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Uma brasileira na França Consultora Amiga e correspondente internacional Depois de 1980, nada nem ninguém foi o mesmo! Estou enviando meu texto daqui da França graças a uma das revoluções tecnológicas da década de 80, a Internet. E posso certificar-me de que o e-mail foi bem recebido pelo destinatário utilizando meu telefone celular. Sim, tudo isso começou nessa época. Basta lembrar: quem é que não ficou horas tentando conectar-se com algum provedor de web porque a linha “caía” ou cobiçou aquele “tijolo” que, orgulhosamente, os ricos portavam e que, hoje, é tão popularizado como grama em jardim? Quem não cantou, a plenos pulmões, músicas do Queen, do Tears for Fears, usou roupas verdes e laranja fosforescentes, estilo Madonna, e não ficou horas na fila do cinema para assistir E.T.? Quem não teve ódio de JR, da série Dallas, ou suspirou pelos atores de Miami Vice? Se você se lembra disso e de outros fatos que mencionarei a seguir, definitivamente, você viveu nos anos 80 e, aqui na Europa, não foi diferente. Nos 80´s, ouvimos nomes e criamos palavras como new wave, gótico, hip-hop, Sadam Hussein, Perestroika, Glasnost, Leste Europeu... O mundo fervia, marcado por mudanças políticas, culturais, geográficas, econômicas e, por que não, religiosas. Particularmente, encaro essa época como a do equilíbrio entre costumes, forças políticas e desenvolvimento tecnológico. As transformações vindas da dissolução da União Soviética, hoje, refletem-se no desenvolvimento paulatino de países do Leste Europeu. Nunca imaginávamos, naquela época, que indústrias estariam interessadas em se instalar em países como a Polônia, a República Tcheca e a Eslováquia, como hoje. Épocas de profundas modificações políticas: fim do comunismo em alguns países do Velho Continente e queda de governos militares em outros, da América Latina, dentre eles, o Brasil. Caíram por terra regimes governamentais repressores e, com eles, o Muro de Berlim. Este fato, particularmente, me marcou muito. Ensinou-me o quanto o racismo e os regimes separatistas afetam as pessoas. Lembro-me de famílias abraçando-se depois de longos períodos de separação, da disparidade econômica entre os dois lados da Alemanha, de jovens dançando em cima do muro, munidos de pás e picaretas, ajudando na demolição. Hoje, o povo alemão é outro e, como eles mesmos orgulhosamente dizem, aprenderam com os erros do passado e esforçam-se em reprimir quaisquer indícios de movimentos similares. Quanto ao Brasil, lembro-me de épocas anteriores, quando discutíamos política em casa. Meu pai sempre nos recomendava não comentar o que havia sido dito durante aquelas conversas... Depois, houve a liberdade de imprensa e a satisfação impressa dentro dos lares. Olhando para todos esses eventos, pensamos em quanto o mundo mudou, e como nós mudamos. Hoje, somos mais abertos a mudanças, exigimos nossa liberdade e nossa democracia, temos mais consciência ecológica e rejeitamos qualquer guerra, discriminação ou regime separatista. Podemos constatar que evoluímos. Em contrapartida, muito ainda temos de fazer. As “armas” nós já temos. Com a Internet e o celular, a distância deixou de existir e, com ela, a dificuldade de dialogar. Portanto, seja por e-mail ou por telefone, temos de promover e incentivar sempre a conversa entre as pessoas, entre os povos, e melhorarmos como seres humanos. |
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