![]() |
||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
|
|
|
Reflexão Consultora Amiga: Elaine Galeazzi
A pequena Isabella Reprodução “Já se sabe, ouvido em todas as vozes e todos os tons, que nossa sociedade se caracteriza por fazer descartáveis todas as coisas. Das coisas, passa-se às pessoas e às relações, que são usadas, consumidas, esgotadas e depois... eliminadas ou atiradas fora quando entram em obsolescência.” (Maria Clara Lucchetti Bingemer – texto “No Lixo” – http://amaivos.uol.com.br) Em uma palestra de especialistas em segurança, acompanhei o depoimento de um pai cujo seus jovens filhos foram brutalmente torturados e mortos no Litoral Paulista, ele não dividia a raiva, a dor e sim a força que descobriu ter ao enterrar seus filhos. Foi a primeira vez na minha vida que dividi um luto. Foi marcante, e eu me questionava: de onde vinha tanta força interior? Os anos passaram, mas as barbáries não. Yves Ota, 8 anos de idade seqüestrado e morto; Suzana Richthofen, envolvida na morte brutal dos pais; Sillauca Kelly Rodrigues de Oliveira, uma babá que espancou uma criança de 3 anos até a morte; a bebê jogada na Lagoa de Pampulha num saco de lixo; João Hélio, o menino morto arrastado pelo carro no Rio de Janeiro; a menina de Goiânia, uma das torturadas incansavelmente por Silvia Calabresi; um menino de 11 anos envolvido no sórdido caso de turismo sexual; Isabella... No meio de tantas reportagens vi um relato de uma “Mãe da Sé” que, num depoimento emocionado, tentava consolar a mãe de Isabella, e dizia “pelo menos ela pode se despedir de sua filha” ... Tenho uma filha linda, e não me vejo mais dando um passo sem que minhas mãos estejam entrelaçadas as dela... Seres sem alma ou réus primários? Em quantos anos você acredita se faz justiça? Sem essa de “olho por olho”, o degrau que eles se encontram está muito abaixo de nós, tão baixo que queimam... Surpreendo-me com as pessoas, tento aprender com isso, tento passar isso adiante, estamos carentes de afeto, o abraço hoje é coisa das mais raras, demonstração de um amor maior então nem se fala... "A morte não é tudo. Não é o final. Eu apenas passei para a sala seguinte. Nada aconteceu. Tudo permanece exatamente como foi. Eu sou eu, você é você, e a antiga vida que vivemos tão maravilhosamente juntos permanece intocada, imutável. O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda somos. Chame-me pelo antigo apelido familiar. Fale de mim da maneira que sempre fez. Não mude o tom. Não use nenhum ar solene ou de dor. Ria como sempre fizemos das piadas que desfrutamos juntos. Brinque, sorria, pense em mim, reze por mim. Deixe que o meu nome seja uma palavra comum em casa, como foi. Faça com que seja falado sem esforço, sem fantasma ou sombra. A vida continua a ter o significado que sempre teve. Existe uma continuidade absoluta e inquebrável. O que é esta morte senão um acidente desprezível? Porque ficarei esquecido se estiver fora do alcance da visão? Estou simplesmente à sua espera, como num intervalo, bem próximo, na outra esquina. Está tudo bem!" (Texto de Ana Carolina, mãe de Isabella, num site de relacionamento)
Texto de Elaine Galeazzi, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.
Leia também:
|
|
|||||||
|
|
||||||||||
|
|
||||||||||
© Copyright Clube
da Calcinha. Todos os direitos reservados. |
||||||||||