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Luciene Gasparotto é nossa consultora-amiga e correspondente internacional da França. Ela é tradutora, professora de inglês e especialista em pesquisa de mercado e análise de negócios.
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Uma brasileira na França Consultora Amiga e correspondente internacional Les Blues de volta, sem nada
Ficariam na cidade no final de semana e nos convidam para assistir ao final da Copa em sua casa. Lógico que aceitamos, reunião na casa da Francesca é festa na certa! Francesca é daquelas pessoas que conseguem alegrar até velório. Com o convite, veio a intimação: como estávamos viajando pela região da Champagne- Ardenne, tínhamos que levar a champagne para comemorar o tetra italiano. Com muito prazer e cuidado, degustamos e escolhemos a dedo o que chamamos de champagne da vingança. Domingo de manhã: um verdadeiro caos na cidade. Para quem dizia aos quatro ventos que futebol não era um esporte importante para a França, que a prioridade das atenções eram as disputas de Roland Garros e o Tour de France, tinha bandeira demais, francês demais vestido com o uniforme do país e cara pintada pelas ruas. Encontrei um moleque no supermercado que semanas antes, numa reunião de amigos, dizia de boca cheia que futebol era somente importante para países do terceiro mundo, que a França se preocupa mesmo é com tênis, equitação e estudos. Detalhe, ele estava vestido com a camisa réplica da oficial, escrito Zidane atrás. Pelo andar da carruagem, naquele dia, penso que a França havia descido para o terceiro mundo. Enfim, promoção de champagne em todos os supermercados, descontos absurdos para incentivar a compra para a comemoração do título. Críticas e mais críticas ao estilo de jogo italiano, e horas a fio nas rádios, discursando sobre o escândalo de corrupção no futebol italiano. Dor de cotovelo é igual em toda parte do mundo... Chega a noite: Pastaciutta por conta da Francesca, duas garrafas de champagne estupidamente geladas por nossa, mais uma sobremesinha, porque vingança é doce e tem que ser acompanhada como tal. Começa o jogo, e vem o penalti que nunca aconteceu... gritos, xingamentos, tudo em bom e claro português, francês e flamengo. Sim, a Francesca é casada com um belga, portanto, era uma torcida poliglota com direito a um ensinar o outro o palavrão em sua língua. Zidane expulso: Quatro pessoas aplaudem desesperadamente em pé! A TV1 mostra de relance o acontecimento, mas não explica nada, tudo muito confuso. Graças ao SMS, trocado com parentes e amigos italianos, ficamos sabendo o motivo. Essa cena não se repetiu mais nenhuma vez, em replay, somente o gol de penalti do jogador... pura proteção!!! Que feio! Um atleta tão aclamado pela mídia internacional pendurar a chuteira dessa forma... que atitude anti-desportista! Pior ainda foi a atitude de pouco caso e tédio que o atleta adotou enquanto recebia homenagens por toda a França, ao retornar da Copa. Vai para a prorrogação. A esta altura, Alan, o marido da Francesca, num acesso de desespero, lava e enxuga toda a louça do jantar, enquanto ela vociferava que ele estava fazendo muito barulho. Eu dava soquinhos no braço do meu marido e ele reclamava. Completa confusão no nosso meio campo. Penaltis. Assim não dá, meu coração nao aguenta... a cada gol italiano, um grito. Quando a França erra o penalti, a casa quase vai abaixo. Só faltava agora cumprir o protocolo. Pronto, fim de jogo, a França volta sem a Jules Rimet, a Itália leva o tetra e com o título, vem a sensação de " se a gente não ganha, vocês tambem não vão ganhar, tá?" Da casa de minha amiga, temos a visão total da cidade onde moramos. Na varanda, estouramos as champagnes, cantamos o hino nacional italiano, discursamos, benzemos a cidade com o espumante, enquanto reinava o mais completo silêncio. Por que será? Agradecemos aos supermercados fraceses pelas promoções de champagne. Nosso estoque está repleto e ainda abrimos mais uma quando chegamos em casa, não para comemorar o tetra italiano, mas sim, para comemorar a derrota francesa. Com a bebida mais famosa da França, comemoramos o Tetra Italiano, consequente derrota daquela que é um dos maiores estraga-prazeres do povo brasileiro. Agora é preparar o coração para as emoções da Olimpíada. |
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