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Uma brasileira no Canadá Consultora Amiga e correspondente internacional Próxima parada: Canadá
"I’m here! Finally!” Depois de tantas dúvidas, tanta indecisão, tanto corre-corre, agora posso, finalmente, afirmar que estou no Canadá. Digo isso porque os meses que antecederam a minha vinda à Vancouver foram recheados de muitas expectativas, ansiedade, medo, alegria, agitação, enfim, uma variedade de sentimentos que se misturaram desde o dia em que decidi largar tudo no Brasil – família, amigos, apartamento, emprego, móveis e eletroeletrônicos que eu tinha acabado de comprar (alguns, ainda estou pagando!) – para realizar um antigo sonho: morar no exterior. E junto a essa aventura, também posso dizer que estou iniciando novas amizades, pois, a partir de hoje, passo a dividir com vocês um pouco da experiência de como é ser uma brasileira fora do Brasil. Então, nada melhor do que começar contando como foram as preliminares da viagem, para, depois, descrever as minhas primeiras impressões.
Desde o princípio, eu sabia que o Canadá seria o meu destino de viagem. Minha simpatia pela cultura daqui vem da época da escola, quando aprendi, ainda no Ensino Fundamental (ou Primário, como era chamado), que este era um país oficialmente bilíngüe, em que, em uma parte do território, prevalecia a língua francesa (a porção leste) e, na outra, o idioma inglês (a área oeste). Achava interessante a idéia de uma mesma nação poder se entender e se desenvolver, mesmo tendo essa imensa divisão de comunicação e, conseqüentemente, cultural. Mas faltava escolher, em uma área de 9.970.610 km2 – o Canadá é o segundo maior país do mundo! – qual seria a cidade em que iria ficar. Com uma lista inicial contendo 10 cidades – Toronto, Montreal, Vancouver, Victoria, Calgary, Regina, Kamloops, Ottawa, Halifax e até Charlottetown, uma pequena cidade que fica em uma ilha de pescadores – fui procurando informações sobre cada lugar: a cultura, a economia, o modo de vida e, acima de tudo, as condições climáticas de cada região, uma vez que a temperatura do inverno canadense atinge, em média, -30º C. Todos esses lugares apresentavam algo que me atraía, mas meu coração bateu mais forte por Vancouver, uma cidade que fica na costa oeste do país, de frente para o Oceano Pacífico. Com quase dois milhões de habitantes - contando a região metropolitana -, ela foi considerada, em 2005, o melhor lugar do mundo para se viver, de acordo com um ranking feito pela instituição britânica Economist Intelligence Union (EIU). A classificação deve-se ao fato de Vancouver ser segura, ter transporte fácil, educação de alta qualidade, temperatura agradável e, principalmente, por ser um lugar abençoado por uma paisagem natural de rara e rica beleza. Hoje, ela ocupa o terceiro lugar nesse ranking. Ainda não contei para vocês, mas vim muito bem acompanhada para cá. Trouxe comigo o meu namorado, para nos aventurarmos juntos nesse país e aprendermos o tão exigido inglês. Mas a felicidade de tê-lo ao meu lado aqui foi a maior dúvida dessa viagem. Durante os quatro meses de preparação, somente tive a certeza de que ele realmente viria faltando cerca de 15 dias para o embarque. Apesar de termos feito tudo um ao lado do outro – a escolha da cidade, da agência de intercâmbio, da escola e a aquisição dos passaportes – a viagem poderia não se tornar realidade no momento em que solicitamos o visto. Mesmo contratando um despachante consular para orientar-nos sobre todos os documentos exigidos para a obtenção da autorização, o Consulado Canadense no Brasil negou o pedido dele. Foi um balde de água fria depois de tantas expectativas. Mas não perdemos a esperança. Não sei como é o processo de aquisição de visto dos outros países, mas, no caso do Canadá, é possível entrar com o pedido novamente no dia seguinte. E