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Uma brasileira em London Consultora Amiga e correspondente internacional Intercâmbio O que é preciso analisar e pesquisar antes de partir para uma viagem internacional com o objetivo de aprender outro idioma
Se você já estudou outro idioma além da nossa Língua Portuguesa, sabe o drama que é tentar se comunicar fora da sala de aula. Você estuda o bendito do inglês há anos e “não fala nada”? Diz que fala portunhol só para não ficar de fora? Não tem a menor idéia do que está sendo cantado quando escuta o CD de música internacional da novela das 8? Pois bem, se para remediar frustrantes situações como essas você considera a possibilidade de viajar para o exterior, para aprender outra língua na marra, aqui vão algumas dicas.
Antes de tudo, questione-se sobre o porquê de querer estudar fora: você realmente precisa de um espanhol fluentíssimo? O inglês é fundamental para sua carreira? Ou você está mais interessada em explorar o mundo e, “aproveitando a deixa”, vai dar uma estudadinha? O objetivo da sua viagem vai determinar muitas coisas na escolha de um curso, principalmente em termos de duração (quanto tempo de curso) e intensidade (horas por semana) e, possivelmente, o lugar onde estudar. Por exemplo: se o que você quer mesmo é sair de férias e aproveitar para praticar um curso só de conversação, três vezes por semana são suficientes. Para quem tem pouco tempo para aprender muito, algo mais “puxado” é necessário, como um curso intensivo com aulas cinco dias por semana, durante a manhã e a tarde. Além da duração do curso, deve-se considerar que tipo de escola lhe agrada. Qual a idade mínima dos estudantes? 16, 18, 21 anos? Quantos alunos por sala? Menos gente, maior rendimento da aula – oito alunos por sala é ideal. Qual método lhe agrada mais? Só conversação, mais gramática ou um equilíbrio entre os dois? De qualquer forma, acredito que o ideal é viajar depois de ter atingido um certo nível, pelo menos após um ano de curso. Não aconselho viajar para se aprender o verbo to be na prática. Isso é perda de tempo e dinheiro. A idéia é estudar fora para destravar a língua, espantar a vergonha.
Pesquise os lugares onde você gostaria de estudar (Londres, Madri, Buenos Aires, San Diego, Paris...). Se tem pouco tempo, aconselho cidades do interior. A quantidade de nativos é bem maior em relação à de estrangeiros. Em tese, você também encontrará menos brasileiros em cidades pequenas. Porém, como sempre digo, “brasileiro é que nem mato: cresce em qualquer lugar” - e só fala em português. Nós somos muito indisciplinados! Somente quando fui a uma cidadezinha minúscula no interior da Polônia, não encontrei brasileiros. Porém, lá estava eu, como representante brasuca! (Não tô dizendo que brasileiro é que nem mato?)
Pesquise também as épocas do ano que lhe agradam mais. Eu prefiro a primavera. Não são necessários casacos, mas também não fica super abafado. Em alguns lugares, no inverno, os dias são curtos – falta de claridade pode ser difícil de enfrentar. No verão, a maior procura encarece o custo. Escolhendo mais ou menos algumas cidades, a temporada, a duração e a intensidade do curso, ficará mais fácil sua pesquisa de preço.
Os três principais gastos nesse tipo de viagem são passagem, acomodação e curso. Você pode pesquisar preços em agências de viagens especializadas, como STB ou Central de Intercâmbio. Elas resolvem tudo para você, porém, tendem a optar por escolas mais caras, e as passagens promocionais para estudantes têm suas limitações. O custo das passagens, em geral, varia de acordo com a temporada e a validade (um mês, seis meses, um ano). Vôos com escala, às vezes, são mais baratos. Se tiver tempo e paciência, consulte preços na Internet. É uma opção menos dispendiosa, mas com limitadas formas de pagamento, e você ainda tem de entender um pouco do outro idioma para fazer as transações.
Casa de família ou dividir apartamento com estranhos? Dividir o quarto sai mais em conta. Pessoalmente, tive experiências fantásticas quando morei em duas casas de família: uma em Salamanca, na Espanha, e outra em Londres, no Reino Unido. Você não tem escapatória. Tem que se comunicar. Uma dica boa: peça para não ter televisão no seu quarto, assim, precisará dividir a sala com os moradores, caso queira ver algo na TV. Ah, crianças são o máximo! Elas não têm vergonha e soltam o verbo! Já dividi apartamento com estranhos também. A liberdade é maior, pois o acesso à cozinha é livre e você pode levar quem quiser em casa sem ter que pedir permissão. Porém, há casos de pessoas que não se dão muito bem, tanto em casa de família quanto dividindo apartamento. Isso vai depender da sua flexibilidade, tanto pessoal quanto financeira.
Chegando lá, aproveite o seu tempo ao máximo. Estude com freqüência. Não precisa engolir o livro todo dia. Tudo vale, até uma rápida troca de idiomas ou exchange (uma conversa informal em um bar com alguém que está interessado em praticar português – 30 minutos em outra língua e 30 minutos em português, por exemplo). Afinal de contas, o gasto vai ser grande e... Quando você vai poder ir de novo? Aproveite, ainda, para passear, se perder pelos lugares e conhecer gente. Independentemente do lugar, do curso e do objetivo, uma coisa é certa: você vai ter uma experiência inesquecível – seu conhecimento de mundo vai se expandir inegavelmente. Você vai voltar outra pessoa – isso, eu garanto! |
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