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Márcia Atik é psicóloga e terapeuta sexual.

Site: www.marciaatik.com.br

Reflexão

Colaboradora-amiga: Márcia Atik

Dicas, críticas ou sugestões!

 

Sexo: a palavra da hora

Sexo é a palavra da hora, não apenas pela liberação conseqüente aos movimentos dos anos 60, mas porque, já não sem tempo, a sociedade resolveu assumir que esse aspecto da nossa vida é substancial para a preservação da humanidade e a estruturação psicológica do indivíduo no dia de prazer e/ou dor; vida e/ou morte.

Os mais diferentes estudos envolvendo a sexualidade estão presentes em todo e qualquer segmento da sociedade, do publicitário ao financeiro.

Uma pesquisa recente relacionou a satisfação sexual com a felicidade financeira. Os dados referem-se a 2007, ano em que o Brasil cresceu quase 5% e caiu o índice de vendas no mercado de medicamentos para disfunção erétil ou impotência sexual, como se diz vulgarmente. Ou seja: de uma maneira simplista, podemos concluir que, com mais dinheiro no bolso, as disfunções sexuais diminuem. Isso pode ser verdade ou não, mas a minha intenção ao fazer esse comentário vai um pouco além.

Satisfação e felicidade são duas palavras que, no que diz respeito à sexualidade, estão totalmente ligadas. Nesses tempos em que, como diz a música da Rita Lee, “amor é bossa nova, sexo é carnaval”, quando as amarras ficam um pouco mais frouxas e a sensação de que o limite perigosamente máximo é a felicidade e, ainda, quando um filme faz sucesso com o apelo “Sexo com Amor?”, é válido conversar sobre isso.

Não quero fazer parte do grupo dos alienados, retrógrados ou dos definitivamente românticos e dizer que somente esse sexo com amor é bom. Pode, sim, ficar potencializado, talvez esse seja o ´viagra natural´, mas que sexo pode ser bom também sem amor é verdadeiro, desde que venha de encontro ao meu desejo e, principalmente, obedecendo às regras de sexo saudável, seguro, de respeito a mim e ao outro.

“Tia, estou viciada em viagra”. Ouvi esta frase de uma jovem mulher. Fiquei muito curiosa e fui perguntando, querendo saber. Esse é o meu vício: escutar as histórias da vida e refletir sobre elas.

Pois bem. Contava a jovem que, num dia de brincadeira - e sexo combina com brincadeiras -, ela e o marido, rapagão de seus 30 e poucos anos, usaram o viagra para o jogo erótico e a performance. Ela disse que foi sensacional, como se a sexualidade de um jovem homem precisasse disso. Na verdade, não precisava, mas a curiosidade...

Então, ela descobriu a fórmula mágica de não mais se empenhar na sedução, nas preliminares, nos toques e nos abraços, pois, com a medicação - que deve ser bem indicada para casos especiais -, a coisa funciona rápido, sem empenho, sem trabalho. Apenas faz o que se tem a fazer e pronto!

Quem costuma ler meus artigos deve imaginar o impacto que isso me causou. Esse é o retrato cabal da diferença entre sexo e sexualidade. Apenas uma coisa que se faz a mais, assim como a obrigação de praticar esportes, trabalhar ou cozinhar.

Então, repito e não cansarei de repetir, pois essa é a face oculta da liberdade sexual: nunca se deve perder de vista o sentido do encontro sagrado que o sexo permite entre seres que, além de se desejarem, têm em comum a necessidade de trocas em toda a sua ilimitada possibilidade, quando o assunto em comum é uma vida compartilhada. Além, é claro, dos beijos, das frases secretas e da mais profunda sensação de felicidade!

                 

                                                                 

 

Texto de Márcia Atik, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal. 


 

 

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