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Daniela Hueb (CRM-SP 96.027) É dermatologista e nutróloga, com especialidade médica  voltada ao diagnóstico, à prevenção e ao tratamento de enfermidades nutricionais e orientação sobre alimentação para melhora energética, correção do peso e aumento da longevidade. É também sócia-diretora da clínica médica integrada homônima, especializada em diversos tipos de tratamentos, como acne, obesi­dade, celulite, cirurgia estética sem cicatrizes e peeling.

 

 

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Consultora Amiga: Daniela Hueb
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Obsessão por alimentos saudáveis é doença

Embora cuidar da saúde seja algo necessário para se adquirir mais qualidade de vida, estudos clínicos, bem como médicos especialistas em nutrição e bem-estar, afirmam que a preocupação obsessiva e patológica com os hábitos saudáveis pode dar início a uma grave doença, chamada ortorexia nervosa.

Os ortoréxicos não consomem, em hipótese alguma, produtos ricos em gorduras, conservantes, herbicidas, pesticidas, corantes, carnes vermelhas ou outros agentes que podem ser prejudiciais à saúde. Nesse caso, diferentemente das pessoas anoréxicas, que se preocupam apenas com as calorias e o ganho de peso, a obsessão é pela qualidade e procedência dos alimentos e pela busca incontrolável por uma dieta equilibrada e o mais natural possível, livre de impurezas.

Na maioria dos casos, a perda da sociabilidade torna-se inevitável, uma vez que os ortoréxicos preferem não se alimentar em locais públicos ou, até mesmo, na casa de parentes e amigos, se não tiverem certeza da qualidade e da procedência dos alimentos.  Por conta disso, a doença geralmente aparece associada a quadros de depressão ou transtornos obsessivos compulsivos.

Danos à saúde

Como a seleção da comida fica muito restrita, os ortoréxicos passam a consumir poucos e determinados alimentos, o que acaba prejudicando a saúde. Essa obsessão por uma alimentação saudável é apenas o indício de uma desorganização interna maior e mais complexa. Trata-se de um desarranjo psicológico, por isso, o tratamento deve ser composto por idas ao nutricionista ou nutrólogo e também ao psiquiatra.

A principal conseqüência física desse comportamento é o início de uma alimentação desequilibrada, pois os ortoréxicos retiram do cardápio alimentos importantes, como a carne vermelha. Além disso, “cortam” os laticínios e os ovos, fazendo cair substancialmente a ingestão de vitamina B12, cálcio, zinco e ferro.

Caso não exista uma substituição dos alimentos por outros de igual teor nutritivo, vários prejuízos à saúde podem ocorrer. Entre eles, a anemia, a carência vitamínica e também as hipervitaminoses, causadas pelo excesso de complementos vitamínicos. Além disso, a falta de cálcio, devido à recusa ao consumo de leite e derivados, pode constituir um sério risco à saúde óssea, gerando osteoporose.

A obsessão por comer bem

As pessoas que sofrem de ortorexia passam horas e horas percorrendo prateleiras de supermercados lendo os rótulos dos produtos. Gastam muito tempo pesquisando em livros e na Internet os ingredientes que compõem os alimentos industrializados e chegam a percorrer longas distâncias à procura de alimentos orgânicos, aqueles isentos de agrotóxicos. A fixação é tão grande que, em grau elevado, chegam a um ponto de utilizar uma panela exclusiva para cada grupo alimentar, entre outras atitudes compulsivas.

As pessoas perfeccionistas e preocupadas demais com a qualidade de vida são aquelas que têm maior propensão para desenvolver a doença. Além disso, a ortorexia pode atingir qualquer um, homens e mulheres de diferentes faixas etárias, mas o início da doença aparece geralmente na adolescência, quando os jovens ficam mais ligados em manter a forma e a saúde em geral.

Os tratamentos dispensados devem ser de psicoterapia comportamental, cognitiva e até medicamentoso, com um médico psiquiatra. É interessante também um aconselhamento nutricional.

 

     

 

Texto de Daniela Hueb , com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.  


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Não é porque a pessoa é vegetariana ou porque prefere frutas e verduras a ovos e carnes que pode ser diagnosticada como ortoréxica. Abaixo, seguem alguns critérios que ajudam a identificar uma pessoa portadora da doença:

  • passar mais de três horas por dia pensando em como ter uma dieta saudável;
  • preocupar-se mais com a qualidade do que com o prazer de comer;
  • conforme aumenta a pseudoqualidade da alimentação, diminui a qualidade de vida;
  • complexo de culpa, quando se transgride nas convicções dietéticas;
  • planificar hoje o que se vai consumir amanhã (não se deitam sem programar as refeições do dia seguinte);
  • isolamento social pelo regime dietético. Por exemplo, aquelas pessoas que não comem com os amigos porque não confiam no que se come por aí e chegam ao ponto de levar a própria comida ou não participam da refeição.


 

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