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Uma brasileira na França Consultora Amiga e correspondente internacional:
Mamães brasileiras na França
Gostaria de homenagear um grupo de mães em especial. São mamães brasileiras que vivem na França. Cheguei a este grupo por necessidade de uma “luz no fim do túnel”, para adaptar-me ao país, e descobri histórias formidáveis, mulheres magníficas e mães maravilhosas. São pessoas que vieram à França por diferentes motivos: amor, trabalho, busca de qualidade de vida ou por acaso. São mães zelosas que buscam inserir na vida dos filhos a língua e a cultura brasileiras, que se engajam em ONG’s, como Luciana Melo, que está à frente do movimento “Brasileirinho Apátridas em Paris”, na luta contra o projeto de lei que tira o direito da nacionalidade brasileira a filhos de brasileiros não residentes no país, antes dos seus 18 anos. Este fato, aliás, inquieta muitas mães, mas elas dizem que não interferirão na escolha dos filhos em relação à nacionalidade, até quando chegar a hora. Segundo as leis de ambos os países, as crianças terão dupla nacionalidade até os 18 anos, quando deverão escolher entre uma delas. Mas, para que isso aconteça, elas deverão morar no país de escolha desde os 17 anos. São mães que sofrem ao chegar num país estranho com filho no colo, como Catarina, que acompanhou seu marido que veio trabalhar na França. Conta ela que, durante algum tempo, só comprava o que conseguia ler, pois não sabia falar o francês. E, como ela, tantas outras mamães brasileiras desconhecidas enfrentam este mesmo problema, como Fabiana Barros, que, além de lidar com a diversidade cultural e a língua, ainda enfrentou problemas com a morosidade dos órgãos públicos franceses. Mulheres que abdicaram da sua carreira para serem mães, como Fabiana, advogada com MBA em administração, Patrícia, engenheira, Catarina, Janaína... e tantas outras que hoje não exercem mais a profissão, mas dedicam-se a outras atividades, principalmente, ser mãe. Mães que são “antenadas” no Brasil, que buscam contato com o país de origem, incentivam seus filhos a não serem cidadãos franceses, mas cidadãos do mundo, convivendo com o que cada nação tem de bom. Como Janaína que, desde que encontrou uma revista em quadrinhos no quarto do pai, ficou fascinada pela França e quis morar no país. Hoje, é casada com um polonês, vive na França há seis anos, tem um rapazinho de três anos e diz que sempre vai ao Brasil. “Tenho que ir sempre para ‘lembrar’ o que é ser brasileira! Quero mostrar ao meu filho o quanto a vida é bela e que nem tudo é tão importante assim... Quero que ele aprenda a não levar tudo tão a sério, como a gente faz no Brasil... justamente o que eles não fazem na Europa” Cada entrevista que fiz aprendi algo diferente, descobri personalidades fabulosas e ensinamentos importantes. Patrícia foi uma delas, ao contar-me como foi seu processo de adaptação ao país e a dedicação à família. Abriu mão de sua carreira e mudou-se para a França, conheceu seu marido (francês) durante o desenvolvimento de um projeto e, após algum tempo, instalaram-se no país. Sua adaptação foi tranqüila, salvo alguns percalços e saias-justas, como as perguntas de sua sogra, do tipo: “Vocês têm panela de teflon no Brasil?”, ou o comentário: “Minha nora é brasileira, mas olha como ela é bonita e fala francês!”. No decorrer da entrevista, identifiquei nela o que é ser cidadã do mundo, abrir-se para o novo e não esmorecer nunca. Mães que se preocupam com a qualidade de vida e a segurança de seus filhos, que enfrentam a dúvida de que o filho pode demorar a falar porque convive com outra língua, mas, também, mães que ficam longe de suas mães e, “na hora do sufoco”, contam somente consigo mesmas. Mães que, apesar da pouca receptividade do povo francês ao estrangeiro, participam da sociedade, procuram amizades e abrem-se para novos horizontes. Mães que precisam estudar a alimentação do país, porque não encontram o que estão acostumadas no Brasil, que lidam com o fato de a amamentação não ser comum aqui na França e de o sistema de saúde ser diferente, porém eficiente, no tocante à grávida e à parturiente. Minha reverência às mães brasileiras que estão na França ou em qualquer parte do mundo, porque, convivendo e conhecendo estas mães em especial, aprendi que o mais importante é seguir o conselho da Patrícia: “ACHO QUE TODAS AS PESSOAS QUE DECIDIREM MUDAR DE PAÍS DEVEM APRENDER A LÍNGUA E SE INTERESSAR PELA CULTURA E PELOS HÁBITOS DE ONDE VIVERÃO. E DEVEM GOSTAR DAQUELE PAÍS OU SE IDENTIFICAR DE ALGUMA FORMA. ASSIM, JÁ EXISTEM DIFICULDADES, SE FOR CONTRARIADA, ENTÃO, NÃO IMAGINO NO QUE DÁ. A PESSOA DEVE ESTAR ABERTA A TODO TIPO DE MUDANÇA E ADAPTAÇÃO. MINHA DICA AQUI É: SOU BRASILEIRA DA PORTA PARA DENTRO E FRANCESA, DAS BEM BRABAS, DA PORTA PARA FORA. NÃO MUDEI NA ESSÊNCIA, MAS TIVE QUE ME ADAPTAR. SE ME DÁ BOM DIA, DOU, SENÃO, NÃO DOU. NÃO VOU CHORAR NO CANTINHO. EU TIVE QUE REVER MEU COMPORTAMENTO. NO BRASIL, TINHA MEUS AMIGOS, MEU MARIDO, MINHA FAMÍLIA, TINHA MEU PORTO SEGURO. NÃO ESTAVA MUITO INTERESSADA EM INVESTIR EM NOVAS PROFUNDAS AMIZADES. TIVE QUE ME ABRIR E ME PERMITIR NOVAS AMIZADES. NÃO FALO DE COLEGAS, DE ‘OIS’. ANTES DE VIVER AQUI, JÁ ESTAVA ACOSTUMADA ÀS COMPARAÇÕES ENTRE OS DOIS PAÍSES. JÁ TINHA UMA VISÃO DO QUE ME AGRADAVA NO BRASIL E AQUI, E O QUE ME DESAGRADAVA. ISSO FOI IMPORTANTE, PORQUE ACHO QUE, NO INÍCIO, TEMOS TENDÊNCIA A ACHAR QUE TUDO ESTAVA BOM ONDE ESTÁVAMOS. PARA MIM, NÃO ERA BEM ASSIM. EMBORA EU SINTA MUITA SAUDADE DA MINHA FAMÍLIA, ACREDITEI NA POSSIBILIDADE DE UM DIA NÃO QUERER VOLTAR A MORAR LÁ. ACHO QUE O FATO DE TER VIVIDO NO MEU PAÍS COM MEU MARIDO, ANTES DE VIR PARA CÁ, FOI MUITO IMPORTANTE PARA QUE NÃO TIVESSE GRANDES PROBLEMAS PARA ME ADAPTAR. ELE SABE ME ENTENDER, CONHECE OS DOIS LADOS COMO EU E É UM ETERNO FÃ DO BRASIL.UM DIA VOLTAREMOS, QUEM SABE?”.
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