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Luciene Gasparotto, é nossa consultora-amiga e correspondente internacional da França. Ela é tradutora, professora de inglês e especialista em pesquisa de mercado e análise de negócios.

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Uma brasileira na França

Consultora Amiga e correspondente internacional
Luciene Gasparotto
Dicas, críticas e sugestões!

Um encontro na França

A vida parisiense é cheia de contrastes, que convivem lado a lado numa cidade onde hoje é uma verdadeira Torre de Babel.

Gare du Nord. Dia de semana. Plena manhã. Devido ao meu curso de francês, tenho passado diariamente por essa estação, que amo e odeio ao mesmo tempo.

Todo dia me pergunto se realmente estou na França. Entro na Estação Parc des Expositions e na plataforma encontro todos os povos, menos os franceses: Um grupo de mulheres africanas conversando em seu dialeto, a plenos pulmões, vestidas tipicamente. Em segundos me vejo dentro daqueles quadros expostos no Museu do Ipiranga, no início da nossa colonização, onde os pintores retratavam os primeiros africanos que chegaram ao Brasil.

Em sincronia, um grupo de marroquinos, árabes... Difícil distinguir a língua, mas sei que é do Oriente Médio. Olham desconfiados para os lados. Me pergunto se estão desconfiando de alguém, ou se estão com medo do controle da estação, do controle da Gendarmerie (polícia francesa), ou se eles olham assim mesmo. Um dia vou descobrir.

Depois, lógico, chineses, japoneses, coreanos... milhões deles estão por aqui. Estou desenvolvendo uma teoria de que eles surgem por geração espontânea, tamanho é o numero deles andando por aqui.

Vez ou outra, ouço brasileiros. Sento quieta pertinho deles, só para ouvir a musicalidade da nossa língua. E com o coração partido, vejo eles saltarem do trem, quando chegamos a Gare du Nord, e se perderem na multidão...

Descer do trem na Gare du Nord é insano, e requer um pouco de estratégia. Gente querendo subir, gente querendo descer e pessoas plantadas no meio do caminho, cheias de malas. Sim, porque aqui também vale a lei de Murphy. Minha linha liga o Aeroporto Charles de Gaulle com a Gare du Nord, de onde sai trem para outras cidades da França, Bélgica, Holanda e Inglaterra...É um verdadeiro caos!

Vencida a batalha, paro para observar as pessoas e recobrar as forças. Religiosamente encontro um homem sentado na mesma escada, mesmo degrau, lógico, em meio ao trânsito de sobe e desce, entretido com seu computador. De repente, o trem pára na estação, ele fecha correndo o notebook, e se lança para dentro do trem. E lá se vai meu amigo...

Chegar a escola de francês é uma saga. Passo por uma série de baldeações, um verdadeiro quebra-cabeça. Escolhi fazer um curso intensivo de francês para me livrar do sotaque brasileiro. Não que me envergonhe dele, muito pelo contrário. Pior seria ter sotaque argentino (sem ofensa...rs).

O fato é que estou cansada de professores enfiarem o dedo na minha cara, piscando o olho para mim e anunciando, triunfantes, como se estivessem anunciando uma novidade : Tu és Brésilienne!!! (Não? Sou chinesa, não está vendo os olhinhos puxados???). Enfim...

A caminho da escola, sinto-me uma bandeirante desbravando a selva de conexões. Na mochila há mapas da cidade, das linhas de metrô, trens, ônibus, o Le Indispensable de Paris, com detalhes das ruas de cada arroundissement, lanche, água...Me pergunto mais uma vez, se estou indo para a escola ou para um campo de guerra...e lógico, o celular, porque qualquer coisa, posso ligar para o meu marido e ele, munido de mapas On-line e consultas a diversos árabes que trabalham junto com ele, poderá me guiar.

Esta cidade me irrita e me emociona ao mesmo tempo. Irrita-me pela pressa insana dos parisienses (se perder o metrô, dois minutos após vem outro, para que correr tanto??), pelo custo de vida, pelo desrespeito a muitas coisas, mas amo ao mesmo tempo, porque sei que estou caminhando por onde pessoas que fizeram parte da história também andaram.

Sei que um dia vou deixá-la e voltar ao Brasil. Sei que terei no futuro, a mesma saudades que tenho do meu país, da minha cidade, da minha família, dos meus amigos que deixei.

A principio, quando cheguei aqui, sentia como se não pertencesse a lugar algum, nem ao meu país, e nem a este país. Hoje sei que não importa o trecho São Paulo / Paris, ou, Paris / São Paulo, sei que sempre estou indo para minha casa.

 

 

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