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Danielle Motta
é jornalista, brasileira e, desde outubro de 2006, mora no Canadá.
É nossa consultora-amiga e correspondente internacional.

Uma brasileira no Canadá

Consultora Amiga e correspondente internacional
diretamente do Canadá Danielle Motta
Dicas, críticas e sugestões!


Cidade cosmopolita


Foto: Danielle Motta



Desde pequena, sempre ouço uma frase da minha mãe: “Nada melhor do que a nossa casa”. Ela sempre repete esse mesmo jargão na volta de alguma viagem longa ou quando ficamos hospedados na casa de familiares. Não porque ela não goste – muito pelo contrário –, mas acho que é por causa daquela velha história de regressar ao ninho, de se sentir confortável em terreno conhecido.

Hoje, entendo bem o que ela sempre quis dizer, mas só faço uma pequena alteração: “Nada melhor do que o nosso País”. Também não estou afirmando que não estou curtindo essa experiência ou que não gosto do Canadá, até porque estou ADORANDO!!! Mas é que, de vez em quando, bate uma saudade de comer arroz, feijão, bife e batata frita da minha mãe, de ir ao supermercado e encontrar certos produtos que eu costumava comprar (como leite condensado!) e, o principal: do calorzinho gostoso do Brasil…

Desde o começo de 2007, vem nevando toda semana em Vancouver e a temperatura não sai do negativo. Um dia, andando pelas ruas de Downtown, debaixo da neve, parei em um telefone público para ligar para minha mãe, que está curtindo umas férias no Paraná. Eram quase sete horas da noite no Brasil e ela atendeu do outro lado, dizendo: “Desculpe-me pela demora em atender o telefone, mas eu estava na piscina.” Pensei: como assim na piscina? Eu, aqui, em plena uma hora da tarde, com o céu a poucas horas de escurecer, quase virando um picolé, e ela se bronzeando toda!!! Que inveja gostosa…

Mas esses pequenos sentimentos de saudade que, de vez em quando, insistem em me atormentar vão embora rapidinho quando leio as manchetes dos sites de notícias do Brasil: ônibus são incendiados no Espírito Santo, PCC volta a atacar, Força Nacional se instala no Rio de Janeiro… Nessas horas, penso como é bom estar em um país de primeiro mundo como o Canadá, em que as piores notícias, geralmente, são sobre alguns estragos causados pelas condições climáticas da região.

Outros aspectos do cotidiano canadense também me fazem pensar nos contrastes (nem sempre negativos) entre as duas nações. Costumo repetir, nos meus textos, que o Canadá é um país multicultural e que, facilmente, encontro pessoas de diferentes nacionalidades no dia-a-dia. Antes de vir para cá, quando ainda estava na fase de coletar informações sobre a viagem, o que eu mais lia era sobre a diversidade cultural canadense.

Mas só fui ter a noção realmente do que era isso quando cheguei em Vancouver, que é considerada uma das cidades que mais atraem imigrantes do mundo. Isso porque ouço, em tempo integral, os mais variados idiomas em todos os lugares a que vou: dentro de ônibus e Skytrains, supermercados, nas ruas… E, principalmente, porque os canadenses respeitam os costumes e as tradições dos outros povos, o que é importantíssimo, pois eles continuam preservados.

É claro que a população nativa acaba assimilando parte dessas diferenças, mas o mais marcante é que as características de cada povo se mantêm fortes. Quando vou ao supermercado, por exemplo, encontro a ala de comidas orientais, da culinária mexicana, da indiana, entre várias outras. Nas principais ruas de comércio, é fácil ver restaurante grego ao lado de italiano, de chinês, de coreano, de filipino, de africano... Não é à toa que meus professores sempre afirmam que foi-se o tempo em que o Canadá era um país bilíngüe, pois, atualmente, há mais de 20 idiomas falados em uma mesma região.

Às vezes, pergunto aos (poucos!) canadenses que encontro se eles gostam dessa miscelânea de informações culturais a que eles são submetidos a conviver diariamente. Alguns dizem que chegam a ficar assustados, pois já não reconhecem o próprio país. Na maioria dos casos, eles me dão a mesma resposta: o que era para ser uma nação repleta de pessoas loiras e com olhos azuis está se tornando um lugar com habitantes de olhos puxados, pois o número de asiáticos é exageradamente surpreendente.

Certa vez, dentro de um ônibus, conversei com uma senhora que estava chateada porque não conseguia comprar uma roupa do seu tamanho. Ela tinha, sim, uns quilinhos a mais, mas não chegava a ser obesa – aliás, ao contrário do que ocorre nos EUA, a população do Canadá é considerada saudável. Então, ela me contou que as confecções diminuíram o tamanho das roupas por causa dos asiáticos, os maiores consumidores de vestuário no país.

 


Danielle Motta

Casamento gay aqui é legal!

Um dos poucos países no mundo em que o casamento entre homossexuais é legalizado, o Canadá enfrentou, em dezembro do ano passado, uma votação na House of Commons - o Poder Legislativo daqui - para tentar voltar atrás na decisão de permitir a união entre pessoas do mesmo sexo. Isso porque, de acordo com o primeiro ministro Stephen Harper, considerado conservador, a intenção do governo era a de restaurar o sentido do casamento tradicional, como a Igreja sempre defendeu. E mais uma vez os gays mostraram poder na hora de defender seus interesses, e o que muitos não esperavam aconteceu: isso mesmo, os homossexuais podem respirar aliviados, pois continuam com o direito de oficializar legalmente a união.

Bom para os proprietários de empresas que organizam esse tipo de cerimônia, pois este é um mercado que vem crescendo aceleradamente no país. Para se ter uma idéia, li uma reportagem, em um dos jornais de Vancouver, sobre um empresário que dizia realizar cerca de oito casamentos dessa natureza por mês e que seu empreendimento crescia 400% a cada ano. E ele garantiu que os homossexuais são um público exigente e que faz questão de preparar uma comemoração de arromba.

Ao todo, já foram realizados mais de 12 mil casamentos entre casais gays em todo o Canadá e, como resultado disso, Vancouver tornou-se o destino de turismo preferido dos “same-sex”.

 

 

 

 

 

 

 

 

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