foi o que fizemos, só que, desta vez, o contato foi diretamente com o Consulado, sem o intermédio do despachante. A entrevista foi marcada para quase um mês depois (imaginem a nossa angústia!) e, durante esse período, juntamos todos os documentos possíveis e imagináveis para que o resultado fosse positivo. E foi! O avião partiu em um sábado à noite, de São Paulo, e teve somente uma parada durante as mais de 16 horas de vôo – uma conexão em Toronto, já no Canadá. Apesar de a viagem ter sido cansativa, a beleza e a diversidade da paisagem canadense compensaram qualquer dor no corpo ou desconforto proporcionado pelo aperto da classe econômica (isso mesmo, viajei na classe econômica!). Como Toronto fica na porção leste e Vancouver no extremo oeste, pude conhecer as principais características geográficas do país, de ponta a ponta. Na região central, por exemplo, predominam as pradarias, uma área totalmente dividida em fazendas, formando uma espécie de jogo de xadrez. Durante um longo trajeto, só foi possível avistar uma camada branca, que desenhava um tapete de gelo. Inesquecível! Mas a paisagem mais impressionante foi a das Montanhas Rochosas, já nas proximidades de Vancouver. Elas são cercadas por lagos com água cristalina e estavam cobertas por neve. Em meu primeiro dia canadense, já pude notar como a cultura é muito diferente da do Brasil. A começar pelo transporte! Eu, que estava acostumada a pegar diariamente os ônibus lotados de São Paulo e a enfrentar o empurra-empurra constante das estações de metrô da Sé e da Barra Funda, fiquei (e ainda estou!) impressionada com a educação da população que vive aqui. A locomoção é muito fácil, os ônibus quase nunca se atrasam e o Skytrain – como é chamado o metrô – raramente fica lotado. Outro fato que chamou minha atenção é que não há catracas no Skytrain. Você precisa apenas comprar o bilhete em máquinas disponíveis nas estações ou portar algum cartão pré-pago e dirigir-se ao trem. É tudo aberto e não há uma fiscalização rígida. Ainda não vi ninguém tentando burlar a regra para utilizar o transporte gratuitamente. Até os mendigos pagam (ah, esse é o único mal de Vancouver: há muito homeless, como são chamados, em Downtown, Gastown - a parte histórica da cidade - e na região de Chinatown). Mas já me contaram alguns casos de pessoas que tentaram entrar sem o bilhete e foram pegas pelos fiscais, que, de vez em quando, podem conferir se todos os passageiros estão com os tickets. Nesse caso, deve-se pagar uma multa de 150 dólares canadenses e, ainda, ter de passar pela vergonha de ser convidado a se retirar do trem pelo microfone, na frente de todos. Acho que um sistema que exige tanta honestidade dos moradores somente se torna realidade porque a população foi muito bem preparada e educada para isso. E tal comportamento, com certeza, teve como ponto de partida a atuação dos políticos. Aqui, assim como no Brasil, pagam-se muitos impostos. A diferença é que, no Canadá, o retorno e os benefícios dessa obrigação são visíveis. As estradas são de altíssima qualidade, há oportunidade de emprego para todos, tanto para os canadenses, quanto para os imigrantes, e ainda não vi nenhuma notícia nos jornais sobre corrupção. Às vezes, fico pensando como um lugar com tanta diversidade cultural e étnica, que tem de lidar diariamente com um número imenso de imigrantes, consegue ser tão desenvolvido... Digo isso porque o Canadá é, literalmente, um país multicultural. Ao andar pelas ruas, tenho a impressão de estar em algum país de nacionalidade oriental, pois o número de asiáticos é realmente alto. O espanhol também pode ser ouvido por toda parte, pois há muita gente que vem da América Latina, especialmente do México. Aliás, o mais difícil aqui é ver canadenses de verdade. Eu, até agora, só conheci três! |
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