imaginar como a vida, há mais de um século, deveria ter sido tão diferente do que aquele momento em que eu estava ali: apenas um silêncio inspirador e uma brisa gostosa que batia no rosto.

Não tive tempo para conhecer os Butchart Gardens, um dos maiores jardins do mundo, com mais de 100 anos de história, mas indico para quem for à Victoria. E quero voltar para conhecê-lo!

Outros locais como o The Fairmont Empress, o Royal London Wax Museum (um museu de cera), o Miniature World, o Royal BC Museum e mais uma infinidade de jardins também fazem parte do roteiro imperdível de Victoria. Como a cidade não é muito grande, dois dias são suficientes para conhecer e se encantar por este pedacinho de paraíso escondido no Canadá.

 

 

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