|
Dr. José Bento de Souza é ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein e Hospital São Luis desde os anos 80. É formado pela faculdade de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduado pela USP. Pelo menos duas vezes ao ano participa como médico visitante em maternidades da França, Inglaterra e Estados Unidos.
www.drjosebento.com.br
|

|
Sem calcinha
Consultor Amigo: José Bento de Souza
Dicas, críticas ou sugestões!
Corrimento vaginal. É normal?
Em sua estréia Dr. José Bento fala sobre os diferentes tipos de corrimento, suas causas e tratamentos.
Não existe uma pesquisa formal a respeito, mas estima-se que mais da metade das consultas ginecológicas envolve queixas sobre corrimento vaginal. E metade dos casos é autoprovocada, por produtos ou outros agentes irritantes com os quais as mulheres entram em contato, segundo estudos da Universidade de Cornell, em Nova York, nos Estados Unidos.
Muitas vezes, a vaginose bacteriana é causada pelos preservativos, que costumam estar na origem de grande parte dos casos de corrimentos crônicos. O látex das camisinhas pode provocar uma reação alérgica na vagina e desequilibrar o seu pH. O uso de produtos de higiene íntima (duchas vaginais) é outro agente irritante importante.
As duchas vaginais destróem a flora benéfica de lactobacilos de Doderlein, que protegem a vagina de bactérias invasivas. O uso de cremes vaginais, sem acompanhamento médico, é o outro fator potencial de corrimentos recorrentes.
A maioria dos produtos usa o propileno glicol como ``veículo`` para incorporar o medicamento, e muitas mulheres desenvolvem alergia a esta substância química. Se elas estão em tratamento médico, o ginecologista pode observar a reação. Existe até um medidor químico para isso, o teste Caugranulin B, que o profissional deve usar para confirmar a alergia e corrigir o tratamento.
Existem alguns fatores de risco, como a atividade sexual com múltiplos parceiros, sem o uso de preservativo (principalmente a vaginose, que é uma infecção que produz odor desagradável, que lembra o cheiro de peixe). Sabe-se que o pH alcalino do sêmen, equivalente a 8, eleva o pH vaginal por várias horas depois de uma relação sexual, dando chance a outras bactérias que compõem a flora da vagina de proliferar. Quando o sêmen é familiar, a flora vaginal acaba se adaptando à alteração momentânea de pH. Mas uma mulher que não tem um parceiro fixo e não usa preservativo fica exposta ao sêmen de tipos variados e corre mais risco de ter a vagina permanentemente alcalina.
Pesquisadores investigam, ainda, as causas de infecções vaginais por problemas imunológicos como a deficiência autoimune, que sujeita a mulher a tornar-se hospedeira de agentes infecciosos.
Os principais tipos de corrimento são:
Candidíase
Esta infecção é causada por um fungo chamado Candida albicans. Esse fungo vive normalmente no intestino e nos órgãos genitais femininos, porém, em uma quantidade que não causa doença. O que acontece é que, em certas situações, os fungos começam a se proliferar e acabam causando o corrimento e sintomas da vulvovaginite (pH vaginal está mais ácido). Essa alteração se dá, principalmente, devido ao aumento da umidade da vagina, causado por fatores como o uso de roupas sintéticas como nylon, lycra, maiôs, meia-calça e outros.
Também as mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais têm uma grande chance de desenvolver a doença. Mulheres diabéticas também são mais vulneráveis à doença, bem como aquelas que tomam antibióticos por tempo prolongado, diminuindo as defesas naturais do corpo. Pacientes com deficiência do sistema imunológico, como aquelas com AIDS, são bastante sensíveis a essas infecções por não conseguirem combater esses germes naturalmente. Normalmente, as infecções por monília são fáceis de ser identificadas, pois provocam um corrimento esbranquiçado que forma grumos, parecendo leite talhado.
Em geral provoca uma coceira muito forte e a vulva fica bem avermelhada. As mulheres grávidas são bastante propensas a esse tipo de infecção, bem como as mulheres que estão na fase anterior ao período menstrual (pelo aumento da acidez da vagina).O tratamento é feito com cremes locais à base de antifúngicos, em geral de três a sete dias. Em casos mais resistentes, deve-se fazer o tratamento por via oral, bem como na suspeita de que o parceiro também tenha a doença. Neste caso, ele também deverá ser tratado.
Tricomoníase
Esta doença é causada por um protozoário chamado Tricomonas vaginalis, que pode tanto atacar a vagina como a uretra e as glândulas da região genital. É importante salientar que os homens também podem ter a doença, transmitindo-a para as mulheres (causando a uretrite).
Os sintomas principais são a presença de um corrimento cinza-esverdeado em grande quantidade, com mau cheiro e muita coceira. O tratamento deve ser feito por via oral, com o uso de metronidazol. É importante que, tanto a mulher como o parceiro, sejam tratados, senão, o tratamento não funciona. Existem tratamentos de sete dias bem como de dose única, o que facilita a cura e a cooperação por parte dos pacientes.
Vaginite bacteriana inespecífica
Esta doença é causada por uma bactéria chamada Gardnerella vaginalis. Apresenta-se como um corrimento aquoso e de mau cheiro. Em geral, não provoca muita irritação na vagina e na vulva. O tratamento é feito com cremes vaginais à base de sulfa ou com antibióticos por via oral. Porém, o tratamento mais eficaz é feito à base de metronidazol, por via oral. É importante tratar também os parceiros.
Vaginite atrófica
Esta é uma condição que ocorre em mulheres após a menopausa, quando cessa a fabricação dos hormônios femininos, fazendo com que a vagina fique mais sensível e fina, por falta de estrógenos. Como conseqüência, a mulher passa a apresentar sintomas de coceira, irritação, sensação de queimação e corrimento, muitas vezes associados com dor durante o ato sexual. O tratamento é feito à base de cremes vaginais contendo estrógenos, com uma melhora em apenas uma semana após o início do tratamento. O tratamento deve ser mantido por tempo prolongado para que a mulher não tenha mais sintomas.
Vaginite Traumática
Esta condição pode ser causada tanto por um trauma físico como por uso de substâncias químicas irritantes. Em crianças é muito comum ocorrer o trauma quando a própria menina introduz um objeto estranho dentro da vagina. Em mulheres adultas, o uso de tampões pode promover um trauma da vagina, principalmente quando o tampão fica preso por várias horas ou dias. Por outro lado, o uso de sabões irritantes, duchas, desodorantes íntimos e lubrificantes pode desencadear uma vaginite por irritação química. O melhor tratamento é eliminar o agente irritante.
Prevenção
Estas são algumas das melhores maneiras de se prevenir das vulvovaginites:
· lavar-se diariamente, de preferência com sabonete neutro.
· evitar usar meia-calça, maiô, calcinhas de lycra ou nylon, enfim, qualquer roupa feita com produto sintético que impeça a respiração natural da pele.
· usar somente calcinhas de algodão, higienizadas com sabão em barra, sem o uso de amaciantes, e, preferencialmente, passadas com ferro.
· fazer o parceiro usar "camisinha" toda vez que tiver relação sexual.
· toda vez que for ao banheiro, fazer a limpeza do genital de frente para trás, para evitar contaminação pelas fezes, e se possível substituir o papel higiênico por água e sabonete glicerinado.
· evitar o uso de duchas vaginais, exceto quando prescrito pelo médico.
E, além disso, devemos lembrar que parte destes corrimentos se cronificam, e, muitas vezes, a fitoterapia é um método eficaz e menos lesivo para a mucosa vaginal do que os tratamentos convencionais. Converse com o seu médico a respeito.
|
|
..................................
|